{"id":343,"date":"2022-10-02T11:09:04","date_gmt":"2022-10-02T10:09:04","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=343"},"modified":"2024-01-16T09:49:13","modified_gmt":"2024-01-16T08:49:13","slug":"o-reordenamento-ferroviario-do-alentejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2022\/10\/02\/o-reordenamento-ferroviario-do-alentejo\/","title":{"rendered":"O reordenamento ferrovi\u00e1rio do Alentejo"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando descemos abaixo do rio Tejo, a orografia suaviza e humaniza-se &#8211; a linha do horizonte flutua docemente \u00e0 medida da suave inclina\u00e7\u00e3o dos montes alentejanos, o amarelo do ch\u00e3o contrasta com o azul do c\u00e9u e o montado alentejano conserva os sabores de uma das melhores gastronomias do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que parece uma ode \u00e0 qualidade de vida esconde a dureza dos raios solares, da falta de sombras e da falta de \u00e1gua. As constru\u00e7\u00f5es de cal branca e a melanina na pele protegem quem se aventura pelas vastas plan\u00edcies. Plan\u00edcies t\u00e3o vastas que albergam um fen\u00f3meno populacional pouco t\u00edpico do pa\u00eds &#8211; as popula\u00e7\u00f5es concentram-se em aldeias, vilas e cidades bastante mais distantes entre si do que vemos acima do Tejo ou no Algarve &#8211; perfeitamente definidas, de fronteiras certas, com per\u00edmetros tipicamente circulares.<\/p>\n\n\n\n<p>A rede ferrovi\u00e1ria no Alentejo foi desenhada com dois grandes objectivos, num per\u00edodo em que os carros ainda n\u00e3o existiam e concess\u00f5es de dist\u00e2ncias eram poss\u00edveis. A grande linha para o Algarve passou primeiro por Beja, antes de ser feita a linha do Sado, via Gr\u00e2ndola, que encurtou decisivamente a dist\u00e2ncia para o antigo reino dos Algarves. A dist\u00e2ncia adicional via Beja n\u00e3o era um problema na altura, mas como nem tanto ao mar nem tanto \u00e0 terra, isso justificou a sua n\u00e3o passagem por \u00c9vora &#8211; era preciso seguir mais r\u00e1pido e mais directamente para Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois veio a necessidade de conectar com \u00c9vora e Estremoz, nascendo assim a linha de \u00c9vora. O outro grande objectivo da rede ferrovi\u00e1ria alentejana era conectar as maiores herdades agr\u00edcolas por caminho de ferro, assegurando facilidade e competitividade no escoamento dos produtos agr\u00edcolas do sempre prometido e adiado celeiro de Portugal. N\u00e3o havia problema de deixar \u00c9vora e Beja em eixos distintos, est\u00e1vamos no s\u00e9culo XIX e o carro ainda tardaria a aparecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Era importante chegar a Reguengos de Monsaraz, e da\u00ed atingir Zafra, mais tarde. Mais uma linha foi por isso criada, mas de Reguengos a Zafra apenas algumas constru\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias do lado espanhol chegaram a ver a luz do dia, sem nunca terem conhecido os carris. O ramal de Reguengos foi dos primeiros do pa\u00eds a adoptar um Regime de Explora\u00e7\u00e3o Simplificada (RES), a partir ainda dos anos 50. Ao mesmo tempo, id\u00eantica medida foi tomada no ramal de Mora, um ramal que sa\u00eda de \u00c9vora para Norte para conectar com Arraiolos, Mora e, num futuro nunca alcan\u00e7ado, Ponte de S\u00f4r. Mesmo antes da massifica\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel e dos cami\u00f5es, este ramal conheceu sucessivos encurtamentos de oferta e promessas de encerramento, o que cerceou rapidamente as ideias de expans\u00e3o e de fecho da malha para Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Era ainda preciso garantir a liga\u00e7\u00e3o \u00e0s minas de Aljustrel e assim nasceu o ramal de Aljustrel, saindo da esta\u00e7\u00e3o de Castro