{"id":423,"date":"2023-04-03T09:17:47","date_gmt":"2023-04-03T08:17:47","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=423"},"modified":"2024-01-16T09:41:29","modified_gmt":"2024-01-16T08:41:29","slug":"analise-critica-ao-artigo-do-prof-joanaz-de-melo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2023\/04\/03\/analise-critica-ao-artigo-do-prof-joanaz-de-melo\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise cr\u00edtica ao artigo do prof. Joanaz de Melo"},"content":{"rendered":"\n<p>No Observador, Jo\u00e3o Joanaz de Melo e Eduardo Zuquete assinam um artigo chamado &#8220;O Plano Ferrovi\u00e1rio &#8211; mais explora\u00e7\u00e3o, menos constru\u00e7\u00e3o&#8221; onde, na minha perspectiva, existe uma mistura errada de conceitos e s\u00e3o repetidas algumas mistifica\u00e7\u00f5es que t\u00eam, ao longo dos anos, sido apresentadas a favor de uma &#8220;modera\u00e7\u00e3o&#8221; de investimento em infraestruturas ferrovi\u00e1rias, como se uma certa ambi\u00e7\u00e3o m\u00ednima pudesse ser j\u00e1 um programa fara\u00f3nico. Algumas dessas coisas t\u00eam sido apresentadas em planos de investimento, com grande preju\u00edzo para a nossa rede ferrovi\u00e1ria, o que mostra ser importante rebater alguns desses pontos, dado que eles efectivamente t\u00eam conseguido trac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>o desd\u00e9m pela alta velocidade: em geral, o meu coment\u00e1rio est\u00e1 coberto por este artigo que publiquei h\u00e1 algum tempo &#8211; <a href=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2019\/09\/08\/alta-velocidade-em-portugal-ja\/\">Alta Velocidade em Portugal, j\u00e1! \u2013 Planeamento e Opera\u00e7\u00f5es (portugalferroviario.net)<\/a>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 para j\u00e1 falso que se possa falar numa primeira fase Porto &#8211; Souse e n\u00e3o Porto &#8211; Carregado, pois a divis\u00e3o entre os dois tro\u00e7os, pelo que \u00e9 dito e \u00e9 razo\u00e1vel, \u00e9 apenas para n\u00e3o paralelizar totalmente a constru\u00e7\u00e3o, o que pode ser dif\u00edcil de um ponto de vista de capacidade no sector da constru\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>A solu\u00e7\u00e3o de automotoras pendulares a 160-220 km\/h ignora v\u00e1rios pontos, mas o primeiro deles \u00e9 precisamente a falta de capacidade na linha do Norte. Que entre Porto e Lisboa t\u00eam de existir duas linhas de via dupla cada uma, n\u00e3o \u00e9 um capricho &#8211; \u00e9 uma urg\u00eancia cr\u00edtica. E como digo no meu artigo, \u00e9 mais f\u00e1cil e barato construir uma linha s\u00f3 para passageiros, que j\u00e1 n\u00e3o se far\u00e1 para velocidades abaixo de 250 km\/h por tal n\u00e3o fazer sentido.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n\n\n\n<li>Em geral, tudo o que n\u00e3o seja colocar o comboio pelo menos 30% abaixo do tempo de viagem por meio rodovi\u00e1rio \u00e9 impedir competitividade suficiente para que se possa efectivamente ganhar quota de mercado. Isso ser\u00e1 tamb\u00e9m algo a ter em conta para eixos como Porto &#8211; Braga &#8211; Vigo, Lisboa &#8211; Faro ou at\u00e9 correc\u00e7\u00f5es \u00e0 volta dos eixos da Beira Alta e Beira Baixa. Tudo isto exige, \u00e0 partida, investimentos volumosos e contr\u00e1rios \u00e0 &#8220;modera\u00e7\u00e3o&#8221; dos investimentos m\u00ednimos &#8211; nenhum investimento m\u00ednimo alcan\u00e7ar\u00e1 isso, e est\u00e1 bem estudado;<\/li>\n\n\n\n<li>A estrutura\u00e7\u00e3o em torno do litoral \u00e9 uma inevitabilidade at\u00e9 ambiental &#8211; como poderemos fazer uma mudan\u00e7a modal suficientemente alta, se n\u00e3o dermos essa capacidade onde est\u00e1 mais de 80% da nossa popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o litoral? N\u00e3o haver\u00e1 quem esteja mais contra este modelo territorial do que eu (haver\u00e3o certamente muitos t\u00e3o contra como eu), mas lutar contra a realidade do terreno n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel;<\/li>\n\n\n\n<li>Por fim, acho incompreens\u00edvel que se fale do exagero sobre a voca\u00e7\u00e3o do comboio para transporte de mercadorias em Portugal &#8211; um pa\u00eds que apesar de ter tudo contra si est\u00e1, neste particular, relativamente perto da m\u00e9dia europeia. Que enche papers acad\u00e9micos produzidos dentro e fora do pa\u00eds com as inova\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o (que at\u00e9 s\u00e3o o ponto do artigo!) que t\u00eam tornado vi\u00e1veis jornadas muito curtas.