{"id":722,"date":"2024-09-06T12:00:47","date_gmt":"2024-09-06T11:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=722"},"modified":"2024-09-06T12:21:38","modified_gmt":"2024-09-06T11:21:38","slug":"que-futuro-para-a-linha-do-vouga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2024\/09\/06\/que-futuro-para-a-linha-do-vouga\/","title":{"rendered":"Que futuro para a linha do Vouga?"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi anunciado que conheceremos a op\u00e7\u00e3o do Estado para o futuro da linha do Vouga at\u00e9 Outubro &#8211; estaremos portanto no m\u00eas mais decisivo da centen\u00e1ria linha, cuja hist\u00f3ria das \u00faltimas 5 ou 6 d\u00e9cadas est\u00e1 mais marcada por hesita\u00e7\u00f5es e indefini\u00e7\u00f5es do que por reais concretiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Duas linhas, dois destinos<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A linha do Vouga \u00e9, na realidade, um conjunto de duas linhas <\/strong>&#8211; a parte Norte que de Oliveira de Azem\u00e9is liga com Espinho, e uma parte Sul que de Oliveira de Azem\u00e9is segue para \u00c1gueda e Aveiro. A divis\u00e3o que marco em Oliveira e n\u00e3o em Sernada do Vouga relaciona-se com a densidade populacional e a intensidade de mobilidade, que conhece uma fronteira muito \u00f3bvia em Oliveira de Azem\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>Com duas realidades t\u00e3o distintas, <strong>n\u00e3o faz sentido falar de um futuro para a linha do Vouga, mas de dois futuros<\/strong> &#8211; um para cada sec\u00e7\u00e3o de linha. Comecemos pelo que me parece mais f\u00e1cil de definir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A \u00faltima via m\u00e9trica &#8211; o LRT de Aveiro<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A parte Sul da linha do Vouga tem toda a viabilidade e interesse em ser mantida em bitola m\u00e9trica<\/strong>, por duas ordens de raz\u00e3o &#8211; n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil atingir patamares de servi\u00e7o muito superiores mantendo essa bitola (e o que ela poupa em espa\u00e7o-canal) e <strong>permitir\u00e1 aumentar o interesse da linha com uma entrada em formato LRT para dentro da cidade de Aveiro<\/strong>, cidade em franca expans\u00e3o e que teria na continuidade de um meio j\u00e1 existente a melhor solu\u00e7\u00e3o e a que lhe garantia maior escala.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de f\u00e1cil de enunciar, este tro\u00e7o Sul n\u00e3o est\u00e1 isento das suas complexidades. \u00c9 que, de facto, entre \u00c1gueda e Aveiro \u00e9 evidente o interesse de operar um servi\u00e7o de tipo suburbano &#8211; como se operava na linha da P\u00f3voa, tamb\u00e9m em bitola m\u00e9trica &#8211; mas entre \u00c1gueda e Oliveira de Azem\u00e9is o caso muda um pouco de figura. A solu\u00e7\u00e3o parece-me ainda assim relativamente linear &#8211; j\u00e1 existindo uma infraestrutura e uma n\u00e3o descontinuidade de meio de transporte, o custo marginal de servir este tro\u00e7o com o prolongamento de alguns servi\u00e7os desde Aveiro \u00e9 muito baixo e assegura um servi\u00e7o com alguma qualidade a uma zona com escassas alternativas e que procurar\u00e1 atrair actividade econ\u00f3mica de alguma forma &#8211; e o comboio pode ser uma renovada vantagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste lado da linha, parece evidente o que h\u00e1 a fazer:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Renovar e electrificar, incluindo algumas rectifica\u00e7\u00f5es pontuais de tra\u00e7ado, especialmente perto de \u00c1gueda;<\/li>\n\n\n\n<li>Deslocalizar alguns apeadeiros &#8211; ideia com anos, fac\u00edlima de implementar (basta ver que a IP vai fazer apeadeiros na linha de Leix\u00f5es em apenas 6 meses), mas que tem carecido de vontade real de IP e minist\u00e9rio;<\/li>\n\n\n\n<li>Iniciar um estudo de tra\u00e7ado e de viabilidade para fazer a linha continuar, em modelo metro de superf\u00edcie, para dentro de Aveiro e at\u00e9 \u00e0 costa &#8211; possibilitando a ve\u00edculos tram-train ligar \u00c1gueda com