{"id":375,"date":"2022-11-23T10:30:09","date_gmt":"2022-11-23T09:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=375"},"modified":"2024-01-16T09:45:09","modified_gmt":"2024-01-16T08:45:09","slug":"nao-a-culpa-nao-e-de-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2022\/11\/23\/nao-a-culpa-nao-e-de-espanha\/","title":{"rendered":"N\u00e3o, a culpa n\u00e3o \u00e9 de Espanha"},"content":{"rendered":"\n<p>Motivado por uma conversa no Twitter e pelas not\u00edcias de desilus\u00e3o depois da \u00faltima cimeira luso-espanhola em Viana do Castelo, abordo o tema das conex\u00f5es ferrovi\u00e1rias com Espanha &#8211; o que se pode fazer de imediato e o que realmente precisa de colabora\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mais uma cimeira, mais uma desilus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vou elogiar cimeiras com palavras ocas, mas uma marca do decl\u00ednio portugu\u00eas \u00e9 que j\u00e1 nem aspiramos a fazer das cimeiras luso-espanholas momentos de ilus\u00e3o de um futuro melhor.<strong> Longe v\u00e3o os tempos em que at\u00e9 o centro-direita ia para as cimeiras multiplicar conex\u00f5es com o pa\u00eds vizinho<\/strong> (ol\u00e1, Figueira da Foz). <strong>Agora somos um pa\u00eds resignado<\/strong>, uma diplomacia pastosa, <strong>que aceita que o governo de Espanha n\u00e3o leve sequer a sua ministra dos transportes a Viana do Castelo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O que resultou da Cimeira? Nada, niente, zero.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das fogosas posi\u00e7\u00f5es portuguesas dos \u00faltimos tempos &#8211; \u00e0s vezes sujeitando-nos a uma certa humilha\u00e7\u00e3o ib\u00e9rica, mas j\u00e1 l\u00e1 vou &#8211; de Viana do Castelo saiu pouco mais do que a prova das bolas de Berlim do Nat\u00e1rio, efectivamente mais doces do que qualquer pol\u00edtica ferrovi\u00e1ria transfronteiri\u00e7a. Nem o m\u00ednimo dos m\u00ednimos ol\u00edmpicos &#8211; que seria a reactiva\u00e7\u00e3o de uma liga\u00e7\u00e3o internacional entre as duas capitais &#8211; saiu minimamente do papel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se Espanha pouco interesse tem em Portugal, Portugal pouco arrojo tem para viver o mundo de hoje<\/strong> &#8211; onde j\u00e1 n\u00e3o depende assim tanto do operador hist\u00f3rico do outro lado da fronteira. Talvez n\u00e3o tenhamos um governo pronto a explorar as oportunidade que um mercado aberto abriu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os embara\u00e7os ib\u00e9ricos<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica tem, em simult\u00e2neo, um dos operadores hist\u00f3ricos mais ricos da Europa (a Renfe) e um dos mais pobres (a CP)<\/strong>. A Renfe j\u00e1 foi alivada da d\u00edvida h\u00e1 uns anos valentes, tem um contrato de servi\u00e7o p\u00fablico avantajado (que nem sequer precisa de cumprir, aparentemente), e compra material como quem vai \u00e0 mercearia comprar um par de ma\u00e7\u00e3s para a sobremesa. A CP \u00e9 o que sabemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, parece-me que a CP tem muito mais capacidade de engenharia e arrojo nas solu\u00e7\u00f5es, embora tenha um cr\u00f3nico problema operacional, muito mais vis\u00edvel agora que n\u00e3o \u00e9 material que tem em falta. Do outro lado da fronteira, a Renfe apesar de ter condi\u00e7\u00f5es \u00fanicas tem tamb\u00e9m uma mentalidade de nova burguesia que a puxa a fazer o menos poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-379\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-1.jpg 1224w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O pouco que se tem feito em Portugal nas infraestruturas \u00e9 a reabertura ou renova\u00e7\u00e3o de linhas para 80 km\/h. Na foto, Covilh\u00e3 &#8211; Guarda.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nas infraestruturas a diferen\u00e7a n\u00e3o podia ser maior. <strong>Come\u00e7a por Espanha estar h\u00e1 36 anos a alocar uma m\u00e9dia de 0,5% do PIB anual a investimentos em linhas ferrovi\u00e1rias<\/strong> e um plano ferrovi\u00e1rio nacional que n\u00e3o \u00e9 letra morta. Com alguns excessos, uns voluntarismos desnecess\u00e1rios (\u00e0s vezes avan\u00e7am t\u00e3o r\u00e1pido para obra, que nem fizeram todas as sondagens geol\u00f3gicas necess\u00e1rias), Espanha tem hoje uma rede de alta velocidade \u00edmpar na Europa e uma rede convencional que, com defeitos evidentes, ficou muito mais dispon\u00edvel para tr\u00e1fegos lentos. <strong>A