Linha da Beira Baixa faz 125 anos

A Linha da Beira Baixa completa hoje a importante marca dos 125 anos. A 6 de Setembro de 1891 foi inaugurado o troço Abrantes – Covilhã, complementado dois anos depois pelo troço Covilhã – Guarda que permitia a ligação à linha da Beira Alta.

Troço encerrado entre Covilhã e Guarda, que aguarda reabertura.
Troço encerrado entre Covilhã e Guarda, que aguarda reabertura.

Esta linha que serve os pólos populacionais de Ródão, Castelo Branco, Alcains, Fundão e Covilhã teve um papel determinante no desencravamento da Beira Baixa no contexto do desenvolvimento nacional no final do século XIX e início do século XX, chegando aos nossos dias de hoje como uma das linhas-chave do mapa ferroviário nacional.

Pensada inicialmente como possibilidade para encurtar o percurso ferroviário entre Lisboa e Madrid (concretizado depois com a ligação por Marvão e Valencia de Alcantara), esta linha teve um percurso atribulado até aos dias de hoje. Na década de 1970 foi salva pelo plano do Estado Novo de explorar as minas de ferro de Torre de Moncorvo, cujo minério seria encaminhado para sul através de uma nova linha Pocinho – Vila Franca das Naves e daí seguindo para a linha da Beira Baixa. Por essa ocasião, a quase totalidade da linha foi renovada e salva de um futuro que se desenhava negro com a quase totalidade limitada a velocidades entre os 20 e os 60 km/h.

A linha que hoje se inicia no Entroncamento (a linha do Leste passou, essa sim, a iniciar-se em Abrantes) foi alvo de sucessivas etapas de eletrificação. Em 1993 chegou a Mouriscas, em 2005 a Castelo Branco e em 2011 à Covilhã. Aguarda agora obras de reabertura no troço até à Guarda, que fará desta linha novamente uma importante reserva de capacidade com vista às ligações internacionais via fronteira de Vilar Formoso.

A linha conserva como estações ativas para serviço de passageiros e cruzamento de comboios as estações de Barquinha, Almourol, Praia do Ribatejo, Santa Margarida, Tramagal, Abrantes, Alferrarede, Mouriscas, Barca da Amieira, Fratel, Ródão, Sarnadas, Castelo Branco, Alcains, Lardosa, Castelo Novo, Vale de Prazeres, Fundão, Tortosendo e Belmonte. No tráfego de mercadorias há a destacar a existência de ramais ou infraestruturas de carga / descarga em Praia do Ribatejo, Santa Margarida, Tramagal, Alferrarede, Mouriscas, Ródão, Sarnadas, Alcains, Castelo Novo e Fundão.

Tancos, no imenso troço ribeirinho da linha que se estende do Entroncamento até Ródão.
Tancos, no imenso troço ribeirinho da linha que se estende do Entroncamento até Ródão.

Atualmente por esta linha circulam três comboios Intercidades por dia e por sentido, a que se soma uma oferta regional de frequência idêntica. O tráfego de mercadorias foi caindo na última década, encontrando-se hoje em dia estagnado.

A reabertura do troço Norte da linha da Beira Baixa, historicamente preterido face aos restantes, poderá ser a nova oportunidade que esta linha necessita para se reposicionar no mapa ferroviário português, muito embora as fortes restrições de carga e as velocidades permitidas bastante baixas continuem a ser uma sombra que paira sobre si.

Por ocasião do centenário da linha, em 1991, foi batizada uma locomotiva da série MLW 1550. A locomotiva 1560, hoje fora de serviço e esperamos que futura pertença do Museu Nacional Ferroviário, ostenta por isso uma placa comemorativa do centenário da linha. Esta série foi sem dúvida a mais marcante da linha da Beira Baixa na segunda metade do século XX, ali prestando serviço diário e valoroso entre 1973 e 2011.

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