Aveiro e \u00cdlhavo, por exemplo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desta capacidade, e aproveitando a din\u00e2mica estabelecida entre Macinhata e Sernada, a linha tem desse p\u00f3lo at\u00e9 Paradela (na parte encerrada da via) a oportunidade de criar servi\u00e7os diferenciados com capacidade de atrac\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, como a experi\u00eancia do Comboio Hist\u00f3rico do Vouga o comprova &#8211; e aquela zona n\u00e3o tem assim tantas oportunidades mais para conseguir atrair alguma actividade econ\u00f3mica. A forma\u00e7\u00e3o de um real projecto tur\u00edstico e museol\u00f3gico permanente, com capacidade de circula\u00e7\u00e3o na linha m\u00e9trica que sobra, deve ser a continuidade natural do projecto de CP e CM \u00c1gueda e ancorar valor nesta regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Oliveira de Azem\u00e9is &#8211; Espinho: o desafio da densidade populacional<\/h2>\n\n\n\n<p>A parte Norte da linha do Vouga tem sido o calcanhar de Aquiles da linha &#8211; na realidade, <strong>a dificuldade de eleger um cen\u00e1rio para este tro\u00e7o tem contaminado toda a restante linha<\/strong>, mesmo a parte onde \u00e9 f\u00e1cil identificar o melhor cen\u00e1rio para progress\u00e3o. \u00c9 um paradoxo &#8211; a parte da linha que percorre a zona mais densa, com padr\u00f5es de mobilidade e intensidade de mobilidade que fazem do caminho de ferro a solu\u00e7\u00e3o de manual, tem confundido administra\u00e7\u00f5es, decisores, autarcas e muito mais gente fora do c\u00edrculo oficial &#8211; como se fosse mais dif\u00edcil entender o que fazer quando \u00e9 claro o interesse do transporte ferrovi\u00e1rio do que quando a sua pertin\u00eancia pode ser mais discut\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A dificuldade de entender o que fazer alicer\u00e7a-se em alguns factores mais ou menos l\u00f3gicos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O p\u00e9ssimo tra\u00e7ado da via actual condena o futuro da linha e pensar em correc\u00e7\u00f5es de via em zonas densas apresenta dificuldades de planeamento;<\/li>\n\n\n\n<li>O que foi feito em Espinho quando se desnivelou a linha do Norte criou uma imped\u00e2ncia na circula\u00e7\u00e3o entre Vouga e linha do Norte cuja resolu\u00e7\u00e3o potencial n\u00e3o foi sempre linear:\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>duvidou-se da resist\u00eancia estrutural do t\u00fanel para repor a linha do Vouga at\u00e9 \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, \u00e0 superf\u00edcie;<\/li>\n\n\n\n<li>pensou-se numa nova esta\u00e7\u00e3o em Silvalde com desvio da linha do Vouga;<\/li>\n\n\n\n<li>pensou-se em rebitolar o Vouga e divergi-la para uma nova bifurca\u00e7\u00e3o da linha do Norte a Sul de Espinho.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n\n\n\n<li>Apesar da enorme densidade da mobilidade no eixo apontado a Espinho, que marginalmente apresenta tamb\u00e9m interesse para continuidade para o Porto, o grande eixo mobilidade da zona interior \u00e9 directa ao Porto, com forte concorr\u00eancia rodovi\u00e1ria.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Quando o caso \u00e9 dif\u00edcil por ser manifestamente virtuoso, penso que <strong>podemos come\u00e7ar por excluir as m\u00e1s ideias<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Manter o status quo &#8211; linha de tra\u00e7ado muito lento, sem conex\u00e3o real com a linha do Norte<\/li>\n\n\n\n<li>Transformar em BRT &#8211; seria repetir o erro da Lous\u00e3, n\u00e3o traria qualquer competitividade nem capacidade adequada \u00e0 densidade deste corredor<\/li>\n\n\n\n<li>Rebitolar a linha com uma estrat\u00e9gia similar \u00e0 linha de Guimar\u00e3es &#8211; mantendo o essencial do tra\u00e7ado sinuoso, muito lento e sem capacidade para um movimento elevado<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Exclu\u00eddas as op\u00e7\u00f5es que s\u00e3o absurdas, j\u00e1 come\u00e7amos a ter maior clareza quanto \u00e0s possibilidades. <strong>O ponto de partida s\u00f3 pode ser um: trata-se de um corredor de mobilidade fundamental, de alta densidade, e que tem de ser trazido para o s\u00e9culo XXI.