{"id":275,"date":"2020-06-10T10:08:07","date_gmt":"2020-06-10T09:08:07","guid":{"rendered":"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=275"},"modified":"2024-01-16T09:58:00","modified_gmt":"2024-01-16T08:58:00","slug":"enterre-se-o-metrobus-do-mondego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2020\/06\/10\/enterre-se-o-metrobus-do-mondego\/","title":{"rendered":"Enterre-se o Metrobus do Mondego"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O metro do Mondego \u00e9 um filho dos anos 1990<\/strong>, quando aos transportes se pediam f\u00f3rmulas para valorizar a promo\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, mais do que a transportar pessoas. Em Lisboa h\u00e1 muito que as linhas de Metro apontavam a zonas des\u00e9rticas mais do que a zonas povoadas (aconselho a verem o que era a Lisboa do Col\u00e9gio Militar antes do Metro) e no Porto decidiu-se trocar o comboio suburbano pelo Metro em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00f3voa ou \u00e0 Trofa (onde depois nunca chegou).<\/p>\n\n\n\n<p>O metro do Mondego era a solu\u00e7\u00e3o fara\u00f3nica para dar outro el\u00e3 ao \u00fanico corredor facilmente apto \u00e0 migra\u00e7\u00e3o &#8211; o ramal da Lous\u00e3. Esta \u00e9 outra caracter\u00edstica do desenvolvimento destes sistemas nesta fase &#8211; o de procurarem substituir a ferrovia pesada, j\u00e1 implantada, ao inv\u00e9s de servirem a eixos de mobilidade sem qualquer suporte de meios de alta capacidade. O motivo? O custo de implanta\u00e7\u00e3o possibilitava a promessa do Metro sem significar somas exorbitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinte e cinco anos volvidos, a hist\u00f3ria \u00e9 bem conhecida. <strong>A Sociedade do Metro do Mondego pagou administradores, alguns projectos e bares de alterne<\/strong>. Coimbra nunca viu nem o metro em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Lous\u00e3 nem uma solu\u00e7\u00e3o de mobilidade mais eficaz no centro da cidade, onde de facto faria falta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ao fim de vinte e cinco anos, o decr\u00e9pito e falido regime nacional entregam a Coimbra a c\u00f4dea<\/strong>: j\u00e1 n\u00e3o falamos de um comboio renovado nem de um metro espampanante, mas <strong>falamos de uns autocarros a circularem no antigo canal ferrovi\u00e1rio, em via \u00fanica e obrigados a cruzamentos em esta\u00e7\u00f5es<\/strong>. Sendo muito o rid\u00edculo, a Infraestruturas de Portugal e o Governo arranjaram uns autocarros &#8220;inteligentes&#8221;, guiados com aux\u00edlio de guias ao longo do trajecto, com sinaliza\u00e7\u00e3o pesada de tipo ferrovi\u00e1rio e, provavelmente el\u00e9ctricos.<\/p>\n\n\n\n<p>A parafern\u00e1lia de inven\u00e7\u00f5es continua, com as rotundas instaladas ao longo do percurso para permitir a invers\u00e3o dos autocarros e a promessa de manter este sistema &#8220;espectacular&#8221; tamb\u00e9m intra-muros, em Coimbra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que n\u00e3o se disfar\u00e7a \u00e9 que o resultado de tudo isto \u00e9 a oferta de um servi\u00e7o em condi\u00e7\u00f5es de conforto muito inferiores<\/strong> &#8211; n\u00e3o \u00e9 preciso citar as diferen\u00e7as din\u00e2micas de viajar a bordo de um autocarro ou de um comboio. Bastante pior, o regime oferece aquela que foi em tempos a terceira cidade do pa\u00eds um servi\u00e7o para o que tamb\u00e9m foi em tempos o seu dormit\u00f3rio chique <strong>cujos tempos de viagem da periferia ao centro superam alguns dos piores tempos que as velhas e cansadas automotoras diesel<\/strong> faziam nas \u00faltimas d\u00e9cadas de vida do ramal da Lous\u00e3. <strong>Que semelhante feito mere\u00e7a honras de apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica e propaganda, em vez de envergonhados pedidos de desculpa, \u00e9 a melhor prova da decad\u00eancia que se instalou no pa\u00eds<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"309\" src=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/unnamed.png\" alt=\"O rid\u00edculo mapa e servi\u00e7o que o regime apresentou com contentamento\" class=\"wp-image-277\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/unnamed.png 512w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/unnamed-300x181.