Verde (a 10 kms da vila&#8230;). A sua curta extens\u00e3o denuncia a oportunidade perdida de fazer passar a linha do Alentejo por ali, sem se criar mais um ramal terminal, mas os tempos e as prioridades eram outras. De Beja sa\u00eda tamb\u00e9m o ramal para Moura, que descia a Serpa antes de subir novamente, e com esta\u00e7\u00f5es localizadas bem no meio de herdades agr\u00edcolas perdidas nos montes alentejanos, que prometiam encher os silos de Beja e da\u00ed alimentarem o resto do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi j\u00e1 na d\u00e9cada de 40 que o fecho da malha se realizou a partir de Estremoz e at\u00e9 Portalegre, outra esta\u00e7\u00e3o a quase 10 quil\u00f3metros da cidade que serve. A\u00ed conectando com a linha Abrantes &#8211; Badajoz, a linha acabou por nunca ser r\u00e1pida o suficiente para servir a hipot\u00e9ticos tr\u00e1fegos \u00c9vora &#8211; Espanha, numa fase em que os autom\u00f3veis come\u00e7avam a aparecer e a concorr\u00eancia dos cami\u00f5es se concretizava.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta ainda destacar o ap\u00eandice de Montemor &#8211; assim se pode chamar ao ramal que sa\u00eda da Torre da Gadanha em direc\u00e7\u00e3o a Montemor-o-Novo, outra vila importante e que passou ao lado da linha de \u00c9vora por poucos quil\u00f3metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa regi\u00e3o sempre t\u00e3o vazia de popula\u00e7\u00e3o e t\u00e3o deprimida economicamente, a dispers\u00e3o do servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio por uma mir\u00edade de ramais haveria de condenar inevitalmente a sua maioria. Para o servi\u00e7o de muitas das povoa\u00e7\u00f5es, a alternativa rodovi\u00e1ria seria mais racional (at\u00e9 ambientalmente), sobretudo porque a disposi\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria implantada obrigava a multiplicar meios para chegar aos v\u00e1rios munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estamos num momento decisivo para o futuro ferrovi\u00e1rio da regi\u00e3o, importa perguntar: como podemos e devemos evoluir a ferrovia alentejana para corrigir alguns erros do passado e mitigar o efeito da perda de popula\u00e7\u00e3o, que continua, e que pode alimentar um ciclo vicioso de desinvestimento de uma futura oferta ferrovi\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Duas prioridades &#8211; Espanha e Algarve<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"540\" height=\"344\" src=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa_ferrov.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa_ferrov.jpg 540w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa_ferrov-300x191.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><figcaption>O Alentejo, apesar da baixa densidade, \u00e9 servido por dois eixos distintos. A pequena escala \u00e9 assim ainda mais dispersa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sobram tr\u00eas eixos ferrovi\u00e1rios no Alentejo. O principal, sai de Lisboa em direc\u00e7\u00e3o a \u00c9vora, aguardando conclus\u00e3o at\u00e9 final de 2023 da linha que continua para Badajoz, com perfil de alta velocidade. Esta \u00e9 e ser\u00e1 a linha onde maior escala e procura pode estruturar o servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio de todo o Alentejo &#8211; o eixo que justificar\u00e1 o investimento em meios operacionais, em campanhas de comunica\u00e7\u00e3o, na contrata\u00e7\u00e3o de pessoas, e por a\u00ed adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois restantes eixos s\u00e3o um problema a resolver: o eixo Casa Branca &#8211; Beja come\u00e7a numa esta\u00e7\u00e3o sem qualquer utilidade que n\u00e3o seja a do transbordo, e n\u00e3o tem continuidade para Sul. O mesmo \u00e9 dizer que o servi\u00e7o a