{"id":297,"date":"2020-08-12T18:33:07","date_gmt":"2020-08-12T17:33:07","guid":{"rendered":"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=297"},"modified":"2024-01-16T09:55:08","modified_gmt":"2024-01-16T08:55:08","slug":"resposta-de-henrique-neto-e-mario-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2020\/08\/12\/resposta-de-henrique-neto-e-mario-lopes\/","title":{"rendered":"Resposta de Henrique Neto e M\u00e1rio Lopes"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Este artigo vem na sequ\u00eancia do meu artigo <a href=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2020\/07\/07\/ainda-a-bitola-resposta-a-henrique-neto\/\">http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2020\/07\/07\/ainda-a-bitola-resposta-a-henrique-neto\/<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Cunha teve a amabilidade de responder ao texto que public\u00e1mos sobre a quest\u00e3o da ferrovia. Todavia, como est\u00e1 a acontecer com a maioria dos textos publicados, confunde-se o essencial com o acess\u00f3rio, aquilo que o autor imagina com aquilo que n\u00f3s escrevemos. Assim proponho uma nova metodologia: analisar a quest\u00e3o do ponto de vista dos utilizadores da ferrovia. A ferrovia, como qualquer outro meio de transporte ou actividade econ\u00f3mica, ou serve as necessidades dos clientes ou utilizadores, ou a sua exist\u00eancia n\u00e3o faz sentido. Neste contexto faz sentido clarificar porque \u00e9 que Portugal precisa, com urg\u00eancia, de uma linha ferrovi\u00e1ria em bitola UIC (bitola europeia) para o centro da Europa. A nossa resposta \u00e9 a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>1- Porque a Uni\u00e3o Europeia decidiu liberalizar o mercado ferrovi\u00e1rio na Europa e criou um programa de apoio financeiro para modernizar as redes ferrovi\u00e1rias e permitir a interoperabilidade dos comboios de todos os pa\u00edses nas linhas europeias. A Espanha aproveitou e iniciou um processo de renova\u00e7\u00e3o de parte do seu sistema ferrovi\u00e1rio com a prioridade inicial de passageiros (Madrid-Sevilha, Madrid-Barcelona e Madrid-Valencia) mudando depois a prioridade para mercadorias, nomeadamente nas liga\u00e7\u00f5es a Fran\u00e7a, destino das suas exporta\u00e7\u00f5es. A liga\u00e7\u00e3o em bitola UIC na Catalunha j\u00e1 funciona e dentro de dois anos funcionar\u00e1 a liga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do Pa\u00eds Basco. Portugal acordou na Cimeira da Figueira da Foz com esse programa e depois nada fez.<\/p>\n\n\n\n<p>2- Porque a Uni\u00e3o Europeia decidiu, por raz\u00f5es energ\u00e9ticas, ambientais e de congestionamento das estradas, contrariar o uso do transporte de mercadorias por cami\u00e3o, atrav\u00e9s de custos adicionais para o transporte rodovi\u00e1rio, como taxas de atravessamento e potenciar as energias renov\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o de electridade, usada na ferrovia.<\/p>\n\n\n\n<p>3- Sabendo que os governos portugueses se desinteressaram dos acordos da Figueira da Foz, a Espanha passou a privilegiar o aproveitamento do corredor Atl\u00e2ntico em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Galiza e a acelerar a constru\u00e7\u00e3o do corredor do Mediterr\u00e2neo em direc\u00e7\u00e3o ao seu porto de Algeciras, concorrente principal do nosso porto de Sines. Com inten\u00e7\u00e3o, ou por acaso, os espanh\u00f3is espreitaram a oportunidade para criar plataformas log\u00edsticas ao logo da fronteira portuguesa, preparadas para receber as exporta\u00e7\u00f5es portuguesas nos comboios da Medway em bitola ib\u00e9rica ou por cami\u00e3o. Raz\u00e3o para estarem a electrificar, depois de dezenas de anos, a linha de Salamanca a Vilar Formoso em bitola ib\u00e9rica. A necessidade de transbordos nessas plataformas log\u00edsticas sem acrescentar qualquer valor \u00e0s mercadorias ser\u00e1 uma barreira \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es portuguesas. A diferen\u00e7a de bitola entre ambos os lados n\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 uma barreira aos comboios portugueses mas, porventura pior, impedir\u00e1 os comboios europeus de chegarem a Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>4- Todas as fantasias de eixos