{"id":316,"date":"2022-06-17T17:28:35","date_gmt":"2022-06-17T16:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=316"},"modified":"2024-01-16T09:56:14","modified_gmt":"2024-01-16T08:56:14","slug":"plataformas-de-passageiros-indesculpaveis-minimos-olimpicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2022\/06\/17\/plataformas-de-passageiros-indesculpaveis-minimos-olimpicos\/","title":{"rendered":"Plataformas de passageiros &#8211; indesculp\u00e1veis m\u00ednimos ol\u00edmpicos"},"content":{"rendered":"\n<p>Apesar de tentar limitar a cr\u00edtica e ter alguma compreens\u00e3o, a verdade \u00e9 que o estado a que a Infraestruturas de Portugal chegou n\u00e3o deixa margem para d\u00favidas de que necessita de uma profund\u00edssima reforma. Manter o status quo ser\u00e1 condenar as refrescantes ambi\u00e7\u00f5es que o poder pol\u00edtico quer transmitir.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje falo de plataformas de passageiros &#8211; \u00e9 um misto de den\u00fancia e de desabafo. Nas renova\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos anos, a IP decidiu fazer t\u00e1bua rasa de todas as boas pr\u00e1ticas consolidadas em mat\u00e9ria de desenho e execu\u00e7\u00e3o de plataformas de passageiros, ignorando as normas vigentes e o bom senso, trocados por aleatoriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos a alguns exemplos e depois o contradit\u00f3rio. Na renova\u00e7\u00e3o da linha do Minho, a maioria das esta\u00e7\u00f5es e apeadeiros foram deixados com plataformas alteadas em apenas 70 a 100 metros, o comprimento suficiente para uma automotora de tr\u00eas caixas, apenas. Na linha do Minho sempre foram comuns circula\u00e7\u00f5es com duas automotoras (150 metros) e at\u00e9 comboios de carruagens muito refor\u00e7ados, nomeadamente por altura das festas da Senhora da Agonia, por vezes com mais de 10 carruagens (300 metros).<\/p>\n\n\n\n<p>Na linha da Beira Baixa, o tro\u00e7o Covilh\u00e3 &#8211; Guarda reabriu com plataformas de 80 metros. Por l\u00e1 passam diariamente automotoras de tr\u00eas caixas (tudo OK) e servi\u00e7os Intercidades cujo comprimento das composi\u00e7\u00f5es atinge, e por vezes excede, os 200 metros. Historicamente, no resto da linha, isto sempre foi usual.<\/p>\n\n\n\n<p>Na linha da Beira Alta, que est\u00e1 agora em renova\u00e7\u00e3o (segundo a propaganda da IP agora ecoada pela tutela, a maior renova\u00e7\u00e3o de sempre &#8211; obviamente mentira, seja qual for o crit\u00e9rio de an\u00e1lise), os apeadeiros ter\u00e3o uma plataforma de apenas 100 metros de extens\u00e3o &#8211; mais uma vez, aptos a apenas uma automotora de tr\u00eas caixas. Nesta linha, at\u00e9 ao seu encerramento tempor\u00e1rio, sempre foram habituais circula\u00e7\u00f5es com o dobro do comprimento. Nas esta\u00e7\u00f5es, o comprimento usual \u00e9 de 200 metros (7-8 carruagens, no m\u00e1ximo). Na renova\u00e7\u00e3o dos anos 90, as plataformas ent\u00e3o erguidas (agora a serem refeitas, nomeadamente para serem alteadas) eram muito maiores, significativamente maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do tema dos comprimentos, cuja inadequa\u00e7\u00e3o \u00e0 opera\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia e levanta quest\u00f5es de seguran\u00e7a num pa\u00eds que tem demasiados incidentes por queda de passageiros dos comboios, a IP foi tamb\u00e9m noticia nos \u00faltimos anos por altear plataformas para alturas desfasadas das normas (caso de Alc\u00e2ntara-Terra), normas que s\u00e3o a base para o fabrico dos pr\u00f3prios comboios e que por isso for\u00e7am o casamento harmonioso entre plataforma e comboio.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se v\u00ea nesta aleatoriedade n\u00e3o encontra paralelo na hist\u00f3ria dos caminhos de ferro portugueses &#8211; provavelmente, nem na inaugura\u00e7\u00e3o dos caminhos de ferro no s\u00e9culo XIX, se fizeram plataformas de apenas 70 metros. Al\u00e9m do mais, \u00e9 contrariado pelo regulamento da Uni\u00e3o Europeia n\u00ba 1299\/2014, que passa a papel e a obriga\u00e7\u00e3o as boas pr\u00e1ticas da mat\u00e9ria, tendo em vista a harmoniza\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o e de desenho de infraestrutura e comboios.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se l\u00ea no 4.2 das especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e funcionais do sistema, existem comprimentos de refer\u00eancia para as plataformas de passageiros:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"712\" height=\"762\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/plataformas_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-317\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/plataformas_1.jpg 712w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/plataformas_1-280x300.