{"id":397,"date":"2022-12-29T09:55:31","date_gmt":"2022-12-29T08:55:31","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=397"},"modified":"2024-01-16T09:42:42","modified_gmt":"2024-01-16T08:42:42","slug":"pns-o-ex-ministro-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2022\/12\/29\/pns-o-ex-ministro-do-futuro\/","title":{"rendered":"PNS, o ex-ministro do futuro"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 f\u00e1cil bater em pessoas quando se estampam. N\u00e3o \u00e9 disso que trata esta cr\u00f3nica &#8211; a oportunidade de combater a lideran\u00e7a de Pedro Nuno Santos do minist\u00e9rio das infraestruturas existiu enquanto foi ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando penso nos \u00faltimos quatro anos, acho que Pedro Nuno Santos acabou por acreditar sempre mais na m\u00e1quina do que nele pr\u00f3prio &#8211; elogio ou cr\u00edtica? N\u00e3o sei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 para mim indiscut\u00edvel que Pedro Nuno Santos quer fazer bem ao pa\u00eds &#8211; como ali\u00e1s acho que \u00e9 o caso de praticamente todos os pol\u00edticos &#8211; e que contrariamente ao PS de Macau (o de Costa), acha que para se evoluir \u00e9 preciso ter ideias claras para seguir em frente. No entanto, e sobretudo nos \u00faltimos dois anos, parece-me ter dado muito mais prefer\u00eancia por agradar a Costa e \u00e0 m\u00e1quina do PS (a que \u00e9 suposto dominar?) do que por respeitar as pr\u00f3prias ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua desgra\u00e7a na TAP acaba por ser o melhor exemplo &#8211; lembramo-nos do seu cepticismo de lan\u00e7ar a b\u00f3ia de salva\u00e7\u00e3o a uma empresa semi-nacionalizada e onde os accionistas privados estavam \u00e0 beira de colapsar mas, empurrado por Costa, n\u00e3o apenas executou um desafio de terceiros como o tomou como seu (atitude valente, mas n\u00e3o raras vezes inocente) &#8211; salvou os accionistas privados de uma queda estrondosa e passou os \u00faltimos dois anos a dar raz\u00e3o ao Carlos Guimar\u00e3es Pinto, com quem travou alguns dos melhores debates sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No aeroporto, herdou uma decis\u00e3o que n\u00e3o gostava e tentou mud\u00e1-la, para acabar \u00e0 pressa a manter essa decis\u00e3o (Montijo), para logo passar pela maior desautoriza\u00e7\u00e3o p\u00fablica que me lembro a um ministro, sendo hoje claro o motivo do drama de Costa &#8211; a ideia do aeroporto de Santar\u00e9m, trazida por um grupo onde pontua um ilustre ex-accionista da TAP, salvo por Costa e PNS. O ministro, de ideias convictas e discurso forte, voltou a ficar para dar a cara por algo em que manifestamente n\u00e3o acreditava.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ferrovia os primeiros dois anos foram melhores, tantas eram as coisas b\u00e1sicas a refazer. Valha a verdade que a selec\u00e7\u00e3o de Nuno Freitas para a CP e uma pequena mas importante injec\u00e7\u00e3o financeira foram o b\u00e1lsamo que valeu a longa Primavera de romance do ministro com a comunidade ferrovi\u00e1ria, uma esp\u00e9cie de lua de mel claramente longa de mais e exagerada para l\u00e1 do razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, apesar de objectivamente informado sobre o tema, n\u00e3o apenas n\u00e3o conseguiu dominar a Infraestruturas de Portugal, como acabou a aceitar empossar uma administra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o escolheu e a refor\u00e7ar quem protege e causa alguns dos maiores disfuncionamentos da empresa &#8211; um passivo de seguran\u00e7a de arrepiar, uma dedica\u00e7\u00e3o aos investimentos anunciados por PNS que \u00e9 no m\u00ednimo duvidosa, um desrespeito total por normas e boas pr\u00e1ticas&#8230; enfim, uma empresa que \u00e9 a mais importante do sector mas que \u00e9 um cancro em acelerada metastiza\u00e7\u00e3o. A tudo isto, passadas as inten\u00e7\u00f5es iniciais, acab\u00e1mos por ter um encolher de ombros.