{"id":454,"date":"2023-08-27T15:13:26","date_gmt":"2023-08-27T14:13:26","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=454"},"modified":"2024-01-16T10:14:57","modified_gmt":"2024-01-16T09:14:57","slug":"um-roteiro-para-os-caminhos-de-ferro-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2023\/08\/27\/um-roteiro-para-os-caminhos-de-ferro-portugueses\/","title":{"rendered":"Um roteiro para os caminhos de ferro portugueses"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta vez n\u00e3o me preocuparei em detalhar ou argumentar sobre propostas, mas t\u00e3o somente deixar o esbo\u00e7o de um poss\u00edvel roteiro para transformar decisivamente &#8211; e sem tretas nem propaganda &#8211; os caminhos de ferro nacionais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que estrat\u00e9gia, afinal?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma estrat\u00e9gia define-se como um plano de ac\u00e7\u00e3o orientado a produzir resultados consistentes a m\u00e9dio e longo prazo. Parte tamb\u00e9m de se conhecer a miss\u00e3o, a vis\u00e3o, os valores e os objectivos que orientam a defini\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. Algu\u00e9m conhece quais s\u00e3o eles actualmente, ao n\u00edvel da Rep\u00fablica? Tirando alguns objectivos inscritos pela Uni\u00e3o Europeia no Livro Branco respectivo, existe algum outro? Fica a minha proposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A vis\u00e3o<\/strong>: Ser uma rede de mobilidade em Portugal que possa ser a espinha dorsal das desloca\u00e7\u00f5es urbanas e inter-urbanas da popula\u00e7\u00e3o e dos turistas do pa\u00eds, complementada subsidiariamente por outros meios de mobilidade colectivos e suaves para subir significativamente os n\u00edveis de vida e comodidade em solo nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A miss\u00e3o<\/strong>: Disponibilizar servi\u00e7os ferrovi\u00e1rios competitivos, concorrentes e de alta frequ\u00eancia com altos n\u00edveis de servi\u00e7o de infraestrutura e dos operadores, irrigando todos os centros urbanos cuja dimens\u00e3o justifica meios pesados de mobilidade e ligando os territ\u00f3rios continentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os valores<\/strong>: Aten\u00e7\u00e3o ao cliente, proximidade das comunidades e ind\u00fastrias, sustentabilidade ambiental, frugalidade energ\u00e9tica, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, transpar\u00eancia e responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os objectivos<\/strong>: Servir todas as infraestruturas de n\u00edvel hier\u00e1rquico superior (portos e aeroportos), ligar todas as capitais de distrito com Lisboa e\/ou Porto em at\u00e9 2h30. Triplicar a quota modal no transporte de passageiros at\u00e9 2040 e duplicar a quota modal no transporte de mercadorias at\u00e9 2035.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O pilar t\u00e1ctico &#8211; como romper a propaganda?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o cap\u00edtulo dos objectivos estrat\u00e9gicos \u00e9, aqui e ali, namorado pela propaganda pol\u00edtica e pelos panfletos de campanha, quando se desce ao patamar t\u00e1ctico para possibilitar a sua execu\u00e7\u00e3o, os problemas aumentam significativamente, desde logo por omiss\u00e3o &#8211; n\u00e3o s\u00e3o criados nem ajustados os instrumentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No financiamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Face ao atraso infraestrutural do pa\u00eds e face \u00e0 perda de capital p\u00fablico (despesas anuais de investimento inferiores \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o anual do capital p\u00fablico), dada a prioridade que se deseja para os caminhos de ferro e os preceitos estrat\u00e9gicos j\u00e1 antes elencados, \u00e9 necess\u00e1rio garantir:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>0,5% do PIB em despesas de investimento em infraestruturas ferrovi\u00e1rias, financiadas pelo Or\u00e7amentado de Estado (e n\u00e3o por fundos europeus, eventualmente que possam complementar);<\/li>\n\n\n\n<li>A autoriza\u00e7\u00e3o de despesa associada a programas de investimento pluri-anuais, com objectivos e assump\u00e7\u00f5es inscritas na autoriza\u00e7\u00e3o, de modo a que entidades respons\u00e1veis (como a Infraestruturas de Portugal) possam operacionalizar de forma \u00e1gil os programas aprovados pelo poder executivo;<\/li>\n\n\n\n<li>Expans\u00e3o do papel da Parp\u00fablica