ADIF ser\u00e1, no quadro europeu, dos gestores de infraestruturas mais competentes<\/strong> &#8211; no dom\u00ednio da engenharia mas tamb\u00e9m no econ\u00f3mico, onde criou um quadro de previsibilidade para poss\u00edveis novos operadores que j\u00e1 est\u00e1 a devolver resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, continuamos \u00e0 espera de uma mudan\u00e7a de mentalidades. Continuamos a privilegiar interven\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o (a que chamamos renova\u00e7\u00f5es) a executar novos tra\u00e7ados e a corrigir d\u00e9fices hist\u00f3ricos, enquanto <strong>mantemos o que ser\u00e1 um dos mais incompetentes gestores de infra-estrutura da Europa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo pol\u00edtico, <strong>o actual governo espanhol ser\u00e1 talvez o mais anti-ferrovia de sempre<\/strong> &#8211; ou pelo menos desde que o PSOE lan\u00e7ou a alta velocidade, nos anos 80. Mais virado para a mercearia eleitoral interna, \u00e9 um governo que fecha linhas potencialmente estruturantes, tapa os olhos a servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o repostos pela Renfe ap\u00f3s Covid-19 ou ainda que subsidia autocarros de longo curso. <strong>N\u00e3o \u00e9 de espantar que seja a cobertura ideal para uma Renfe que decapitou os comboios internacionais \u00e0 primeira oportunidade<\/strong>, apressando-se at\u00e9 a sucatear os comboios que permitiriam a imediata retoma dos mesmos, ap\u00f3s a crise sanit\u00e1ria. \u00c9 dos governos europeus mais danosos neste aspecto, com pol\u00edticas profundamente regressivas neste dom\u00ednio, apesar da patine de moderno ambientalismo que passeia pela Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 menos embara\u00e7osa, mas noutro sentido. <strong>As declara\u00e7\u00f5es do ministro sobre o que Espanha n\u00e3o faz j\u00e1 se tornaram uma caricatura muitas vezes citada do outro lado da fronteira<\/strong>. &#8220;Apressem-se a chegar \u00e0 fronteira&#8221;, &#8220;\u00e9 melhor que Espanha fa\u00e7a o seu trabalho de casa para chegar a Valen\u00e7a&#8221;, entre outras p\u00e9rolas, j\u00e1 s\u00e3o cita\u00e7\u00e3o habitual nas conversas de twitter entre os entendidos do sector. Como \u00e9 \u00f3bvio, se h\u00e1 algu\u00e9m atrasado no comboio das infraestruturas, n\u00e3o \u00e9 Espanha, mas \u00e9 naturalmente mais f\u00e1cil falar do vizinho do que dos problemas para resolver em casa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde Portugal pode ser aut\u00f3nomo<\/h2>\n\n\n\n<p>Temos de entender que h\u00e1 duas dimens\u00f5es fundamentais no problema &#8211; a infraestrutura e a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ando pela opera\u00e7\u00e3o, <strong>o mercado para as viagens de longo curso est\u00e1 totalmente liberalizado<\/strong> &#8211; isto \u00e9, qualquer operador pode entrar em qualquer rota, apenas condicionado a uma verifica\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio financeiro de eventuais concess\u00f5es de servi\u00e7o p\u00fablico que possam ser canibalizadas pela nova oferta. Ou seja, um tema que n\u00e3o intercepta a eventual opera\u00e7\u00e3o de comboios nocturnos entre Lisboa, Madrid e Hendaye, para falar apenas das rela\u00e7\u00f5es que existiam antes da Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 p\u00fablico que a opera\u00e7\u00e3o do Sud Express at\u00e9 Fran\u00e7a tinha um d\u00e9fice anual de cerca de 2M\u20ac. Isto \u00e9, ap\u00f3s pagar todos os custos, durante todo o ano, perdia 2M\u20ac. N\u00e3o \u00e9 espantoso como cen\u00e1rio de subsidia\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 nenhum drama. Este custo j\u00e1 inclu\u00eda toda a opera\u00e7\u00e3o da Renfe, dado que no Sud Express n\u00e3o havia partilha de custos &#8211; era tudo CP. <strong>O que impede a CP de repor o Sud Express em moldes an\u00e1logos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-380\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-300x200.jpg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-768x512.jpg 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i.jpg 1224w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mesmo construindo um tro\u00e7o muito mais simples, \u00c9vora &#8211; Caia, Portugal vai chegar \u00e0 fronteira quase tr\u00eas anos depois de Espanha inaugurar a LAV Plasencia &#8211; Badajoz. Os acordos existiam h\u00e1 duas d\u00e9cadas j\u00e1.