Beja, com a actual linha, n\u00e3o tem outra justifica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o a pr\u00f3pria cidade de Beja. Como abordei anteriormente, a escala existente compromete a exist\u00eancia e investimento num servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio frequente &#8211; <a href=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2017\/05\/11\/ligacoes-ferroviarias-a-beja\/\">Liga\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias a Beja \u2013 Planeamento e Opera\u00e7\u00f5es (portugalferroviario.net)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro eixo \u00e9 a linha Abrantes &#8211; Badajoz, de grande import\u00e2ncia para o tr\u00e1fego de mercadorias mas que passa ao lado de Portalegre, capital de distrito cuja esta\u00e7\u00e3o est\u00e1 a cerca de 10 quil\u00f3metros do centro. Tal como Beja &#8211; ali\u00e1s, mais criticamente do que Beja &#8211; a sua exist\u00eancia num eixo singular compromete a oferta ferrovi\u00e1ria competitiva, assistindo-se a oferta vari\u00e1vel de h\u00e1 40 anos a esta parte, mas sempre em patamar de baixa oferta e de baixa procura.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se pode assim dar coes\u00e3o aos tr\u00eas eixos alentejanos, cruzando o eixo Lisboa &#8211; Espanha e Lisboa &#8211; Algarve em benef\u00edcio do aumento de escala \u00e0 passagem pelo Alentejo?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A moderniza\u00e7\u00e3o da linha para Beja e da linha do Sul<\/h2>\n\n\n\n<p>No PNI 2030 est\u00e1 prevista a moderniza\u00e7\u00e3o e electrifica\u00e7\u00e3o da linha para Beja e a resolu\u00e7\u00e3o do gargalo que existe na linha do Sul, que actualmente compromete a proposta de tempos competitivos no acesso ao Algarve.<\/p>\n\n\n\n<p>Como explicado no artigo j\u00e1 citado anteriormente, Beja n\u00e3o deve ficar num eixo isolado &#8211; a dispers\u00e3o de meios de que necessitar\u00e1 comprometer\u00e1 sempre a disponibiliza\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio atractivo, dada a fraca popula\u00e7\u00e3o existente entre Casa Branca e Beja, a que se soma uma mobilidade especialmente baixa das suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o desenho da nova linha do Sul em estudo pela Infraestruturas de Portugal <strong>aponta como a possibilidade mais aliciante um novo tra\u00e7ado entre Torre V\u00e3 e Faro, passando por Castro Verde<\/strong> (um dos concelhos mais ricos do pa\u00eds) e Loul\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>A oportunidade est\u00e1 em cima da mesa &#8211; basta agora juntar as pe\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"887\" height=\"570\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/10\/nova-linha-do-sul.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-344\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/10\/nova-linha-do-sul.jpg 887w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/10\/nova-linha-do-sul-300x193.jpg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/10\/nova-linha-do-sul-768x494.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 887px) 100vw, 887px\" \/><figcaption>A vermelho, a proposta mais ambiciosa da IP para resolver a falta de competitividade no acesso ferrovi\u00e1rio ao Algarve<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Estando a linha Lisboa &#8211; \u00c9vora pronta (ou em vias disso) para a pr\u00e1tica de velocidades de 200 km\/h em toda a sua extens\u00e3o (faltar\u00e1 &#8211; sempre? &#8211; a terceira travessia do Tejo), aceder a Beja passando por \u00c9vora n\u00e3o \u00e9 um desvio relevante para os tempos de viagem a praticar. Em vez de renovar e electrificar a linha do Alentejo entre Casa Branca e Beja, deve ser feita uma nova liga\u00e7\u00e3o saindo de \u00c9vora em