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A verdadeira cereja no topo do bolo \u00e9 a vontade da desactiva\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o de Coimbra-A onde chegam, sem transbordos, comboios de proximidade da Figueira da Foz, do Entroncamento, da Beira Alta e de Aveiro, permitindo ainda aos passageiros dos r\u00e1pidos desembarcados em Coimbra-B estarem a tr\u00eas minutos da Baixa de Coimbra.<strong> Uma agress\u00e3o gratuita<\/strong> da Imobili\u00e1ria de Almada, portanto a te\u00f3rica gestora de infraestruturas, <strong>com cobertura governamental<\/strong>, sob o pretexto de poupar na implanta\u00e7\u00e3o dos autocarros da Lous\u00e3, usando tamb\u00e9m aqui o canal ferrovi\u00e1rio. A dita Imobili\u00e1ria,<strong> al\u00e9m de apresentar um projecto de mobilidade que s\u00f3 tem paralelo nalgumas das pr\u00e1ticas terceiro-mundistas do Brasil, ainda anuncia saldos em cima dos saldos<\/strong>, evitando a implanta\u00e7\u00e3o do corredor nas largas ruas que de Coimbra-A v\u00e3o para Coimbra-B, aproveitando para poupar uns trocos em manuten\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria e utilizando o mais simples canal ferrovi\u00e1rio. \u00c9 obra!<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da celeridade da Infraestruturas de Portugal na revis\u00e3o integral deste projecto e do seu lan\u00e7amento &#8211; qu\u00e3o \u00fatil teria sido tanta &#8220;vontade&#8221; ao servi\u00e7o do Ferrovia 2020 &#8211; o projecto n\u00e3o est\u00e1 ainda no ponto de n\u00e3o retorno e, se existir vontade pol\u00edtica, o pa\u00eds pode recuperar n\u00e3o apenas o servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio como, muito mais do que isso, todo o potencial que ali dormitava para servir a mobilidade de forma mais sustent\u00e1vel e competitiva. Afinal de contas, n\u00e3o \u00e9 por isso que se luta nos debates p\u00fablicos?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Chega de tanto erro!<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos mais assistir a tanto erro junto sem mobiliza\u00e7\u00e3o e sem denunciar o que s\u00e3o erros hist\u00f3ricos inadmiss\u00edveis em 2020. N\u00e3o h\u00e1 qualquer pretexto que justifique que o Estado, que tem poupado para l\u00e1 do razo\u00e1vel no investimento p\u00fablico, possa querer poupar meia d\u00fazia de milh\u00f5es de Euros com uma regi\u00e3o como a de Coimbra, crucial no desenvolvimento de toda a regi\u00e3o Centro e, por arrasto, de todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 sequer j\u00e1 tempo de debater os detalhes e as preciosidades dos planos, encantos burocr\u00e1ticos desenvolvidos pelos sedutores de autarcas do costume e que impedem sistematicamente, com estes truques, que se debatam as suas piores inten\u00e7\u00f5es e a &#8220;bigger picture&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coimbra possui um \u00fanico constrangimento not\u00e1vel<\/strong> para o aproveitamento do ramal da Lous\u00e3 com a articula\u00e7\u00e3o que \u00e9 desej\u00e1vel com o resto da rede ferrovi\u00e1ria, <strong>sendo esse o tro\u00e7o entre Coimbra-A e Coimbra-Parque<\/strong>, pela Avenida Em\u00eddio Navarro. Estes 800 metros de conflito s\u00e3o o Santo Graal de todas as justifica\u00e7\u00f5es para um crasso erro de mobilidade e para despromover, uma vez mais, o potencial do nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O t\u00fanel de Coimbra<\/h3>\n\n\n\n<p>Todo o tema est\u00e1, portanto, focado no custo de um poss\u00edvel t\u00fanel ferrovi\u00e1rio que pudesse desnivelar o atravessamento ferrovi\u00e1rio entre as duas esta\u00e7\u00f5es anteriormente citadas. Em 800 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas op\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Manter o atravessamento de n\u00edvel;<\/li><li>Construir o dito t\u00fanel.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Desengane-se quem pense que a primeira destas op\u00e7\u00f5es \u00e9 impens\u00e1vel. Na realidade, meios pesados no meio de avenidas n\u00e3o \u00e9 algo desconhecido, nem sequer algo que se quisesse evitar desde logo na origem do Metro do Mondego, ou vis\u00edvel no Metro do Porto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, <strong>n\u00e3o faltam exemplos em cidades de primeira linha<\/strong> como Coire, na Su\u00ed\u00e7a, <strong>onde os comboios circulam<\/strong> a cada meia hora, em cada sentido, p<strong>or quase dois quil\u00f3metros das principais ruas e avenidas da cidade, em linhas electrificadas em alta tens\u00e3o (15.000V) <\/strong>e por onde passam inclusivamente pesados comboios de mercadorias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/images.