{"id":184,"date":"2018-08-06T19:13:40","date_gmt":"2018-08-06T18:13:40","guid":{"rendered":"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=184"},"modified":"2024-01-16T10:02:08","modified_gmt":"2024-01-16T09:02:08","slug":"a-frota-motora-da-cp-em-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2018\/08\/06\/a-frota-motora-da-cp-em-2016\/","title":{"rendered":"A frota motora da CP em 2016"},"content":{"rendered":"<p>Publico umas achegas sobre o que era a frota da CP em 2016, com o objectivo de desmistificar a tese do Governo de que recebeu um fardo pesado. Relativamente \u00e0 natureza sistem\u00e1tica e cont\u00ednua da manuten\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2018\/07\/26\/manutencao-ferroviaria-como-arma-politica-cuidado-com-isso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 escrevi aqui.<\/a><\/p>\n<p>Os dados reportam-se a Agosto de 2016, dez meses depois da tomada de posse da actual equipa do MPI. Pelo exposto no artigo j\u00e1 citado, nesta data se tivesse sido recebido um passivo de manuten\u00e7\u00e3o, ele j\u00e1 teria dado sinais de vida &#8211; ou seja, j\u00e1 haveria caos.<\/p>\n<p>Exibo o parque total activo (descontando unidades que estavam a aguardar decis\u00e3o sobre repara\u00e7\u00f5es), o parque dispon\u00edvel (descontando unidades habitualmente entregues a manuten\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica, revis\u00f5es) e o parque necess\u00e1rio (pelas rota\u00e7\u00f5es da empresa, expurgadas das unidades de reserva &#8211; que constam das rota\u00e7\u00f5es sem servi\u00e7o programado e que na pr\u00e1tica compara com o n\u00ba de unidades entregues \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o, seja por avaria ou outras).<\/p>\n<p>\u00c9 importante sublinhar (at\u00e9 porque a malta das trincheiras s\u00f3 v\u00ea a preto e branco) que a CP foi de facto entregue no limite em 2015. Mas mesmo esse limite pode ser sustentado virtualmente ad eternum se a manuten\u00e7\u00e3o for mantida (pode \u00e9 ter custos crescentes, no material mais obsoleto &#8211; \u00e9 o que acontece h\u00e1 10 anos em Cascais).<\/p>\n<p>Quanto ao volume de passageiros em crescimento, que necessitava naturalmente de respostas, a CP por isso mesmo criou um plano de expans\u00e3o que recorria a alugueres (para aumentar oferta e assim encaixar mais dinheiro, era para o segmento rent\u00e1vel) e alertou publicamente para os riscos de n\u00e3o come\u00e7ar a investir no aumento da empresa. Foi em 2016.<\/p>\n<p>Relativamente aos n\u00fameros divulgados nos relat\u00f3rios e contas, \u00e9 fundamental perceber que frota operacional n\u00e3o \u00e9 frota que est\u00e1 a andar. \u00c9 frota dada a servi\u00e7o comercial, mas que pode estar pontualmente em revis\u00e3o \/ manuten\u00e7\u00e3o \/ repara\u00e7\u00e3o &#8211; na minha an\u00e1lise, \u00e9 o primeiro n\u00famero acrescido das tais unidades que aguardavam decis\u00e3o (habitualmente unidades gravemente acidentadas que aguardam decis\u00f5es de seguros ou da pr\u00f3pria empresa de custear grandes repara\u00e7\u00f5es). Frota n\u00e3o operacional n\u00e3o \u00e9, em princ\u00edpio, frota reactiv\u00e1vel &#8211; s\u00e3o fundamentalmente ve\u00edculos destinados a demoli\u00e7\u00e3o, museu ou venda.