Objetivo maior da renovação da linha da Beira Alta cai por terra

O press release divulgado ontem na sequência da apresentação do projeto de reabertura da linha da Beira Baixa entre Covilhã e Guarda e da reapresentação da renovação da linha da Beira Alta veio oficializar, pela primeira vez, que o maior objetivo que havia sido definido para reestruturar o chamado corredor Internacional Norte não faz mais parte dos objetivos a perseguir com as obras profundas que irão ser levadas a cabo.

Desde a sua origem, primeiro no chamado GTIEVA e depois corporizado no programa PETI3+, a intervenção maior no corredor internacional Norte prendia-se com a necessidade de suavizar as rampas que existem hoje em dia no seu percurso. Agora, após aprovação dos fundos comunitários, a Infraestruturas de Portugal deixou de mencionar o que seria o objetivo mais importante para aumentar a competitividade do transporte ferroviário de mercadorias.

O projeto inicial pretendia dotar o corredor Aveiro – Salamanca de condições para que uma locomotiva elétrica standard, tipo CP 4700, pudesse sozinha rebocar cerca de 1.400 toneladas. Este objetivo seria conseguido com suavização de rampas e de curvas, de modo a reduzir a resistência ao avance. A passagem de um projeto de nova infraestrutura para o projeto atual de renovação fez-se assim comprometendo este objetivo que, só por si, representaria um ganho de produtividade de cerca de 30%, visto que hoje em dia uma locomotiva de tipo 4700 reboca no máximo cerca de 1.100 toneladas.

A IP elenca como objetivos a renovação da plataforma de via e equipamento com travessas que permitam instalar duas bitolas, aumento do layout das estações para pelo menos 750 metros de comprimento, diversas obras relacionadas com a segurança e fiabilidade da via, supressão de passagens de nível e instalação de sinalização e controlo de tráfego tipo ERTMS. Ao mesmo tempo, não é mencionado qualquer objetivo de velocidades praticáveis – sem correções de traçado anunciadas, a velocidade final deverá ser aquela que a Linha da Beira Alta apresentava no final dos anos 90.

Conforme já tinha sido aflorado neste espaço, o orçamento previsto para a obra fazia prever que os maiores objetivos seriam necessariamente inalcançáveis, algo que é agora confirmado.