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-280\" width=\"265\" height=\"176\"\/><figcaption>Em Chur, Su\u00ed\u00e7a, uma linha electrificada a alta tens\u00e3o e com comboios de mercadorias circula pelo meio da cidade<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por isso, e com o devido ajuste do tra\u00e7ado para o desviar das \u00e1rvores da avenida, \u00e9 perfeitamente vi\u00e1vel comportar um curto tro\u00e7o \u00e0 superf\u00edcie, electrificado e em via \u00fanica, para assegurar a liga\u00e7\u00e3o do ramal da Lous\u00e3 \u00e0 linha do Norte, dando natural sequ\u00eancia aos servi\u00e7os e melhorando dramaticamente o n\u00edvel de oferta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. <strong>Este conflito n\u00e3o \u00e9 em nada diferente dos que promovemos, de forma eficiente e normalizada, com sistemas como os do Metro do Porto ou do Sul do Tejo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso disto ser considerado intoler\u00e1vel pelas mentes possivelmente mais limitadas que por c\u00e1 existem, ent\u00e3o a op\u00e7\u00e3o tem de ser o t\u00fanel. Ao mesmo tempo que escrevo estas linhas, est\u00e1 a terminar em Espanha a constru\u00e7\u00e3o de um t\u00fanel que cobre uma dist\u00e2ncia mais de duas vezes superior, para o desnivelamento da liga\u00e7\u00e3o de alta velocidade no atravessamento de Leon, comportando uma esta\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea. A obra apresenta um custo de 50 milh\u00f5es, com geometria de tra\u00e7ado para 160 km\/h, muito mais do que o necess\u00e1rio para o caso de Coimbra. <strong>Falamos de quanto no caso de Coimbra? 20 ou 30 milh\u00f5es?<\/strong> Estamos a condenar toda uma regi\u00e3o e uma das maiores cidades portuguesas porque o Estado que reserva 1.200 milh\u00f5es para a TAP e 850 para o Novo Banco n\u00e3o quer gastar 30 milh\u00f5es? Quando uma compara\u00e7\u00e3o destas \u00e9 t\u00e3o demasiadamente agressora, a eventual demagogia da compara\u00e7\u00e3o reside apenas em quem nega semelhante investimento de forma totalmente insustentada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Ramal da Lous\u00e3 electrificado<\/h3>\n\n\n\n<p>O ramal da Lous\u00e3, com 35 quil\u00f3metros, estava obsoleto quando encerrou. N\u00e3o electrificado e sem sinaliza\u00e7\u00e3o &#8211; vigorava o chamado Regime de Explora\u00e7\u00e3o Simplificada, em que o revisor \u00e0 chegada a uma esta\u00e7\u00e3o ligava ao regulador a perguntar se o comboio podia avan\u00e7ar para a esta\u00e7\u00e3o seguinte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/serpins-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-278\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/serpins-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/serpins-300x200.jpg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/serpins-768x512.jpg 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/serpins.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O decr\u00e9pito servi\u00e7o que existia, assente numa linha abandonada \u00e0 sua sorte, n\u00e3o pode ser desculpa. Mesmo esse tinha performance e conforto superior ao novo Metrobus&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com as velhas e cansadas automotoras Allan &#8211; que, chegadas em 1954, eram desde ent\u00e3o consideradas submotorizadas, o que ali\u00e1s motivou que a CP nunca tivesse pago a totalidade da encomenda \u00e0 casa holandesa por incumprimento de requisitos &#8211; realizavam o percurso com tempos de viagem entre 45 minutos e uma hora. <strong>No pior dos casos, portanto, em tempos similares aos prometidos pelo Metrobus!