\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Julgo que a men\u00e7\u00e3o \u00e0s triagens aponta para conceitos ultrapassados de an\u00e1lise desta problem\u00e1tica. Uma triagem ferrovi\u00e1ria de mercadorias tem uma \u00e1rea de influ\u00eancia similar a um grande porto mar\u00edtimo, o que o mesmo \u00e9 dizer que Portugal ter\u00e1 uma e Espanha 2 ou 3. O que \u00e9 verdade. O resto \u00e9 beneficiado pelas muitas f\u00f3rmulas de explora\u00e7\u00e3o existentes por c\u00e1 e que t\u00eam produzido resultados. Precisamos de infraestrutura para conseguirmos levar mais cami\u00f5es para o comboio &#8211; o impacto ambiental do transporte rodovi\u00e1rio de mercadorias \u00e9 muito grande e ser\u00e1 sempre muito superior ao do meio ferrovi\u00e1rio, dada a intensidade energ\u00e9tica de escala incompar\u00e1vel.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estamos em ponto de ignorar o que d\u00e9cadas a bater com a cabe\u00e7a na parede j\u00e1 nos ensinaram &#8211; n\u00e3o vamos conseguir ganhos importantes melhorando marginalmente o que existe. N\u00e3o existir\u00e1 tamb\u00e9m muita gente neste meio mais ligado \u00e0 opera\u00e7\u00e3o e que atribua mais import\u00e2ncia \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, mas o que temos em cima da mesa n\u00e3o se resolve fundamentalmente a partir da\u00ed, desde logo porque actualmente a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem capacidade dispon\u00edvel para poder ampliar opera\u00e7\u00f5es, torn\u00e1-las frequentes, sincronizadas e cadenciadas, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se por hip\u00f3tese Portugal passasse a dedicar 0.5% do seu PIB a infraestruturas ferrovi\u00e1rias nos pr\u00f3ximos 27 anos, alcan\u00e7ar\u00edamos um esfor\u00e7o superior ao que \u00e9 exigido pelo PFN em discuss\u00e3o (que considero pouco ambicioso&#8230;), e substancialmente inferior ao que foi sendo executado na rodovia em Portugal, s\u00f3 olhando ao per\u00edodo p\u00f3s-constru\u00e7\u00e3o dos Itiner\u00e1rios Principais no final dos anos 80 e in\u00edcio dos anos 90.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem o Plano Ferrovi\u00e1rio Nacional \u00e9 fara\u00f3nico nem a explora\u00e7\u00e3o far\u00e1 milagres com mais investimentos de melhoria marginal. Estes s\u00e3o, tipicamente, desperd\u00edcios de dinheiro, na linha dos muitos pequenos investimentos feitos na nossa ferrovia nos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, de que servem algumas correc\u00e7\u00f5es de tra\u00e7ado e a electrifica\u00e7\u00e3o na linha do Oeste, se entre Torres Vedras e Lisboa vamos continuar a demorar mais 40 ou 50% do tempo do que o autocarro, quando o comboio devia era estar 30% abaixo?<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 virar a mesa nos entregar\u00e1 caminhos de ferro \u00e0 altura do que os desafios ambientais e econ\u00f3micos nos colocam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Observador, Jo\u00e3o Joanaz de Melo e Eduardo Zuquete assinam um artigo chamado &#8220;O Plano Ferrovi\u00e1rio &#8211; mais explora\u00e7\u00e3o, menos constru\u00e7\u00e3o&#8221; onde, na minha perspectiva, existe uma mistura errada de conceitos e s\u00e3o repetidas algumas mistifica\u00e7\u00f5es que t\u00eam, ao longo dos anos, sido apresentadas a favor de uma &#8220;modera\u00e7\u00e3o&#8221; de investimento em infraestruturas ferrovi\u00e1rias, como&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":425,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2,35],"tags":[44,45],"class_list":["post-423","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acessibilidades","category-projectos_infra","tag-analise-critica","tag-artigos-publicados"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/04\/lba_mux.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=423"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":426,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423\/revisions\/426"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/425"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}