{"id":434,"date":"2023-04-20T08:46:03","date_gmt":"2023-04-20T07:46:03","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=434"},"modified":"2024-01-16T09:40:19","modified_gmt":"2024-01-16T08:40:19","slug":"cp-um-excelente-resultado-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2023\/04\/20\/cp-um-excelente-resultado-economico\/","title":{"rendered":"CP &#8211; um excelente resultado econ\u00f3mico"},"content":{"rendered":"\n<p>O P\u00fablico noticiou, e a CP depois confirmou, os primeiros resultados positivos do p\u00f3s-guerra na CP. <strong>8 milh\u00f5es de Euros de resultado l\u00edquido \u00e9 o n\u00famero que entra para a hist\u00f3ria<\/strong> e que, como explico abaixo, garante que a CP tem todas as hip\u00f3teses de ter entrado nos eixos economicamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alicerces e d\u00favidas<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0 falta de conhecermos o relat\u00f3rio e contas, onde vamos poder aquilatar a sustentabilidade do resultado e outros m\u00e9ritos, o que parece evidente \u00e9 que a<strong> contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico<\/strong> que o ex-presidente Nuno Freitas negociou em 2019 <strong>ter\u00e1 sido provavelmente a melhor negocia\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da empresa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, pelo que se v\u00ea dos anexos ao contrato que est\u00e3o j\u00e1 publicados na p\u00e1gina da CP, <strong>a empresa conseguiu que o Estado aceitasse n\u00edveis de servi\u00e7o virtualmente imposs\u00edveis de falhar e o valor anual para este n\u00edvel de servi\u00e7o parece estar ancorado na estrutura de custos hist\u00f3rica da CP<\/strong> e n\u00e3o num qualquer benchmark com outras empresas europeias, ou sequer com a Fertagus.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a CP conseguiu em 2019 que o Estado subsidie os servi\u00e7os sem grandes garantias de qualidade nem grandes garantias de efici\u00eancia, o que pode tornar a gest\u00e3o econ\u00f3mica da empresa muito mais simples. <strong><em>Chapeau<\/em> a Nuno Freitas e \u00e0 sua equipa<\/strong> de ent\u00e3o &#8211; quase toda ainda no conselho de administra\u00e7\u00e3o da CP &#8211; pois foi o prot\u00f3tipo de negocia\u00e7\u00e3o em prol da empresa que gerem &#8211; afinal, a sua m\u00e1xima prioridade.<\/p>\n\n\n\n<p>O fim dos gastos de 2 milh\u00f5es em Marketing foram um contributo importante (25% do resultado l\u00edquido), um gasto evitado que possivelmente n\u00e3o ter\u00e1 feito grande falta, dado que o n\u00edvel que era exibido nos tempos desse gasto n\u00e3o parecia grande <em>value for money<\/em>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outro destaque \u00e9 a CP conseguir este resultado ainda antes de finalizar a reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida<\/strong>, ainda mantendo um peso excessivo de encargos financeiros com a mesma (cerca de 30M\u20ac, pelo que \u00e9 noticiado), valores que descer\u00e3o substancialmente se, como o ministro Jo\u00e3o Galamba ainda ontem afirmou, este for o ano de deixar a CP saneada, por fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes resultados devem ser um grande incentivo para a CP procurar ainda melhor &#8211; <strong>a folga econ\u00f3mica que est\u00e1 a ganhar e que se prova ser bastante importante pode ser decisiva para alcan\u00e7ar patamares competitivos de excel\u00eancia<\/strong>. O desperd\u00edcio desta oportunidade ser\u00e1 transformar esta vantagem competitiva numa simples margem para laxismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s maiores d\u00favidas, aparecem na sustentabilidade da frota. A<strong> CP est\u00e1 certamente a operar em valores de deprecia\u00e7\u00e3o da frota pr\u00f3ximos do m\u00ednimo poss\u00edvel<\/strong> a uma empresa ferrovi\u00e1ria, dada a vetustez de boa parte da sua frota e do facto de nesta altura estar basicamente a depreciar os valores acrescentados ao activo com as revis\u00f5es gerais e renova\u00e7\u00f5es, apenas. \u00c9 necessariamente verdade que uma CP revigorada ter\u00e1 neste custo fixo um grande aumento nos anos que se seguirem, algo que vai pressionar esta margem econ\u00f3mica que agora se constata e que tamb\u00e9m resulta do atraso na renova\u00e7\u00e3o da frota da empresa. <strong>Este \u00e9 um factor importante tamb\u00e9m na altura de analisar se a margem introduzida no contrato de servi\u00e7o p\u00fablico \u00e9 ou n\u00e3o excessiva<\/strong> &#8211; uma an\u00e1lise aos requisitos desse contrato vir\u00e1 em breve.