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tomando como exemplo a acelera\u00e7\u00e3o t\u00edpica das UTE 2240 que a CP tem ao servi\u00e7o dos regionais de linhas electrificadas ou dos comboios suburbanos da linha do Sado, <strong>\u00e9 perfeitamente vi\u00e1vel acreditar num servi\u00e7o p\u00e1ra-em-todas em apenas 35 a 40 minutos, entre Serpins e Coimbra-Parque<\/strong>, certamente menos para os servi\u00e7os mais acelerados de refor\u00e7o das horas de ponta. Al\u00e9m das capacidades de trac\u00e7\u00e3o, a instala\u00e7\u00e3o de um sistema de sinaliza\u00e7\u00e3o moderno, como o que se quer instalar para o Metrobus, diminuiria dramaticamente a demora nas esta\u00e7\u00f5es e aumentaria a capacidade, permitindo a opera\u00e7\u00e3o de mais servi\u00e7os mesmo sem acrescentar esta\u00e7\u00f5es de cruzamento por compara\u00e7\u00e3o \u00e0s que existiam.<\/p>\n\n\n\n<p>O trajecto Serpins &#8211; Coimbra-B poderia ser efectuado em 40 minutos, com paragem em todas as esta\u00e7\u00f5es, contra mais de uma hora na solu\u00e7\u00e3o de Metrobus!<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a custos? <strong>50 a 75M\u20ac, para reposi\u00e7\u00e3o da via, instala\u00e7\u00e3o de caten\u00e1ria e sinaliza\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; menos do que o custo do Metrobus, que obrigar\u00e1 a aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos (necessidade n\u00e3o existente na ferrovia) e \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias obras de arte do ramal para a circula\u00e7\u00e3o destes ve\u00edculos, nomeadamente com adapta\u00e7\u00e3o dos tabuleiros das pontes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma verdadeira malha regional na regi\u00e3o Centro<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Sem o ramal da Lous\u00e3, Coimbra perder\u00e1 a derradeira oportunidade de retomar o comboio do desenvolvimento<\/strong>, desaproveitando um eixo vital para estabelecer uma verdadeira malha regional de mobilidade de alto padr\u00e3o, essencial para estruturar o seu desenvolvimento social, humano e econ\u00f3mico, numa regi\u00e3o com muita dificuldade para atrair recursos humanos e empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Coimbra-B podia ser a esta\u00e7\u00e3o mais relevante a seguir a Lisboa e Porto, com um papel na malha regional possivelmente t\u00e3o importante como a pr\u00f3pria esta\u00e7\u00e3o de Campanh\u00e3, que \u00e9 de todas as esta\u00e7\u00f5es portuguesas aquela que tem um papel mais estrutural para o servi\u00e7o de curtas e m\u00e9dias dist\u00e2ncias no nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>De Coimbra-B, j\u00e1 hoje se pode chegar at\u00e9 Pombal e Entroncamento, para Sul, \u00e0 Figueira da Foz, a Oeste, a Aveiro, a Norte, e a Santa Comba D\u00e3o e Mangualde, a Nordeste. Com a reintegra\u00e7\u00e3o plena do ramal da Lous\u00e3, Coimbra-B podia ser a plataforma para ver passar os comboios Serpins &#8211; Figueira da Foz ou Serpins &#8211; Aveiro, comboios aptos \u00e0s desloca\u00e7\u00f5es de e para Coimbra e rompendo uma s\u00e9rie de transbordos frequentes para passageiros realizando desloca\u00e7\u00f5es ao longo deste eixo e sem necessitarem de se apear em Coimbra.<\/p>\n\n\n\n<p>De igual modo, podia ser explorada de outra forma o acesso ao Luso, Mort\u00e1gua e Santa Comba, com alguns comboios articulados em Coimbra com outros servi\u00e7os (Figueira da Foz, Pombal, Serpins) e que pudessem puxar pelo desencravamento da regi\u00e3o e pela lideran\u00e7a regional da cidade de Coimbra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com o ramal da Lous\u00e3 reintegrado e a fornecer escala ao sistema, ganha ainda muita for\u00e7a a possibilidade de reactivar parte do antigo ramal da Figueira da Foz, entre a Pampilhosa e Cantanhede, uma dist\u00e2ncia de apenas 15 quil\u00f3metros<\/strong>, em terreno muito favor\u00e1vel e cujo custo de reimplanta\u00e7\u00e3o, electrificada, seria bastante baixo &#8211; em torno dos 20 a 30 milh\u00f5es de Euros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coimbra seria o cora\u00e7\u00e3o de uma estrela de mobilidade<\/strong> essencial para servir a heterogeneidade e dispers\u00e3o populacional que s\u00e3o um grande desafio espec\u00edfico da regi\u00e3o Centro, promovendo ao mesmo tempo amplitude geogr\u00e1fica e ganhos de escala pela plena articula\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios ramos &#8211; a composi\u00e7\u00e3o de uma verdadeira rede, uma singela palavra que no caso ferrovi\u00e1rio significa ganhos de produtividade que tornam o custo marginal do transporte baix\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tudo isto com tempos de viagem imbat\u00edveis<\/strong> para desloca\u00e7\u00f5es