direc\u00e7\u00e3o a Viana do Alentejo e a\u00ed retomando a linha do Alentejo at\u00e9 Beja, tudo com tra\u00e7ado geometricamente favor\u00e1vel \u00e0 pr\u00e1tica de velocidades de 200 km\/h. <strong>Beja pode ficar a 1h45 de Lisboa neste cen\u00e1rio, ou a 1h15 em caso de constru\u00e7\u00e3o da Terceira Travessia do Tejo<\/strong> &#8211; imbat\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a passagem por \u00c9vora permite a integra\u00e7\u00e3o num eixo de maior procura e que por isso favorece a proposta de mais servi\u00e7os ferrovi\u00e1rios, a recupera\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o do itiner\u00e1rio que de Beja continua para Sul deve interceptar e pressionar para a adop\u00e7\u00e3o do novo tra\u00e7ado da linha do Sul entre Torre V\u00e3, Castro Verde e Faro. De facto, esse novo tra\u00e7ado deve ser justificado por ser o que mais encurta a liga\u00e7\u00e3o de Lisboa ao Algarve, mas tamb\u00e9m por propiciar a liga\u00e7\u00e3o a partir de \u00c9vora e de Beja para Sul, aumentando a escala do servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio \u00e0 passagem por Beja mas tamb\u00e9m a utilizar o tro\u00e7o final da linha do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, n\u00e3o nos esque\u00e7amos, esta aposta beneficia tamb\u00e9m com a conclus\u00e3o da linha \u00c9vora &#8211; Espanha, como abordado neste outro artigo: <a href=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2017\/10\/31\/desenvolvimento-ferroviario-no-sul-do-pais\/\">Desenvolvimento ferrovi\u00e1rio no sul do pa\u00eds \u2013 Planeamento e Opera\u00e7\u00f5es (portugalferroviario.net)<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"903\" height=\"786\" src=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/DNc9VN7XUAIw7j0.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-76\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/DNc9VN7XUAIw7j0.jpg 903w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/DNc9VN7XUAIw7j0-300x261.jpg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/10\/DNc9VN7XUAIw7j0-768x668.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 903px) 100vw, 903px\" \/><figcaption>Em fase adiantada de constru\u00e7\u00e3o, a nova linha \u00c9vora &#8211; Caia abre as portas a um servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio r\u00e1pido para Elvas e Portalegre, e abre todo o Baixo Alentejo e Algarve \u00e0 Extremadura e a Madrid, caso haja continuidade de \u00c9vora e Beja para Sul.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Com uma linha \u00c9vora &#8211; Beja competitiva e uma nova liga\u00e7\u00e3o a Faro a sair de Castro Verde, aumentar\u00e1 o fluxo directo Lisboa &#8211; Algarve, ser\u00e1 poss\u00edvel tamb\u00e9m propor comboios Lisboa &#8211; Algarve via \u00c9vora e Beja com frequ\u00eancia elevada durante o dia e, ainda, o de propor liga\u00e7\u00f5es ultra competitivas para aceder de Madrid e Extremadura ao Algarve, que fica mais pr\u00f3ximo de Madrid com esta solu\u00e7\u00e3o do que a costa andaluza!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o esquecendo, como tamb\u00e9m j\u00e1 mencionei numa outra s\u00e9rie de artigos, que este desenho de malha permite tamb\u00e9m resolver problemas existentes e previs\u00edveis de capacidade em todo o sistema ferrovi\u00e1rio da regi\u00e3o Sul, com liga\u00e7\u00e3o a Sines: <a href=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2018\/07\/20\/sistema-ferroviario-sul-alentejo-sines-problemas-de-capacidade-a-vista\/\">Sistema ferrovi\u00e1rio Sul \/ Alentejo \/ Sines \u2013 problemas de capacidade \u00e0 vista \u2013 Planeamento e Opera\u00e7\u00f5es (portugalferroviario.net)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O eixo Espanha &#8211; \u00c9vora &#8211; Beja &#8211; Algarve