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na realidade, no curto prazo, impede-a a inexist\u00eancia de material pronto para servi\u00e7o &#8211; os comboios Talgo foram apressadamente abatidos pela Renfe, estando hoje encostados em mau estado em v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es espanholas. A sua eventual recupera\u00e7\u00e3o duraria alguns meses. <strong>Em Portugal a CP tem algum material que pode adaptar<\/strong> &#8211; as couchettes que comprou \u00e0 Renfe em 2020, algumas carruagens de assentos reclin\u00e1veis adquiridas na mesma altura, e tem 50 ou 60 carruagens de fabrico Sorefame, n\u00e3o renovadas, que podem basicamente ser adaptadas a qualquer tipo de interiorismo. <strong>6 a 12 meses podiam ser suficientes para relan\u00e7ar o servi\u00e7o<\/strong> e logo em moldes altamente dignos. Faltar\u00e1 capacidade nas oficinas da CP, mas a\u00ed \u00e9 uma quest\u00e3o de pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quanto \u00e0 trac\u00e7\u00e3o, a CP pode alugar a opera\u00e7\u00e3o em Espanha a v\u00e1rias empresas<\/strong>, \u00e0 falta de ela pr\u00f3pria se registar e constituir como operadora em Espanha (o que pode fazer). Renfe, Alsa e Captrain s\u00e3o tr\u00eas empresas autorizadas ao transporte de passageiros em Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nas infraestruturas o cen\u00e1rio \u00e9 muito mais favor\u00e1vel<\/strong> &#8211; \u00e9 isso que motiva um certo gozo que o queixume nacional despoleta em Espanha. Vamos de baixo para cima.<\/p>\n\n\n\n<p>De Badajoz a Madrid, com uma nova linha de alta velocidade at\u00e9 Plasencia, o tempo est\u00e1 em 4h28. Com a electrifica\u00e7\u00e3o prevista para 2023, baixar\u00e1 j\u00e1 para 4h. De Badajoz a Lisboa, ap\u00f3s inaugura\u00e7\u00e3o da linha \u00c9vora &#8211; Caia (que n\u00e3o ser\u00e1 antes de 2024&#8230;), ser\u00e3o 2h10 ou 2h15. D<strong>o lado Espanhol, est\u00e1 em fase avan\u00e7ada de estudo a continua\u00e7\u00e3o da LAV de Plasencia para Toledo, para que Madrid &#8211; Badajoz se efectue num tempo que rondar\u00e1 algo entre as 2h30 e as 3h, at\u00e9 2030. Do lado nacional? Nada est\u00e1 previsto<\/strong>, s\u00f3 a Terceira Travessia do Tejo (que serve muito mais do que Lisboa &#8211; Madrid) tiraria entre 30 a 35 minutos do tempo de viagem, mas \u00e9 tabu nacional. Estamos dependentes de Espanha para fazer melhor figura?<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da fronteira de Vilar Formoso \u00e9 muito distinto, mas tamb\u00e9m deixo alguns dados:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Salamanca &#8211; Vilar Formoso est\u00e1 quase toda apta a velocidades entre 140 e 155 km\/h, com um curto tro\u00e7o onde a rampa m\u00e1xima \u00e9 de 18 por mil;<\/li>\n\n\n\n<li>Pampilhosa &#8211; Vilar Formoso tem como velocidade t\u00edpica os 100 km\/h, com um curto tro\u00e7o a 160 e alguns tro\u00e7os abaixo dos 100, inclusivamente. A rampa m\u00e1xima \u00e9 de 19 por mil, e repete-se em longos tro\u00e7os, penalizando a carga por comboio.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Tudo bem que Espanha est\u00e1 catastroficamente atrasada na electrifica\u00e7\u00e3o do itiner\u00e1rio espanhol, mas actualmente o maior problema \u00e9 do lado espanhol ou do lado portugu\u00eas?<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, <strong>quando o governo portugu\u00eas diz colocar como depend\u00eancia da LAV Porto &#8211; Braga &#8211; Valen\u00e7a a resolu\u00e7\u00e3o espanhola sobre o curto tro\u00e7o Vigo &#8211; Valen\u00e7a, est\u00e1 no fundo a encontrar uma desculpa para o que \u00e9 evidente &#8211; que nada estar\u00e1 pronto em 2030<\/strong>. De Valen\u00e7a a Vigo, no pior dos casos, existe j\u00e1 uma linha convencional electrificada, com 20 a 25 minutos de trajecto a fazer, 10 ou 15 mais do que com LAV. De Vigo para cima j\u00e1 \u00e9 tudo alta velocidade e Espanha j\u00e1 est\u00e1 a avan\u00e7ar no bypass que permitir\u00e1 a comboios de Portugal seguirem directamente \u00e0 Corunha. A s\u00e9rio que isto \u00e9 uma depend\u00eancia real? Parece pouco s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Falando-se agora tamb\u00e9m da estrutura\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Tr\u00e1s-os-Montes (mas sem calend\u00e1rios), de que depende Portugal para fazer chegar uma linha at\u00e9 Sanabria ou Zamora, onde Espanha j\u00e1 gastou milhares de milh\u00f5es numa das linhas de alta velocidade mais modernas e complicadas de construir de toda a Europa?