<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1 ao parque operacional, segundo a defini\u00e7\u00e3o da CP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Locomotivas (parque total \/ parque dispon\u00edvel \/ parque necess\u00e1rio)<\/strong><\/p>\n<p>Diesel, 1400 (usadas para manobras em Santa Apol\u00f3nia e para comboios especiais no Norte): 6 \/ 5 \/ 2<\/p>\n<p>El\u00e9ctricas, 5600 (servi\u00e7os Intercidades): 19 \/ 18 \/ 13<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Automotoras el\u00e9ctricas (parque total \/ parque dispon\u00edvel \/ parque necess\u00e1rio)<\/strong><\/p>\n<p>2240 (servi\u00e7os regionais, urbanos Porto e Lisboa, ICs da Beira Baixa): 54 \/ 50 \/ 45<\/p>\n<p>2300\/2400 (linhas de Sintra e Azambuja): 51 \/ 48\u00a0 \/42<\/p>\n<p>3150\/3250 (as de Cascais): 30 \/ 27 \/ 26<\/p>\n<p>3400 (urbanos do Porto): 34 \/ 32 \/ 32<\/p>\n<p>3500 (unidades 2 pisos de Lisboa): 10 \/ 9 \/ 8<\/p>\n<p>4000 (Alfa Pendular): 10 \/ 9 \/ 8<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Automotoras diesel (parque total \/ parque dispon\u00edvel \/ parque necess\u00e1rio)<\/strong><\/p>\n<p>0350 (linha do Leste, na altura ainda na linha do Oeste): 3 \/ 3 \/ 1 (2 das unidades eram reserva permanente no Oeste)<\/p>\n<p>0450 (Oeste, Beja e Algarve): 17 \/ 15 \/ 15<\/p>\n<p>592 (alugadas a Espanha): 19 \/ 17 \/ 16<\/p>\n<p>9630 (Vouga): 7 \/ 6 \/ 5<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas adicionais:\u00a0<\/strong>Os parques dos Pendulares (4000) e urbanos do Porto (3400) j\u00e1 tinham uma manuten\u00e7\u00e3o gerida de modo distinto (basicamente n\u00e3o t\u00eam grandes repara\u00e7\u00f5es que podem durar v\u00e1rias semanas, mas uma nova forma de gerir a manuten\u00e7\u00e3o que foi abordada na revista Trainspotter sobre os comboios Alfa Pendular) pelo que era mais comport\u00e1vel gerir no limite &#8211; representa de facto um ganho de produtividade e \u00e9 um m\u00e9todo que vai \/ est\u00e1 a ser alargado a mais s\u00e9ries. Os Alfas s\u00f3 ficariam de facto no limite com a imobiliza\u00e7\u00e3o para renova\u00e7\u00e3o de meio de vida (1 unidade), o que ali\u00e1s motivou que a CP tivesse pedido para alugar material de modo a mitigar os riscos.<\/p>\n<p>A frota das 0450 j\u00e1 estava em profunda crise, com muitas avarias repetidas. No entanto o duplo efeito do sobredimensionamento da frota do Algarve e a exist\u00eancia de 2 0350 de reserva no Oeste permitia quase sempre gerir a situa\u00e7\u00e3o. A prop\u00f3sito das 0350, a CP enviou em 2016\/2017 4 automotoras j\u00e1 abatidas para serem recuperadas nas oficinas do Porto. Uma p\u00f4de ser revista perante a press\u00e3o pol\u00edtica de repor o servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio para Elvas. As outras por l\u00e1 continuam ainda hoje &#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Isto s\u00e3o dados de Agosto de 2016. Havendo passivos de manuten\u00e7\u00e3o graves herdados, nesta altura j\u00e1 teria havido colapso. Com os meios ex\u00edguos, a CP ainda teve um 2016 tranquilo, o que prova que ali\u00e1s n\u00e3o houve redu\u00e7\u00e3o desses meios durante esse ano. J\u00e1 teve um Ver\u00e3o dif\u00edcil porque a procura continuou a aumentar e os comboios que deviam chegar por aluguer em Junho 2016, n\u00e3o puderam ser alugados. Em 2017 para resolver parcialmente o problema no Douro, a CP reactivou 6 antigas carruagens de 1948, que fazem desde ent\u00e3o um servi\u00e7o tur\u00edstico Miradouro.<\/p>\n<p>Faltam aqui dados do parque de 102 carruagens Intercidades (101 na realidade). No entanto, com excep\u00e7\u00e3o da linha da Beira Baixa que desde 2012 \u00e9 operada com 2240 modificadas, nenhuma linha tinha sequer registos de opera\u00e7\u00e3o com algo que n\u00e3o fosse material Intercidades, o que ali\u00e1s se prolongou at\u00e9 2017. Portanto, desconhecendo taxa de imobiliza\u00e7\u00e3o da altura, n\u00e3o fazia perigar certamente a oferta da empresa como hoje acontece (sobretudo na linha de \u00c9vora, a de menor prioridade para a CP).