pode ainda justificar a altera\u00e7\u00e3o do tra\u00e7ado da linha do Leste para incluir verdadeiramente Portalegre na rede ferrovi\u00e1ria nacional, como defendido aqui: <a href=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2017\/05\/16\/portalegre-um-problema-facil-de-resolver\/\">Portalegre, um problema f\u00e1cil de resolver \u2013 Planeamento e Opera\u00e7\u00f5es (portugalferroviario.net)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Portalegre pode ficar a cerca de 2h20 de Lisboa, ou 1h50 quando houver Terceira Travessia do Tejo. Pode ainda ficar a 1h20 de Beja ou a 2h20 de Faro<\/strong>, uma proximidade temporal que encurta dist\u00e2ncias em todo o Alentejo, tornando-o mais pr\u00f3ximo, menos \u00e1rido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ambicionar \u00e9 evitar o desperd\u00edcio<\/h2>\n\n\n\n<p>A Sul do Tejo, a pol\u00edtica ferrovi\u00e1ria mais eficiente que mais combate o desperd\u00edcio de dinheiros p\u00fablicos \u00e9 ter uma vis\u00e3o integrada ambiciosa, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cl\u00e1ssica vis\u00e3o de tratar os eixos ferrovi\u00e1rios como originalmente concebidos, entregues a renova\u00e7\u00f5es parcelares, independentes, e que arriscam a deixar o Alentejo com os mesmos problemas de falta de escala e de procura que comprometer\u00e3o um melhor servi\u00e7o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es e, com isso, a pr\u00f3pria viabilidade dos investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Alentejo ferrovi\u00e1rio \u00e9 o caso cl\u00e1ssico em que a soma de pequenos investimentos ser\u00e1 muito mais cara e muito menos vi\u00e1vel do que a integra\u00e7\u00e3o de menos mas maiores investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o podemos ver a linha do Leste no tra\u00e7ado original e electrificada como est\u00e1. N\u00e3o podemos ver a liga\u00e7\u00e3o a Beja como um ap\u00eandice isolado da linha de \u00c9vora. N\u00e3o podemos ver a renova\u00e7\u00e3o da linha do Sul para o Algarve como um eixo s\u00f3 para a liga\u00e7\u00e3o a Lisboa. N\u00e3o podemos pensar na linha em constru\u00e7\u00e3o de \u00c9vora ao Caia como uma linha para servir apenas Sines e Lisboa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a correc\u00e7\u00e3o do tra\u00e7ado da linha do Sul passar por Castro Verde, Lisboa &#8211; Algarve ser\u00e1 muito mais competitivo do que com as outras op\u00e7\u00f5es em disputa. E ao mesmo tempo, o Algarve ficar\u00e1 mais competitivo para as regi\u00f5es de Madrid e da Extremadura do que a costa andaluza. Se Beja for servida por uma pequena nova linha e moderniza\u00e7\u00e3o da restante dist\u00e2ncia, fica integrada num eixo Lisboa &#8211; \u00c9vora &#8211; Beja &#8211; Algarve e num eixo Madrid &#8211; Badajoz &#8211; Algarve. Mesmo com pouca popula\u00e7\u00e3o, esta integra\u00e7\u00e3o em eixos maiores justificar\u00e1, sem desperd\u00edcio de meios, uma oferta mais frequente, mais r\u00e1pida e mais atractiva &#8211; que no limite gera o ciclo virtuoso do aumento da atractividade da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ver todas estas hip\u00f3teses integradas e seleccionar os projectos em fun\u00e7\u00e3o disso quebra um ciclo vicioso e gera um ciclo virtuoso.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para 2030 \u00e9 assim importante evitar a moderniza\u00e7\u00e3o da linha do Alentejo tal como est\u00e1 e \u00e9 importante evitar corrigir a viagem para o Algarve em cima do actual tra\u00e7ado da linha do Sul.