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/20170706215930-a8c710ed-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-381\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/20170706215930-a8c710ed-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/20170706215930-a8c710ed-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/20170706215930-a8c710ed-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/20170706215930-a8c710ed-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os comboios da Renfe da s\u00e9rie 130 ou 730, bitens\u00e3o, bibitola e at\u00e9 h\u00edbridos (os 730) poderiam j\u00e1 estar a vir a Portugal e a conectar com alta velocidade em Espanha. Mas o nosso CONVEL est\u00e1 obsoleto e n\u00e3o pode ser instalado j\u00e1.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por fim, Portugal \u00e9 aut\u00f3nomo para resolver o maior problema de interoperabilidade. <strong>Neste momento Portugal \u00e9 uma ilha ferrovi\u00e1ria n\u00e3o porque tenha uma bitola diferente, mas porque o seu sistema de protec\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00f5es (o Convel) est\u00e1 obsoleto e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de ser instalado em qualquer nova s\u00e9rie de comboios<\/strong> que nunca tenha tido este tipo de instala\u00e7\u00e3o. Ou seja, at\u00e9 podem existir comboios bitens\u00e3o, h\u00edbridos e o diabo a 4 em Espanha, que n<strong>\u00e3o podem vir a Portugal porque o nosso sistema de seguran\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para novas s\u00e9ries<\/strong>. Portugal n\u00e3o apenas \u00e9 aut\u00f3nomo como teria a obriga\u00e7\u00e3o de, via gestor de infraestruturas, resolver este problema adoptando equipamentos embarcados com o standard europeu (ETCS) e certificando um m\u00f3dulo de compatibilidade (dito STM) para traduzir os sinais dos equipamentos de via para o standard europeu (nas cabines de condu\u00e7\u00e3o). O que foi feito at\u00e9 hoje? Rigorosamente nada, anda CP e Medway a perceber como resolvem sozinhas um problema criado por falta de lideran\u00e7a da infraestrutura. <strong>Sem isto, nenhum comboio pode passar a fronteira, nem que houvesse uma linha de alta velocidade pront\u00edssima do lado portugu\u00eas at\u00e9 Badajoz.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde necessitamos de acordos ib\u00e9ricos<\/h2>\n\n\n\n<p>Muito embora a maioria dos problemas que temos sejam originados por falta de ac\u00e7\u00e3o em Portugal, existem alguns temas onde realmente necessitamos de acordos ib\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em primeiro lugar, para realizar a sempre adiada liga\u00e7\u00e3o internacional algarvia<\/strong>, entre Faro e Huelva. Duvidando totalmente de que o Governo portugu\u00eas honrasse algum compromisso (talvez esteja aqui o problema?), a realidade \u00e9 que de Espanha continuamos sem qualquer sinal de interesse nesta liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na Beira Alta tamb\u00e9m precisamos de compromissos distintos para uma aposta maior<\/strong> &#8211; se queremos ligar Aveiro e Salamanca com uma linha nova, precisamos que Espanha nos ajude a demonstrar o interesse e a viabilidade da linha, n\u00e3o \u00e9 algo que possamos sozinhos levar por diante (longe v\u00e3o os tempos em que o sindicato banc\u00e1rio do Porto levou uma linha de Barca d&#8217;Alva a Salamanca).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De resto, n\u00e3o precisamos de acordos ib\u00e9ricos para nada. Espanha bem ou mal j\u00e1 colocou ou est\u00e1 a colocar-nos perto da fronteira infraestruturas de qualidade, tem uma rede aberta \u00e0 concorr\u00eancia e sistemas de seguran\u00e7a actualizados e que podemos embarcar nos nossos comboios. O contr\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-382\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/11\/i-2.jpg 1224w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A ac\u00e7\u00e3o portuguesa no tema internacional \u00e9 t\u00e3o grande, que os \u00fanicos comboios interoper\u00e1veis que temos s\u00e3o as automotoras 592, alugadas a Espanha&#8230;. tudo dito.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Motivado por uma conversa no Twitter e pelas not\u00edcias de desilus\u00e3o depois da \u00faltima cimeira luso-espanhola em Viana do Castelo, abordo o tema das conex\u00f5es ferrovi\u00e1rias com Espanha &#8211; o que se pode fazer de imediato e o que realmente precisa de colabora\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a. 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