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O grande objectivo para esta metade da linha do Vouga \u00e9 claro: <strong>servir como eixo de mobilidade estruturante de 1\u00ba n\u00edvel para mobilidade entre Oliveira de Azem\u00e9is e o Porto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A grande condicionante &#8211; tra\u00e7ado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Olhando ao tra\u00e7ado da linha entre Oliveira e Espinho percebe-se que n\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o ficar na mesma<\/strong> &#8211; essa op\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia ali\u00e1s sido defendida com a ins\u00edpida introdu\u00e7\u00e3o da Linha do Vouga no PNI 2030, com gen\u00e9ricas men\u00e7\u00f5es a melhorias do tra\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"392\" height=\"318\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-723\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image.png 392w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-300x243.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Velocidades autorizadas entre Espinho e Oliveira de Azem\u00e9is &#8211; nunca mais de 50 km\/h, muitos pontos a 30 e a 45 km\/h e casos extremos abaixo disso. N\u00e3o serve.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A primeira grande escolha que h\u00e1 a fazer \u00e9 a da bitola e a forma de interliga\u00e7\u00e3o com a linha do Norte:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Manter a bitola m\u00e9trica e levar a linha, \u00e0 superf\u00edcie, de Espinho-Vouga \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de Espinho, este \u00faltimo em trajecto de tipo urbano com uma implementa\u00e7\u00e3o de tipo LRT no tro\u00e7o final;<\/li>\n\n\n\n<li>Passar para bitola ib\u00e9rica e integrar com a linha do Norte, com uma bifurca\u00e7\u00e3o a implementar algures entre Silvalde e Paramos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Dado que em qualquer caso ser\u00e3o necess\u00e1rias rectifica\u00e7\u00f5es do tra\u00e7ado para poder atingir velocidades competitivas, <strong>a primazia da bitola ib\u00e9rica \u00e9 \u00f3bvia &#8211; permite criar uma fam\u00edlia de comboios entre Oliveira de Azem\u00e9is e o Porto<\/strong>, evitando o transbordo (nem sequer ao mesmo n\u00edvel) que a bitola m\u00e9trica sempre imporia em Espinho.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, desde logo, que perceber como \u00e9 que a linha se insere na linha do Norte, com <strong>reformula\u00e7\u00e3o total do tra\u00e7ado entre Pa\u00e7os de Brand\u00e3o e Espinho \/ Silvalde \/ Paramos<\/strong>. \u00c9 recomendada a constru\u00e7\u00e3o de um cruzamento desnivelado para o sentido ascendente (Oliveira -&gt; Porto) para evitar cruzar ao n\u00edvel a linha do Norte, o que retiraria capacidade face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o presente. Ora a dificuldade \u00e9 precisamente servir Pa\u00e7os de Brand\u00e3o &#8211; centro populacional vital, com Santa Maria de Lamas ao lado &#8211; e encontrar um tra\u00e7ado que permita uma inser\u00e7\u00e3o na linha do Norte. Deve ser feito um tra\u00e7ado directo entre os dois pontos, sem mais aproxima\u00e7\u00f5es a centros urbanos &#8211; Pa\u00e7os de Brand\u00e3o e Espinho s\u00e3o pontos de amarra\u00e7\u00e3o suficientes para esta curta franja territorial. Os cerca de 7 a 9 quil\u00f3metros a construir poder\u00e3o custar entre 100 a 150 milh\u00f5es de Euros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"786\" height=\"858\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-724\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-1.png 786w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-1-275x300.png 275w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-1-768x838.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 786px) 100vw, 786px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Novo tra\u00e7ado ser\u00e1 necess\u00e1rio a partir de Rio Me\u00e3o (limiar inferior da imagem), com nova esta\u00e7\u00e3o em zona mais favor\u00e1vel para servir Pa\u00e7os de Brand\u00e3o e da\u00ed divergir directamente para a linha do Norte, sem mais paragens.