{"id":116,"date":"2018-04-26T15:37:33","date_gmt":"2018-04-26T14:37:33","guid":{"rendered":"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=116"},"modified":"2024-01-16T10:05:42","modified_gmt":"2024-01-16T09:05:42","slug":"oportunidades-e-riscos-da-liberalizacao-do-transporte-ferroviario-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2018\/04\/26\/oportunidades-e-riscos-da-liberalizacao-do-transporte-ferroviario-i\/","title":{"rendered":"Oportunidades e riscos da liberaliza\u00e7\u00e3o do transporte ferrovi\u00e1rio (I)"},"content":{"rendered":"<p>Em 2020, o mais tardar, o mercado ferrovi\u00e1rio europeu estar\u00e1 por fim liberalizado. Acabar-se-\u00e3o praticamente dois s\u00e9culos de restri\u00e7\u00f5es no acesso \u00e0s redes de cada pa\u00eds e a concorr\u00eancia, que \u00e9 uma realidade perfeitamente estabelecida no transporte de mercadorias, chegar\u00e1 tamb\u00e9m aos passageiros.<\/p>\n<p>Inicio aqui uma s\u00e9rie de artigos (poder\u00e3o at\u00e9 ser s\u00f3 2, logo se v\u00ea) sobre oportunidades e riscos deste processo na nossa rede.<\/p>\n<p>No que ao longo curso diz respeito, a liberaliza\u00e7\u00e3o enfrentar\u00e1 o choque de realidades que temos na rede ferrovi\u00e1ria, n\u00e3o muito diferente do que somos como pa\u00eds: uma ferrovia de litoral e outra de interior.<\/p>\n<p>No litoral, o eixo Braga \/ Guimar\u00e3es \/ Viana &#8211; Lisboa \u00e9 potencialmente interessante para novos operadores. No entanto, a falta de planeamento do nosso pa\u00eds vai ser o maior entrave \u00e0 sua entrada uma vez que, no seu conjunto, a linha do Norte \u00e9 uma infraestrutura saturada e com n\u00edveis de performance demasiado heterog\u00e9neos. Juntando isto \u00e0s barreiras \u00e0 entrada naturais do neg\u00f3cio (investimento no material circulante e no edif\u00edcio regulamentar que autoriza a opera\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria) parece-me pouco prov\u00e1vel que venhamos a ter a entrada de algum operador, se n\u00e3o for feito em conjunto com o incumbente, a CP.<\/p>\n<p>A falta de capacidade na linha do Norte impede o desenvolvimento de uma oferta de facto diferenciada. \u00c9 muito prov\u00e1vel ali\u00e1s que a CP, com a oferta atual, esteja j\u00e1 perto de esgotar o que a infraestrutura fisicamente permite. Ou, sendo promovida a entrada de novos operadores, pode haver uma press\u00e3o negativa para reduzir circula\u00e7\u00f5es de cariz regional ou suburbano &#8211; nas mercadorias duvido que se possa reduzir mais, e as queixas atuais j\u00e1 s\u00e3o muitas.<\/p>\n<p>Sem apostar num refor\u00e7o real de capacidade, n\u00e3o existir\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para que um operador se possa apresentar em moldes muito distintos aos da CP. A diferencia\u00e7\u00e3o imediata que pode ser feita ser\u00e1 nos servi\u00e7os (melhores comboios ou mesmo propostas a bordo distintas) e no pre\u00e7o, onde n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar custos de estrutura (muito) mais baixos. No entanto, e sobretudo nas pontas, a entrada de mais circula\u00e7\u00f5es pagar\u00e1 sempre o pre\u00e7o de um pior tempo de viagem. E se ele j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 famoso&#8230;<\/p>\n<p>Para Sul, id\u00eanticas considera\u00e7\u00f5es h\u00e1 a fazer na malha suburbana de Lisboa. A massa cr\u00edtica \u00e9 bastante inferior e, sem a optimiza\u00e7\u00e3o de tempo de viagem que s\u00f3 uma TTT traria, dificilmente ser\u00e1 um eixo atractivo para novos operadores. N\u00e3o sendo atractivo comercialmente em mercado, isto desde logo nos permite antecipar que \u00e9 um eixo onde o Estado n\u00e3o deve travar a sua responsabilidade. Tamb\u00e9m tem a curiosidade de, investindo na infraestrutura, poder transitar para o patamar de mercado&#8230; o que \u00e9 interessante.<\/p>\n<p>Nos eixos das Beiras n\u00e3o restar\u00e1 outra solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o assumir os comboios de longo curso como um muito necess\u00e1rio servi\u00e7o p\u00fablico, desejavelmente para melhorar continuamente. Caso entrem operadores em Portugal, pode ser interessante licitar a concess\u00e3o do servi\u00e7o Intercidades pelo melhor pre\u00e7o e fixando-se \u00e0 partida os n\u00edveis de servi\u00e7o pretendidos.<\/p>\n<p>Por fim, as liga\u00e7\u00f5es internacionais. Ser\u00e3o sempre um mercado apetec\u00edvel para quem j\u00e1 operar do outro lado da fronteira, com massa cr\u00edtica em Espanha a alimentar os seus custos fixos. Nesse caso, mesmo em eixos de menor procura, pode n\u00e3o ser desprez\u00e1vel o interesse de operar algumas circula\u00e7\u00f5es continuando para Portugal e realizando algum servi\u00e7o interior por c\u00e1.<\/p>\n<p>O eixo Porto &#8211; Corunha ser\u00e1, indiscutivelmente, o que mais interesse ter\u00e1. O futuro reserva-nos uma evolu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o CP-Renfe, em princ\u00edpio mantendo a mesma coopera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o perspectivo na Renfe o interesse de querer substituir-se integralmente \u00e0 CP. Mas tendo a rede galega massa e condi\u00e7\u00f5es para apelar a novos operadores, n\u00e3o ser\u00e1 de excluir que a sua poss\u00edvel apari\u00e7\u00e3o se prolongue pela linha do Minho.<\/p>\n<p>A liberaliza\u00e7\u00e3o pode ser uma oportunidade clara de ter mais servi\u00e7os, mais baratos e de maior qualidade no eixo litoral, assim se capacitem as nossas vias f\u00e9rreas de capacidade e performance para tal. Alguns exemplos que v\u00e3o fluorescendo na Europa (Alemanha ou It\u00e1lia, para citar apenas exemplos compar\u00e1veis) mostram todo o interesse em propici\u00e1-lo.<\/p>\n<p>No resto da rede e restantes servi\u00e7os, a liberaliza\u00e7\u00e3o trar\u00e1 oportunidades mas a explorar de forma distinta, a desenvolver em pr\u00f3ximo(s) artigo(s).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2020, o mais tardar, o mercado ferrovi\u00e1rio europeu estar\u00e1 por fim liberalizado. 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