pendulares, mesmo considerando servi\u00e7os a parar em todas as esta\u00e7\u00f5es (servindo capilarmente o territ\u00f3rio):<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Figueira da Foz &#8211; Coimbra em 50 minutos, ou Figueira da Foz &#8211; Lous\u00e3 em 1h20<\/li><li>Cantanhede &#8211; Coimbra em 25 minutos, ou Cantanhede &#8211; Lous\u00e3 em 55 minutos<\/li><li>Pombal &#8211; Coimbra em 45 minutos, ou Pombal &#8211; Cantanhede em 1h10<\/li><li>Aveiro &#8211; Coimbra em 55 minutos ou Aveiro &#8211; Lous\u00e3 em 1h25<\/li><li>Santa Comba D\u00e3o &#8211; Coimbra em 50 minutos ou Santa Comba D\u00e3o &#8211; Figueira da Foz em 1h40<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"908\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/coimbra_regional-908x1024.jpg\" alt=\"Exemplo, a laranja, do que podia ser a malha regional ferrovi\u00e1ria de Coimbra\" class=\"wp-image-276\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/coimbra_regional-908x1024.jpg 908w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/coimbra_regional-266x300.jpg 266w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/coimbra_regional-768x866.jpg 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/coimbra_regional.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 908px) 100vw, 908px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No eixo Aveiro &#8211; Pombal \u00e9 ainda poss\u00edvel (recomend\u00e1vel, at\u00e9) que a CP venha a trocar as composi\u00e7\u00f5es actuais (limitadas a 120 km\/h) por composi\u00e7\u00f5es aptas a 160 km\/h, j\u00e1 que o actual refor\u00e7o da frota el\u00e9ctrica e de carruagens pode vir a permiti-lo, ganhando assim cerca cinco a dez minutos em cada tro\u00e7o. Estas composi\u00e7\u00f5es podem depois servir qualquer outro dos ramos da estrela de Coimbra, mesmo que a\u00ed sem ganhos adicionais face ao material hoje em dia utilizado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pergunta que as popula\u00e7\u00f5es locais devem fazer \u00e9 se aceitam os 100 milh\u00f5es de esmola por um transporte coxo como o Metrobus, ou se exigem os 100 a 150 milh\u00f5es necess\u00e1rios para estruturar os ramos de mobilidade em falta<\/strong> para que a sua regi\u00e3o consiga, por fim, reagir ao estado ab\u00falico em que dorme h\u00e1 d\u00e9cadas, motivando perda de competitividade e vendo passar o comboio da modernidade por outras paragens.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cidade que fundou a academia em Portugal, \u00e9 expect\u00e1vel que o pa\u00eds tome op\u00e7\u00f5es bem fundamentadas em vez de arranjos pol\u00edtico-imobili\u00e1rios injustificados. <strong>N\u00e3o \u00e9 tarde demais para reverter o descalabro de pol\u00edticas p\u00fablicas que a simples adop\u00e7\u00e3o do Metrobus significar\u00e1<\/strong>, com amplifica\u00e7\u00e3o por largas d\u00e9cadas e pondo fim, definitivo, a muito do potencial que existe na regi\u00e3o. E que se organize, com a dec\u00eancia e utilidade que se necessita, um servi\u00e7o de autocarros el\u00e9ctricos dentro da cidade de Coimbra, para rebater na din\u00e2mica rede ferrovi\u00e1ria a organizar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu bem sei que estamos j\u00e1 muito adiantados no processo, com procedimentos de contrata\u00e7\u00e3o inclusivamente em curso. Mas n\u00e3o actuar enquanto ainda \u00e9 tempo significar\u00e1 assinar por baixo desta solu\u00e7\u00e3o. Nem eventual tempo perdido deve servir de justifica\u00e7\u00e3o &#8211; mesmo cancelando procedimentos de contrata\u00e7\u00e3o em curso, <strong>n\u00e3o existe nenhum motivo para que repor o percurso Coimbra Parque &#8211; Serpins n\u00e3o se possa fazer inclusivamente mais cedo do que os prazos actualmente previstos para o Metrobus<\/strong>. Bastante mais cedo, at\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Enterre-se o Metrobus, enterre-se a m\u00e1 pol\u00edtica e enterre-se a p\u00e9ssima gest\u00e3o de infraestruturas deste pa\u00eds.<strong> Chega de tanto disparante.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O metro do Mondego \u00e9 um filho dos anos 1990, quando aos transportes se pediam f\u00f3rmulas para valorizar a promo\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, mais do que a transportar pessoas. 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