na aquisi\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de meios operacionais detidos pelo Estado, em rela\u00e7\u00e3o com as concess\u00f5es de servi\u00e7o p\u00fablico que o Estado deseja contratar e manter;<\/li>\n\n\n\n<li>Revis\u00e3o dos contratos de servi\u00e7o p\u00fablico e seus objectivos com os actuais operadores (CP e Fertagus), com segrega\u00e7\u00e3o total de contas entre servi\u00e7os financiados pelo Estado e outros. Nos objectivos devem ser previstas majora\u00e7\u00f5es de financiamento em acordo com a supera\u00e7\u00e3o de metas ambiciosas de n\u00edvel de servi\u00e7o e atrac\u00e7\u00e3o de procura, de modo a contar com os operadores para o esfor\u00e7o amplo que h\u00e1 que fazer para captar mais passageiros.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na estrutura do sector<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sector ferrovi\u00e1rio em Portugal tem disfun\u00e7\u00f5es claras &#8211; de desenho, mas tamb\u00e9m de distribui\u00e7\u00e3o de meios.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A autoridade nacional de seguran\u00e7a deve ser individualizada e retirada da al\u00e7ada do IMT, em reporte directo ao minist\u00e9rio;<\/li>\n\n\n\n<li>O IMT deve estar vocacionado a planeamento estrat\u00e9gico, assessoria do minist\u00e9rio e fiscaliza\u00e7\u00e3o do sector, e ainda controlo das concess\u00f5es de servi\u00e7os p\u00fablicos que o Estado tem interesse em manter e expandir;<\/li>\n\n\n\n<li>Todos os meios de transporte ditos pesados devem estar sob al\u00e7ada deste minist\u00e9rio &#8211; caminhos de ferro, mas tamb\u00e9m transporte fluvial, portos, aeroportos e caminhos de ferro urbanos;<\/li>\n\n\n\n<li>Para gest\u00e3o focada e com a participa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas do Estado intervenientes, o Gabinete de Programas de Investimento deve estar ao n\u00edvel da Infraestruturas de Portugal e, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o destas, deve incluir os organismos do Estado respons\u00e1veis pelas principais etapas de execu\u00e7\u00e3o. A equipa multidisciplinar deve ter uma lideran\u00e7a a reportar ao minist\u00e9rio dos Transportes e ser respons\u00e1vel por programas como o Ferrovia 2020 e o PNI 2030, como exemplos;<\/li>\n\n\n\n<li>GPIAAF e AMT, como entidades independentes da esfera do Estado, s\u00e3o naturalmente parte do ecossistema do sector mas sem &#8220;hard line reporting&#8221;;<\/li>\n\n\n\n<li>Os operadores do sistema obedecem ao esquema regulamentar em vigor na rede, n\u00e3o tendo qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o directa do minist\u00e9rio;<\/li>\n\n\n\n<li>Com excep\u00e7\u00e3o da Infraestruturas de Portugal, nenhuma empresa de transportes deve manter o estatuto de EPE, passando todas, sem excep\u00e7\u00e3o, a Sociedades An\u00f3nimas de capitais, para j\u00e1, 100% p\u00fablicos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"539\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/08\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-459\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/08\/image-2.png 900w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/08\/image-2-300x180.png 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2023\/08\/image-2-768x460.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Clarifica\u00e7\u00f5es importantes neste novo modelo institucional s\u00e3o devidas nomeadamente com os novos pap\u00e9is da Autoridade de Seguran\u00e7a Ferrovi\u00e1ria (que sai do IMT), dos pap\u00e9is de planeamento, assessoria  e controlo (assumidos pela Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, via IMT, e esvaziando os gabinetes de minist\u00e9rios e em parte da IP), da IP (foco total na gest\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e rentabiliza\u00e7\u00e3o da rede) e do novo gabinete dos programas de investimento (que pode ter outro nome).