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A linha da Beira Alta \u00e9 uma linha que pertencer\u00e1, segundo esta filosofia, ao c\u00f3digo P3 ou P4. Mas mesmo que no limite pudesse estar em P1520 ou P1600 (j\u00e1 agora, perfis para bitola russa ou irlandesa), aplicar-se-ia o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"269\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/plataforma_2-1024x269.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-318\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/plataforma_2-1024x269.jpeg 1024w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/plataforma_2-300x79.jpeg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/plataforma_2-768x202.jpeg 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/06\/plataforma_2.jpeg 1187w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ora, em todos os casos das obras mencionadas circulavam, circulam e previsivelmente circular\u00e3o comboios que excedem claramente as plataformas de passageiros que est\u00e3o a ser executadas. O horizonte a dez anos \u00e9 ainda mais esquecido, quando o pr\u00f3prio justificativo para a obra, apresentado pela IP em momento pr\u00f3prio, sustenta que em todos os casos \u00e9 expect\u00e1vel um aumento do n\u00famero de passageiros. Ou seja, nunca as necessidades de tr\u00e1fego a dez anos s\u00e3o, expectavelmente, inferiores \u00e0s que existiam &#8211; que j\u00e1 obrigavam (n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de recomenda\u00e7\u00e3o, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o) \u00e0 disponibiliza\u00e7\u00e3o de plataformas substancialmente mais longas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este total alheamento da IP das suas obriga\u00e7\u00f5es enquanto projectista e gestora da rede s\u00e3o preocupantes at\u00e9 porque isto \u00e9 sabido de todos no meio &#8211; e aqui incluo a tutela. A IP comporta-se como se fosse um Estado fora do pr\u00f3prio Estado, com as regras que acha por bem implementar para si, muitas vezes at\u00e9 aleat\u00f3rias (como se v\u00ea nos 3 exemplos, nem sequer existe unanimidade nos tamanhos disponibilizados).<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 a ser implementado \u00e9 um grave risco de seguran\u00e7a no pressuposto de que a opera\u00e7\u00e3o (e bem, quanto a mim) n\u00e3o limitar\u00e1 excessivamente a oferta ou ent\u00e3o, alternativamente, ser\u00e1 uma insuport\u00e1vel limita\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta, condenada a oferecer meia d\u00fazia de lugares independentemente do hor\u00e1rio, da sazonalidade ou at\u00e9 do sucesso da renova\u00e7\u00e3o da infraestrutura &#8211; afinal de contas, \u00e9 a IP que diz que estas obras que faz v\u00e3o ter resultados fant\u00e1sticos na opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos um pa\u00eds com demasiados incidentes provocados por passageiros que saem para a linha sem plataforma junto ao comboio &#8211; estas renova\u00e7\u00f5es do Ferrovia 2020, suportadas com dinheiro europeu (far\u00e1 falta que a UE tamb\u00e9m comece a fiscalizar estes detalhes???), aprofundam problemas de seguran\u00e7a e constituem entraves adicionais \u00e0 competitividade do meio ferrovi\u00e1rio, sendo ao mesmo tempo um grave e inadmiss\u00edvel desrespeito pelos normativos em vigor, comportamento reiterado e repetido que em qualquer lugar do mundo permitiria concluir a quem de direito a necessidade de profunda reestrutura\u00e7\u00e3o de uma empresa t\u00e3o importante e com atitudes destas.<\/p>\n\n\n\n<p>A IP tal como est\u00e1 \u00e9 um passivo insuport\u00e1vel para a nossa rede e este \u00e9 apenas um epis\u00f3dio mais. Para quem n\u00e3o estiver convencido, convido-vos a ler a resposta (e o seu tom) que a IP deu \u00e0 entidade respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o do grave acidente de Soure de Julho de 2020, onde se pode atestar alguma m\u00e1 f\u00e9 e o mais completo menosprezo pelo sistema ferrovi\u00e1rio como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se nada mudar&#8230; bem podem prometer mundos e fundos. Ningu\u00e9m pode dizer que isto \u00e9 uma surpresa. A mim, sinceramente, come\u00e7a a faltar sequer vontade para alertar para o que devia ser mera higiene na gest\u00e3o do sistema. Se calhar o problema \u00e9 de pessoas como eu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de tentar limitar a cr\u00edtica e ter alguma compreens\u00e3o, a verdade \u00e9 que o estado a que a Infraestruturas de Portugal chegou n\u00e3o deixa margem para d\u00favidas de que necessita de uma profund\u00edssima reforma. 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