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Proposta de interven\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Torre V\u00e3 &#8211; Castro Verde &#8211; Loul\u00e9 &#8211; Faro: 600M\u20ac (estimativa da IP + 20%)<\/li><li>\u00c9vora &#8211; Viana do Alentejo &#8211; nova linha para 200 km\/h: 120-150M\u20ac<\/li><li>Viana do Alentejo &#8211; Beja &#8211; Castro Verde &#8211; electrifica\u00e7\u00e3o, sinaliza\u00e7\u00e3o e correc\u00e7\u00e3o de tra\u00e7ado para 200 km\/h: 200M\u20ac<\/li><li>Correc\u00e7\u00e3o da linha do Leste Crato &#8211; Portalegre &#8211; Assumar + electrifica\u00e7\u00e3o e sinaliza\u00e7\u00e3o: 120M\u20ac<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Basicamente 90% dos problemas ferrovi\u00e1rios de todo o Alentejo e Algarve seriam resolvidos por cerca de 1.050 milh\u00f5es de Euros<\/strong>, dos quais 50% facilmente financi\u00e1veis pela Uni\u00e3o Europeia no quadro 2030, ficando para o Or\u00e7amento do Estado um raqu\u00edtico esfor\u00e7o inferior a 70M\u20ac\/ano at\u00e9 2030.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"733\" height=\"637\" src=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa_geral.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa_geral.jpg 733w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa_geral-300x261.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 733px) 100vw, 733px\" \/><figcaption>Tra\u00e7ado proposto para a linha \u00c9vora &#8211; Viana do Alentejo, onde se reencontraria com a linha do Alentejo, paralelo quase sempre \u00e0 EN 254<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Isto compara com um esfor\u00e7o de cerca de 400M\u20ac para renovar a linha do Sul mais ou menos pelo mesmo canal, ganhando 30 minutos na liga\u00e7\u00e3o Lisboa &#8211; Faro em vez de 40, a que se acrescem 150M\u20ac para renovar a linha Casa Branca &#8211; Beja, com concord\u00e2ncia em Casa Branca, que deixar\u00e1 Beja isolada num ramal terminal, com os problemas de oferta futura que se conhecem. Este investimento para Beja \u00e9 invi\u00e1vel, social e economicamente. <strong>As interven\u00e7\u00f5es parcelares em cima da mesa custam 50% da vis\u00e3o integrada, mas n\u00e3o resolvem sequer 30% dos problemas existentes a Sul do Tejo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"280\" src=\"http:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa.jpg 320w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/05\/mapa-300x263.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><figcaption>A vermelho, proposta de Jo\u00e3o Cardoso para novo tra\u00e7ado da linha do Leste, para incluir Portalegre.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Fazendo o salto de 550 para 1.050 milh\u00f5es de Euros, inclui-se tamb\u00e9m Portalegre em modos devidos na rede ferrovi\u00e1ria e a procura potencial dos eixos intervencionados mais do que duplica face ao cen\u00e1rio inicial &#8211; torna-se mais barato ser mais ambicioso e garante-se um n\u00edvel de servi\u00e7o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es que uma vis\u00e3o n\u00e3o integrada de eixos segregados n\u00e3o garante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta \u00e9 a \u00faltima oportunidade de pensarmos a ferrovia no Alentejo adaptada \u00e0s condicionantes sociais e territoriais a Sul do Tejo.<\/strong> Qualquer euro que seja colocado numa vis\u00e3o segregada dos distintos eixos deixar\u00e1 enormes oportunidades por agarrar &#8211; como a de colocar o Alentejo e o Algarve no centro da pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos na \u00faltima chamada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando descemos abaixo do rio Tejo, a orografia suaviza e humaniza-se &#8211; a linha do horizonte flutua docemente \u00e0 medida da suave inclina\u00e7\u00e3o dos montes alentejanos, o amarelo do ch\u00e3o contrasta com o azul do c\u00e9u e o montado alentejano conserva os sabores de uma das melhores gastronomias do mundo. 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