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 luz do que ser\u00e3o reestrutura\u00e7\u00f5es recomend\u00e1veis de IP e CP, existir\u00e3o certamente algumas \u00e1reas e profissionais destas empresas que s\u00e3o fundamentais para constituir a lideran\u00e7a do Gabinete de Programas, mas tamb\u00e9m para densificar a capacidade do IMT na assessoria e desenvolvimento de planos para o sector, bem como para a Autoridade Nacional de Seguran\u00e7a Ferrovi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem de ser dado um grande foco \u00e0 operacionaliza\u00e7\u00e3o do regulador, a AMT, como o garante e defensor de boa parte da estrat\u00e9gia definida mais acima neste artigo. \u00c9 indispens\u00e1vel que a presid\u00eancia da AMT seja motivo de concurso p\u00fablico internacional e que o seu or\u00e7amento seja suficientemente independente das flutua\u00e7\u00f5es naturais que o Or\u00e7amento do Estado tem de ano a ano, podendo ficar por exemplo indexado a uma certa percentagem de total de investimento ou de volume de neg\u00f3cios do sector, o que constitui desde logo um incentivo para que a AMT adopte pr\u00e1ticas, comportamentos e atitudes que efectivamente promovam a melhoria da efic\u00e1cia do sector, de modo a alcan\u00e7ar maior quota modal no modo ferrovi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Objectivos t\u00e1cticos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>&#8220;Time to market&#8221; de novos investimentos reduzido para um m\u00e1ximo de 4 a 5 anos para investimentos at\u00e9 1.000 milh\u00f5es de Euros, e at\u00e9 8 anos acima disso;<\/li>\n\n\n\n<li>Consolida\u00e7\u00e3o em Portugal de capacidade industrial em dimens\u00f5es como projecto, constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o, com a confian\u00e7a da consist\u00eancia e regularidade do investimento e de igualdade no acesso \u00e0s oportunidades apresentadas;<\/li>\n\n\n\n<li>Auditorias anuais completas e profundas a todas as componentes do sector, com relat\u00f3rios publicados e propostas de correc\u00e7\u00e3o, partindo da &#8220;baseline&#8221; que \u00e9 a estrat\u00e9gia e objectivos definidos;<\/li>\n\n\n\n<li>Garantia de mobiliza\u00e7\u00e3o dos meios existentes para os organismos onde fa\u00e7am falta, alinhados com os seus objectivos e \u00e2mbitos redefinidos;<\/li>\n\n\n\n<li>Alcance da autonomia de gest\u00e3o nos operadores de capitais p\u00fablicos, que deixar\u00e3o de ter o lastro do estatuto de empresas p\u00fablicas mas tamb\u00e9m os benef\u00edcios opacos dessa defini\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Operacionaliza\u00e7\u00e3o do Plano Ferrovi\u00e1rio Nacional at\u00e9 2035-2037;<\/li>\n\n\n\n<li>Reformula\u00e7\u00e3o de toda a frota que serve os servi\u00e7os p\u00fablicos contratados pelo Estado at\u00e9 2035;<\/li>\n\n\n\n<li>Uma &#8220;unidade de prop\u00f3sito e de rede&#8221; &#8211; independentemente de concess\u00f5es ou da distin\u00e7\u00e3o entre operadores e gestor de infraestruturas, interoperabilidade de bilh\u00e9tica, servi\u00e7os standard de apoio ao longo da rede (bilheteiras, informa\u00e7\u00e3o ao passageiro, etc), s\u00e3o parte da defini\u00e7\u00e3o de um \u00fanico sistema ferrovi\u00e1rio &#8211; o portugu\u00eas &#8211; que emana activamente do IMT e passivamente via AMT.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O pilar operacional &#8211; onde a magia acontece<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se tivermos uma estrat\u00e9gia e se a traduzirmos numa t\u00e1ctica capaz de a agilizar, a operacionaliza\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1 de forma mais natural &#8211; os principais controlos e incentivos estar\u00e3o j\u00e1 salvaguardados e os principais actores actuar\u00e3o no seu interesse particular, que \u00e9 remunerado ou reconhecido pelo alcance dos objectivos colectivos acima aduzidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica regular deve ser aqui marginal ou quase inexistente, mas porque interessar\u00e1 fechar uma reforma do sector com a garantia que as suas entidades est\u00e3o capazes de cumprir os seus pap\u00e9is, importa real\u00e7ar a necessidade de garantir alguns pontos cr\u00edticos na gest\u00e3o \/ opera\u00e7\u00e3o das entidades mencionadas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Na Infraestruturas de Portugal, com uma efectiva separa\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o entre estradas e caminhos de ferro &#8211; n\u00e3o coloca em causa o ben\u00e9fico objectivo de concentra\u00e7\u00e3o financeira e de meios;<\/li>\n\n\n\n<li>Na CP, com uma reestrutura\u00e7\u00e3o ampla da empresa que permita identificar profissionais fundamentais ao refor\u00e7o das novas e ampliadas estruturas j\u00e1 citadas, mas tamb\u00e9m que conduza a CP a uma estrutura de meios que se possa equiparar \u00e0 de uma empresa de opera\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, nos seus v\u00e1rios n\u00edveis, \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o e \u00e1reas de suporte. O contrato de gest\u00e3o deve complementar a autonomiza\u00e7\u00e3o da empresa em sociedade an\u00f3nima;<\/li>\n\n\n\n<li>Na AMT, com uma reforma dos quadros pol\u00edticos e expans\u00e3o do quadro e capacidades financeiras em linha com a necessidade de captar talento tamb\u00e9m fora de portas para que Portugal possa dispor de um regulador eficaz mas tamb\u00e9m na primeira linha dos reguladores europeus, com um papel-chave para ser sempre uma for\u00e7a motriz que puxe o sector ferrovi\u00e1rio para a excel\u00eancia;<\/li>\n\n\n\n<li>Na gest\u00e3o de infraestrutura, com IP, IMT e AMT alinhados, importando modelos de gest\u00e3o e garantia de capacidade capazes de promover n\u00e3o apenas uma saud\u00e1vel concorr\u00eancia, mas a efectiva atrac\u00e7\u00e3o de novos actores &#8211; quer seja no transporte de passageiros ou de mercadorias &#8211; com o objectivo de maximizar a utiliza\u00e7\u00e3o da rede ferrovi\u00e1ria e, com isso, maximizar o benef\u00edcio social das infraestruturas;<\/li>\n\n\n\n<li>A rela\u00e7\u00e3o entre IMT e Parp\u00fablica devem permitir dimensionar uma frota p\u00fablica de comboios capazes de servir as concess\u00f5es de servi\u00e7os p\u00fablicos &#8211; de modo a permitir ciclos de contrata\u00e7\u00e3o mais curtos e promovendo mais concorr\u00eancia (e inova\u00e7\u00e3o), \u00e9 fundamental segregar o ciclo de vida de uma concess\u00e3o do ciclo de vida do material circulante, tema fundamental e que distingue essencialmente concess\u00f5es ferrovi\u00e1rias das rodovi\u00e1rias. Toda a actual frota de CP e Fertagus dos servi\u00e7os p\u00fablicos deve ser substitu\u00edda at\u00e9 2035;<\/li>\n\n\n\n<li>Criar os f\u00f3runs pol\u00edticos necess\u00e1rios para um escrut\u00ednio adequado do sector, com especial relev\u00e2ncia da AMT enquanto entidade independente de supervis\u00e3o e do IMT enquanto guardi\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas e seus objectivos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Notas finais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Focar o Estado em garantir os meios financeiros e dignificar algumas das institui\u00e7\u00f5es do sector s\u00e3o fundamentais para que se possa voltar a ancorar capacidades e uma continuidade de ac\u00e7\u00e3o que n\u00e3o podem estar cativas de gabinetes de minist\u00e9rios ou ciclos pol\u00edticos. \u00c0 pol\u00edtica cabe formular ou alterar a estrat\u00e9gia (que, j\u00e1 agora, tem de existir formalmente e n\u00e3o apenas em palavras).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De modo a enfrentar os desafios decisivos de custo de vida, competitividade com mercados internacionais e incentivos adequados \u00e0 miss\u00e3o de cada entidade, as divis\u00f5es e distintas hierarquias s\u00e3o fundamentais para clarificar pap\u00e9is e, dando autonomia e responsabilidade, permitir que os operadores no fim da linha possam ter as condi\u00e7\u00f5es para procurar garantir os recursos necess\u00e1rios a uma opera\u00e7\u00e3o centrada no cliente e nos objectivos de servi\u00e7o definidos nas respectivas concess\u00f5es. Todas as entidades t\u00eam de estar focadas no seu &#8220;core business&#8221;, sendo claramente desincentivadas todas as actividades que estejam desligadas do objectivo \u00faltimo do sector ou que j\u00e1 estejam assumidas em primeira inst\u00e2ncia por outras entidades do sector.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a arruma\u00e7\u00e3o do sector e algumas das medidas descritas, os caminhos de ferro portugueses poder\u00e3o fluorescer em ecossistema n\u00e3o totalmente igual mas semelhante nos prop\u00f3sitos e incentivos aos ecossistemas de maior sucesso na Europa, com um aumento claro da responsabilidade da pol\u00edtica em honrar seus compromissos e promessas e a uma autonomiza\u00e7\u00e3o das entidades abaixo que promovem a capta\u00e7\u00e3o do talento ao inv\u00e9s de o expulsarem, caracter\u00edstica que permanence especialmente nos caminhos de ferro nacionais, cuja estrutura e mentalidade ainda \u00e9 muito sovietizada e desactualizada dos dias que correm.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desta vez n\u00e3o me preocuparei em detalhar ou argumentar sobre propostas, mas t\u00e3o somente deixar o esbo\u00e7o de um poss\u00edvel roteiro para transformar decisivamente &#8211; e sem tretas nem propaganda &#8211; os caminhos de ferro nacionais. 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