<\/p>\n<p>Deixo aqui os dados para que cada um possa ver o que eram as capacidades operacionais da CP e fazer os seus julgamentos do que seria o cen\u00e1rio actual se isto se tivesse mantido. Por exemplo nas 0450 t\u00eam sido registados v\u00e1rios dias nas \u00faltimas semanas com menos de 10 unidades dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0s not\u00edcias da abrupta quebra de capacidade na EMEF (que j\u00e1 era menor em 2015 do que em 2011, sim&#8230; suficiente no limite para a opera\u00e7\u00e3o ent\u00e3o existente), \u00e9 de recordar <a href=\"https:\/\/eco.pt\/2018\/04\/06\/pedidos-de-pensao-aumentam-com-novas-regras-para-carreiras-longas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a lei noticiada aqui<\/a>, que teve um grande impacto que manifestamente n\u00e3o foi antecipado na ferrovia&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A minha opini\u00e3o sobre 2016<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a situa\u00e7\u00e3o era de limite, como comecei por dizer. E \u00e9 evidente que, perante o bom trabalho comercial da empresa, expandir era o \u00fanico caminho, tal como foi publicamente comunicado (at\u00e9 pelo pr\u00f3prio Pedro Marques, em in\u00edcio de mandato).<\/p>\n<p>A vida da CP teria de evoluir e ainda comportava a problem\u00e1tica s\u00e9rie 0450 (n\u00e3o sou situacionista, <a href=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/wordpress\/2016\/04\/29\/a-problematica-do-aumento-da-frota-de-longo-curso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">podem consultar o que eu dizia delas em 0450 bem antes da crise operacional<\/a>), carecendo de um misto de solu\u00e7\u00f5es: no m\u00ednimo manter os meios alocados at\u00e9 ent\u00e3o (o que foi feito durante 2016), aumentar a frota de reserva (por exemplo reactivando as 0350s, o que a CP tentou fazer em 2016\/2017) e alugando mais material a Espanha (que, por sorte nossa, tem de sobra).<\/p>\n<p>E, claro, preparar concursos para comprar material a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Se o colapso presente \u00e9 culpa da heran\u00e7a? N\u00e3o h\u00e1 nenhuma indica\u00e7\u00e3o que o possa suportar (ent\u00e3o compravam-se rodados, faziam-se revis\u00f5es, ao ritmo necess\u00e1rio para manter a frota &#8211; minimizada, \u00e9 certo &#8211; operacional), nem pela natureza do que \u00e9 manuten\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria e sua homologa\u00e7\u00e3o para servi\u00e7o comercial, que compara com a an\u00e1lise dos n\u00fameros de Agosto 2016.<\/p>\n<p>Podemos falar da competitividade e sustentabilidade desta frota. Isso j\u00e1 em 2016 era um desastre, uma m\u00e1 heran\u00e7a do governo anterior, que teve uma m\u00e1 heran\u00e7a do governo anterior, etc. etc. Mas procurar misturar o aspecto da competitividade e sustentabilidade financeira da frota com o simples facto de ela agora estar parada nas oficinas procura apenas confundir e apagar responsabilidades presentes pelo curto prazo. E \u00e9 sobre isso que o Governo \u00e9 chamado a assumir as suas responsabilidades &#8211; presentes e futuras.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que o Governo tinha o\u00e7\u00f5es &#8211; por exemplo as que agora apressadamente quer garantir at\u00e9 ao final do ano (mais alugueres, mais contrata\u00e7\u00f5es). E ap\u00f3s tr\u00eas anos, o cen\u00e1rio \u00e9 o que \u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publico umas achegas sobre o que era a frota da CP em 2016, com o objectivo de desmistificar a tese do Governo de que recebeu um fardo pesado. Relativamente \u00e0 natureza sistem\u00e1tica e cont\u00ednua da manuten\u00e7\u00e3o, j\u00e1 escrevi aqui. 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