vari\u00e1veis para resolver o problema da bitola no transporte de mercadorias de Portugal para a Europa, s\u00e3o isso mesmo, fantasias. Agrade\u00e7o a Jo\u00e3o Cunha que nos informe onde est\u00e3o a funcionar de forma competitiva &#8211; s\u00e3o tecnologias especiais, logo caras, limitam os pesos a transportar, logo transporte mais caro, etc. Repetimos, por favor, digam-nos onde h\u00e1, quanto custa e as vantagens\/ desvantagens desta solu\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m agradecemos que n\u00e3o repitam o chav\u00e3o da mudan\u00e7a de toda a nossa rede ferrovi\u00e1ria imediatamente (o processo n\u00e3o \u00e9 instant\u00e2neo) e parem de assustar as pessoas com o custo. Ningu\u00e9m no seu ju\u00edzo pretende mudar toda a nossa rede ferrovi\u00e1ria para bitola UIC de um dia para o outro e ainda que defendamos novas linhas Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid, que tamb\u00e9m servir\u00e3o para a ferrovia concorrer com o avi\u00e3o, a prioridade absoluta \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa de mercadorias, e neste contexto a Linha mais importante para Portugal \u00e9 Aveiro-Salamanca. Estas Linhas novas permitiriam n\u00e3o s\u00f3 liga\u00e7\u00f5es directas de Portugal \u00e0 Europa por serem em bitola UIC, mas tamb\u00e9m resolver outros problemas de falta de competitividade dos tra\u00e7ados da rede actual, em particular em termos dos raios das curvas em planta (que limitam a velocidade dos comboios de passageiros) e da inclina\u00e7\u00e3o das rampas (que limitam o peso da carga rebocada, elemento fundamental da competitividade do transporte de mercadorias). Al\u00e9m disso, ligando estas linhas a plataformas log\u00edsticas e esta\u00e7\u00f5es de agrega\u00e7\u00e3o de cargas, o problema dos 40 pontos de transbordo referido por Jo\u00e3o Cunha n\u00e3o existiria, porque as empresas exportadoras, na sua maioria, embarcariam as suas mercadorias em comboios para o centro da Europa nessas plataformas ou esta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isto, pensamos n\u00e3o ser preciso fazer um desenho para explicar o que acontece se as linhas aptas para tr\u00e1fego competitivo de mercadorias, ou seja, directas e sem obrigarem a transbordos, para a Europa continuarem a ser vetadas pelo Governo. Os empres\u00e1rios do sector exportador que o digam: (a) ficam dependentes das plataformas log\u00edsticas em Espanha, nossos concorrentes, nomeadamente nas expedi\u00e7\u00f5es just in time, como componentes autom\u00f3vel; (b) n\u00e3o aproveitaremos a descida dos pre\u00e7os derivados da liberaliza\u00e7\u00e3o do mercado ferrovi\u00e1rio, j\u00e1 que os comboios europeus n\u00e3o poder\u00e3o entrar em Portugal; (c) sendo a dist\u00e2ncia a percorrer pelas nossas mercadorias maior do que a dos nosso concorrentes, teremos os custos adicionais de armazenamento e transbordo; (d) como \u00e9 previs\u00edvel, que no futuro pr\u00f3ximo teremos cami\u00f5es transportados em plataformas ferrovi\u00e1rias, sistema j\u00e1 em uso em alguns pa\u00edses europeus, ficamos privados do mais moderno sistema de transporte de mercadorias que \u00e9 o da porta a porta, ou seja, custos e tempos m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Terminamos com uma incompreens\u00e3o e um apelo. A incompreens\u00e3o \u00e9 qual a raz\u00e3o porque queremos ser os mais modernos da Europa e do Mundo para produzir hidrog\u00e9nio verde e, ao mesmo tempo, pretendemos manter rel\u00edquias ferrovi\u00e1rias do s\u00e9culo XIX. O apelo \u00e9 que pensemos na ferrovia como instrumento para potenciar as exporta\u00e7\u00f5es portuguesas.<\/p>\n\n\n\n<p>31-07-2020<br>Henrique Neto e M\u00e1rio Lopes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo vem na sequ\u00eancia do meu artigo http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2020\/07\/07\/ainda-a-bitola-resposta-a-henrique-neto\/ Jo\u00e3o Cunha teve a amabilidade de responder ao texto que public\u00e1mos sobre a quest\u00e3o da ferrovia. Todavia, como est\u00e1 a acontecer com a maioria dos textos publicados, confunde-se o essencial com o acess\u00f3rio, aquilo que o autor imagina com aquilo que n\u00f3s escrevemos. 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