<\/p>\n\n\n\n<p>Na CP foram p\u00fablicos os enfrentamentos com as finan\u00e7as para tentar desde a reestrutura\u00e7\u00e3o final da d\u00edvida da empresa, como para simples autoriza\u00e7\u00f5es de compras de rodados, luzes ou pessoas. Depois do el\u00e3 inicial, com uma vis\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o e uma invej\u00e1vel propaganda de feitos que eram apenas obrigat\u00f3rios, o p\u00e2ntano tamb\u00e9m est\u00e1 instalado &#8211; n\u00e3o se sabe o que contratou o Estado nos servi\u00e7os p\u00fablicos que contratualizou, as oficinas continuam a perder pessoas (comprometendo a aposta inicial pela amplia\u00e7\u00e3o das capacidades), faltam maquinistas e revisores para assegurar a oferta comercial normal, e a lista de coisas b\u00e1sicas que foram perdendo prioridade continua.<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que a sua equipa, com pontuais excep\u00e7\u00f5es (e as mais brilhantes, diria), acaba tamb\u00e9m por mostrar que PNS acredita mais na sua m\u00e1quina do que nele pr\u00f3prio &#8211; acaba a demitir-se \u00e0s m\u00e3os de mais uma infantilidade do secret\u00e1rio de Estado das Infraestruturas, que num curto percurso acumulou perplexidades. Na habita\u00e7\u00e3o, a diferen\u00e7a entre a formula\u00e7\u00e3o dos desejos pol\u00edticos e a implementa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deixou a nu uma equipa sem grande experi\u00eancia de mundo real e demasiado virada para o mundo que nasce nas juventudes partid\u00e1rias. Pelo meio, aceitou perder uma das tr\u00eas secretarias de Estado que tinha para este &#8220;novo&#8221; governo. Alguma inexperi\u00eancia assoma.<\/p>\n\n\n\n<p>O meu ponto aqui n\u00e3o \u00e9 bater no ex-ministro, mas mais em perguntar-me o que leva algu\u00e9m de ideias claras, de horizontes largos e com interesse em saber mais, de se entregar a um festival de acomoda\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o a um dos l\u00edderes mais med\u00edocres que Portugal j\u00e1 teve &#8211; Ant\u00f3nio Costa. Esta minha interroga\u00e7\u00e3o parte de um elogio mas termina como cr\u00edtica. Uma n\u00e3o vive sem a outra.<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, \u00e9 esta a minha perplexidade ap\u00f3s quatro anos. Pedro Nuno Santos podia de facto ter feito a diferen\u00e7a, teve essa vontade e essa sensibilidade, mas acabou por n\u00e3o conseguir mais do que gerar uma ligeira onda numa piscina. N\u00e3o sei se isso diz mais dele, do governo em que est\u00e1 ou at\u00e9 do pa\u00eds em geral, mas \u00e9 um sentimento muito mais sincero que tenho do que provavelmente tudo aquilo que os seus apoiantes mais directos lhe transmitem.<\/p>\n\n\n\n<p>O que sei \u00e9 que mantenho um respeito intelectual importante por PNS, sobretudo por ser clara a matriz pol\u00edtica que defende, condi\u00e7\u00e3o fundamental para se poderem discutir essas op\u00e7\u00f5es. Tive oportunidade de lhe fazer chegar directa e indirectamente (sei que leu) algumas das minhas mais relevantes e acutilantes cr\u00edticas enquanto foi ministro, numa continua\u00e7\u00e3o do que foi a sua curiosidade em in\u00edcio de mandato para perceber o mundo em que estava. Alguma receptividade ao conhecimento t\u00e9cnico do sector \u00e9, quanto a mim, o facto mais positivo e regular do ex-ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para qualquer pol\u00edtico ser\u00e1 sempre importante manter-se aberto ao exterior, e sobretudo ao que n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel, e nunca acreditar mais no chefe do que em si pr\u00f3prio. O dever ao que se acredita ser o melhor para o pa\u00eds nunca deve ser subjugado pela fidelidade ao l\u00edder. Talvez esta seja a hist\u00f3ria destes anos de p\u00e2ntano de Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Nuno Santos foi uma esperan\u00e7a no sector ferrovi\u00e1rio. Ser\u00e1 importante entender porque n\u00e3o passou disso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 f\u00e1cil bater em pessoas quando se estampam. N\u00e3o \u00e9 disso que trata esta cr\u00f3nica &#8211; a oportunidade de combater a lideran\u00e7a de Pedro Nuno Santos do minist\u00e9rio das infraestruturas existiu enquanto foi ministro. 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