A segurança nas estações

Estamos infelizmente constantemente confrontados com o tema da segurança – na Europa, a absoluta segurança dos cidadãos face a atentados terroristas é hoje tema do passado e obriga-nos a reformular hábitos de vida em todos os campos.

Não se pode, evidentemente, entrar em pânico. Da mesma forma, não se pode ignorar que alguns processos devem ser revistos com vista a possibilitar evoluções nos domínios da segurança real, da segurança percebida, da dissuasão e até da redução dos impactos.

Se há coisa a que definitivamente não me candidato é a especialista em segurança pelo que hoje quero apenas salientar diferenças entre diversos casos de estudo em países que nos são próximos (e onde não há controlos fronteiriços) e que podem suscitar as tais evoluções já citadas…

O caso português é o exemplo de uma ferrovia ainda completamente desassombrada, ou perto disso. Felizmente já não vivemos no tempo de ser possível a qualquer pessoa passear-se por praias de vias em estações de mercadorias ou de passageiros, mas tirando algumas estações suburbanas é ainda possível aceder a qualquer estação livremente, sem bilhete e sem controlo de segurança particular.

No patamar seguinte temos a maioria dos países da Europa Central: o acesso à estação faz-se livremente mas existem elementos de segurança claramente visíveis e que, posso presumir, serão sobretudo um elemento dissuasor.

Espanha oferece-nos um “pacote” de soluções que vão desde a adaptação inteira das estações para possibilitar novos fluxos de trânsito dos passageiros a soluções mistas de controlos de acesso “on demand”, coincidindo apenas com a chegada / partida de comboios de gama alta. “Nuestros hermanos” acumulam hoje em dia muitos anos de experiência pela infeliz experiência com a ETA e com o atentado de 11 de Março de 2004 e acabaram por criar sistemas de acesso que são ao mesmo tempo apertados mas de rápido processamento e de fluxos otimizados.

Os serviços internacionais Thalys, entre França e Bélgica, adotaram desde há algum tempo o ensinamento espanhol optando pelos controlos já na plataforma, similares aos que Espanha tem para comboios Alvia em estações não desenhadas desde início para possibilitarem os controlos de tipo aeroportuário.

De um ponto de vista de aficionado, nada terá mais charme do que uma estação aberta ao mundo e por onde se possa passear ou mesmo sentar a ler um livro, junto aos comboios. Mas não podemos ser dogmáticos nas discussões que se impõem sobre a segurança dos passageiros. De soluções mais dissuasoras até a controlos mais apertados antes do embarque e com limitação do número de pessoas presentes nos cais, a Europa tem já uma gama relativamente ampla de soluções e fluxos que podem responder a alguns dos problemas mais urgentes.

Uma palavra para a hipótese de evitar atentados dentro dos terminais, como aconteceu no aeroporto de Bruxelas. Será preferível ter as pessoas a fazerem filas nos amplos terminais preparados para acolher múltiplas filas de espera ou concentrá-las num número de filas de espera mais reduzido, nas portas dos terminais, para um “screening” inicial? A imagem abaixo da estação de Bruxelas Nord, no dia dos atentados, pode ser uma pista.

João Cunha

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