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Da\u00ed para Sul, \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio pensar num tra\u00e7ado totalmente novo &#8211; seja em que bitola for. Deve <strong>servir S\u00e3o Jo\u00e3o de Ver a poente (em vez de ser a nascente como agora) e aproximar a esta\u00e7\u00e3o da Feira do centro da cidade<\/strong>. <strong>Um novo alinhamento de Pa\u00e7os de Brand\u00e3o \u00e0 linha do Norte quase obriga a novo tra\u00e7ado para Sul, e facilita substancialmente a sua defini\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; cerca de 6 quil\u00f3metros a realizar por um custo que pode rondar os 50M\u20ac, em terreno algo mais f\u00e1cil e menos ocupado do que os quil\u00f3metros anteriormente mencionados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"902\" height=\"783\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-725\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-2.png 902w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-2-300x260.png 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/09\/image-2-768x667.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um novo tra\u00e7ado ter\u00e1 de passar algures entre a EN109-4 e a Avenida Dr. Francisco S\u00e1 Carneiro, desviando para poente a linha do Vouga. A esta\u00e7\u00e3o da Feira poderia ficar mais junto \u00e0 orla da cidade, antes da viragem para nascente.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Da Feira para S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira<\/strong>, realizando o tra\u00e7ado novo da Feira \u00e0 linha do Norte, <strong>j\u00e1 ser\u00e1 admiss\u00edvel uma velocidade mais baixa<\/strong>, e isto por duas raz\u00f5es: a maior velocidade e alinhamento do tro\u00e7o para Espinho permite compensar velocidades mais baixas aqui (relembremos que a oferta ser\u00e1 de tipo suburbano) e porque <strong>a linha do Vouga tem uma inser\u00e7\u00e3o excelente em S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira<\/strong>, que importa preservar &#8211; a concess\u00e3o ser\u00e1 um tra\u00e7ado muito mais sinuoso na aproxima\u00e7\u00e3o. Existe ainda assim uma oportunidade clara de melhorar o tra\u00e7ado entre a Feira e Arrifana, com a supress\u00e3o de algumas curvas e garantia de mais alinhamentos, mas a curta dist\u00e2ncia garante uma interven\u00e7\u00e3o de baixo custo, que ter\u00e1 sempre de garantir os raios m\u00ednimos para uma opera\u00e7\u00e3o em bitola larga, electrifica\u00e7\u00e3o e demais interven\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da\u00ed para baixo tamb\u00e9m n\u00e3o me parece que tenham de se fazer altera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas<\/strong> &#8211; h\u00e1 espa\u00e7o para melhorar o tra\u00e7ado at\u00e9 Oliveira de Azem\u00e9is, que j\u00e1 de si \u00e9 bastante menos sinuoso do que para Norte de S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira, e deve permitir facilmente patamares uniformes de 90 a 100 km\/h, um valor perfeitamente competitivo para servi\u00e7os suburbanos de paragens frequentes. Os cerca de 20 a 25 quil\u00f3metros (uma redu\u00e7\u00e3o de 5 a 10 face ao actual) que estiverem implementados <strong>entre Oliveira de Azem\u00e9is e Espinho poder\u00e3o demorar entre 20 a 25 minutos num servi\u00e7o suburbano<\/strong>, a que se podem somar apenas 15 a 20 minutos at\u00e9 ao Porto, num servi\u00e7o de menos paragens &#8211; depois de Espinho pode parar apenas em Valadares, Gaia e General Torres, o que at\u00e9 permite atenuar o impacto na capacidade existente \/ a consumir na linha do Norte pela nova fam\u00edlia de comboios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para um servi\u00e7o suburbano este j\u00e1 \u00e9 um tempo competitivo<\/strong> &#8211; n\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pido como os autocarros directos pela auto-estrada, mas em linha com os servi\u00e7os suburbanos competitivos que existem por essa Europa fora. O valor da proximidade e de servir v\u00e1rios polos ao longo do eixo ultrapassam a compara\u00e7\u00e3o com servi\u00e7os directos, que s\u00f3 oferecem um par origem-destino de cada vez.