Credores da TP Ferro pronunciam-se a 15 de Setembro

A empresa TP Ferro, a gestora da linha de alta velocidade Figueres (Espanha) – Perpignan (França), reunirá os seus credores a 15 de Setembro para decidir o futuro da empresa. A TP Ferro está desde 2015 a tentar renegociar a sua dívida, sem sucesso, e encontra-se em falência técnica.

Fotografia TP Ferro. Do lado francês, um "salto de carneiro" permite aos comboios trocar o lado da circulação sem cruzamentos de nível.
Fotografia TP Ferro. Do lado francês, um “salto de carneiro” permite aos comboios trocar o lado da circulação sem cruzamentos de nível.

A TP Ferro é detida pela espanhola ACS (do presidente do Real Madrid, Florentino Perez) e da francesa Eiffage, e garantiu a concessão desta linha internacional que serve os tráfegos de bitola europeia França – Espanha, nomeadamente os AVE/TGV entre Barcelona/Madrid e Toulouse/Marselha/Paris e comboios de mercadorias de e para o porto de Barcelona.

Em princípio a banca irá rejeitar o plano de recuperação previsto por ACS e Eiffage, colocando a TP Ferro às portas da liquidação. A linha foi resultado de uma parceria público-privada onde o risco da procura ficou do lado privado. Além da demora inicial na conexão da linha do lado espanhol, que levou a que a infraestrutura ficasse meses sem qualquer tráfego, o tráfego está muito aquém do previsto: além do aumento da procura mais lento do que o previsto, as dificuldades e estrangulamentos de capacidade existentes do lado francês têm limitado o número de circulações que poderiam potencialmente utilizar esta linha. Além disso, os operadores queixam-se do valor muito elevado das portagens cobradas nesta infraestrutura.

Os governos francês e espanhol, que já no passado rejeitaram aumentar os apoios públicos à concessão, trabalham agora em vias legais de impedir que um eventual cenário de liquidação possa suspender todo o tráfego que ali passa, o que traria pesadas consequências sociais e económicas. No entanto, como o governo espanhol está em gestão, não poderá actuar nos próximos tempos e a principal opção nesta fase são expedientes que atrasem o curso do processo de liquidação.

Com 44,4 quilómetros de extensão, a linha da TP Ferro comporta ainda um túnel de 8,3 quilómetros por baixo dos Pirinéus. Dos 1.000 milhões de Euros de investimento, 600 foram apoios públicos diretos.

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