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sim, mas a CP recebeu muito dinheiro!<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 um facto. 85 milh\u00f5es de subs\u00eddios \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e, se o fim da reestrutura\u00e7\u00e3o financeira for por fim aprovado este ano, cerca de 3.200 milh\u00f5es de euros em capital, culminando o que a Troika havia identificado como fundamental para sanear a empresa, h\u00e1 dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O princ\u00edpio da subsidia\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o \u00e9 pac\u00edfico e partilhado por todos os quadrantes pol\u00edticos<\/strong> &#8211; em linha com as melhores pr\u00e1ticas de estrutura\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e de promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de acessibilidade, mobilidade e de sustentabilidade geral compensa muitas vezes o Estado assumir valores de bilh\u00e9tica abaixo do pre\u00e7o de mercado e\/ou sustentar ofertas de volume deficit\u00e1rio, pelo que a sua opera\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel com a subsidia\u00e7\u00e3o da oferta. Podemos criticar ter sido atribu\u00edda por ajuste directo, podemos criticar os padr\u00f5es de servi\u00e7o que est\u00e3o a ser remunerados com estes valores, mas n\u00e3o me parece que seja s\u00e9rio dizer que a CP s\u00f3 tem lucros devido ao subs\u00eddio \u00e0 explora\u00e7\u00e3o &#8211; <strong>se a obriga\u00e7\u00e3o da empresa n\u00e3o fosse a de operar tantos servi\u00e7os, provavelmente estaria dedicada s\u00f3 aos tr\u00e1fegos rent\u00e1veis<\/strong> (que os h\u00e1) e com uma estrutura muito mais pequena. Em vez de alcan\u00e7ar um resultado l\u00edquido de 2 ou 3% das suas receitas totais, talvez alcan\u00e7asse valores de rentabilidade at\u00e9 mais expressivos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 quanto \u00e0 injec\u00e7\u00e3o de capital, importa novamente clarificar que <strong>os 3.200 milh\u00f5es de Euros s\u00e3o o resultado de cinquenta anos de oferta deficit\u00e1ria imposta pelo Estado sem a devida remunera\u00e7\u00e3o<\/strong>, gerando catastr\u00f3ficos d\u00e9fices anuais que o Estado sempre foi empurrando com a barriga e dizendo \u00e0 CP para financiar com mais d\u00edvida. A sua responsabilidade \u00e9 maioritariamente do Estado &#8211; a outra parte ser\u00e1 da m\u00e1 gest\u00e3o, que n\u00e3o tendo eu d\u00favidas que existiu em grandes quantidades, tamb\u00e9m n\u00e3o duvido que face \u00e0 estrutura de custos de uma empresa ferrovi\u00e1ria ser\u00e3o minorit\u00e1rios no bolo de d\u00edvida. Hoje, boa parte da d\u00edvida da CP \u00e9 inclusivamente ao Estado, que em vez de subsidiar directamente a oferta, exigia \u00e0 CP que se endividasse junto de si, provavelmente apenas e s\u00f3 para manter uma trela apertada e discricion\u00e1ria na sua gest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre este tema, aconselho leitura de post anterior, onde se percebe porque cheg\u00e1mos aqui: <a href=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2018\/08\/26\/40-anos-de-politicas-ferroviarias-em-portugal\/\">40 anos de pol\u00edticas ferrovi\u00e1rias em Portugal \u2013 Planeamento e Opera\u00e7\u00f5es (portugalferroviario.net)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O P\u00fablico noticiou, e a CP depois confirmou, os primeiros resultados positivos do p\u00f3s-guerra na CP. 8 milh\u00f5es de Euros de resultado l\u00edquido \u00e9 o n\u00famero que entra para a hist\u00f3ria e que, como explico abaixo, garante que a CP tem todas as hip\u00f3teses de ter entrado nos eixos economicamente. 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