<\/p>\n\n\n\n<p>A somar aos 150-200 milh\u00f5es em novos tra\u00e7ados, o resto da moderniza\u00e7\u00e3o pode custar pouco mais de 50 a 75M\u20ac para incluir algumas pequenas rectifica\u00e7\u00f5es e restantes interven\u00e7\u00f5es &#8211; electrifica\u00e7\u00e3o, sinaliza\u00e7\u00e3o, expans\u00e3o das gares &#8211; isto num modelo de baixo custo, que permita deixar para uma segunda fase e com consolida\u00e7\u00e3o da procura investimentos de upgrade de algumas infraestruturas mais. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o e outras ideias<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>O corredor norte da Linha do Vouga s\u00f3 pode ser servido com ferrovia<\/strong>, mas n\u00e3o pode ser mantido nas condi\u00e7\u00f5es actuais, em qualquer uma das bitolas. Sendo sempre necess\u00e1rio pensar em reformula\u00e7\u00f5es grandes de tra\u00e7ado, n\u00e3o compensa pensar noutra coisa que n\u00e3o seja <strong>uniformizar a bitola com a linha do Norte, criando servi\u00e7os directos em direc\u00e7\u00e3o ao Porto<\/strong>, o grande p\u00f3lo de atrac\u00e7\u00e3o deste eixo de mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O custo das interven\u00e7\u00f5es ao longo de 30 quil\u00f3metros s\u00e3o inferiores \u00e0 generalidade das obras em curso nos metropolitanos de Lisboa e Porto, tendo um potencial significativamente superior de influenciar a quota modal dos transportes p\u00fablicos<\/strong> do que as obras em curso em Lisboa, porque no Vouga influenciam directamente trajectos longos casa-trabalho em autom\u00f3vel, ao passo que as obras em curso em Lisboa pouco mais far\u00e3o que fazer transitar pessoas de autocarros para o metro. Isto permite relativizar a dimens\u00e3o do investimento &#8211; tem sempre de estar associado ao que permite resolver.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma op\u00e7\u00e3o adicional, que \u00e9 compat\u00edvel com a necess\u00e1ria reconvers\u00e3o da linha at\u00e9 Espinho, que \u00e9 a potencial amarra\u00e7\u00e3o com a linha de alta velocidade Lisboa &#8211; Porto, que cruzar\u00e1 a linha do Vouga nas proximidades de Lapa, entre Espinho e Pa\u00e7os de Brand\u00e3o. <strong>Se e s\u00f3 se for identificada uma intensidade potencial grande entre Oliveira, S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira, a Feira e o Porto<\/strong>, para servi\u00e7os semi-directos, pode ser vantajoso criar ali <strong>um pequeno ramal de liga\u00e7\u00e3o que permita realizar servi\u00e7os r\u00e1pidos Porto-Gaia &#8211; Feira\/SJM\/Oliveira<\/strong>, com recurso a automotoras novas que possam atingir pelo menos 200 km\/h. O uso de apenas uns poucos quil\u00f3metros da AV n\u00e3o ter\u00e1 um impacto real sobre a satura\u00e7\u00e3o da LAV Lisboa &#8211; Porto, at\u00e9 porque s\u00e3o os quil\u00f3metros que coincidem praticamente com o t\u00fanel de Gaia, onde o patamar de velocidade j\u00e1 ser\u00e1 inferior aos 300 km\/h pelas condicionantes geot\u00e9cnicas e pela aproxima\u00e7\u00e3o das paragens. Tal pode permitir um tempo de viagem entre Oliveira e o Porto inferior a 25 minutos, com duas paragens interm\u00e9dias. <strong>O impacto sobre a LAV \u00e9 reduzido e pode justificar-se se existir de facto uma procura por este tipo de servi\u00e7os que justifique a obra de liga\u00e7\u00e3o<\/strong>, previsivelmente de complexidade similar \u00e0 do tro\u00e7o Pa\u00e7os de Brand\u00e3o &#8211; Silvalde que j\u00e1 defendi antes e que ser\u00e1 sempre necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Veremos o que nos reserva a decis\u00e3o pol\u00edtica.<strong> O hist\u00f3rico recente em Portugal \u00e9 o de procurar horizontes de implementa\u00e7\u00e3o mais f\u00e1ceis, por isso pouco ambiciosos e tipicamente desfasados das necessidades e prefer\u00eancias das pessoas<\/strong>, de que a Lous\u00e3 ou o novo metrobus do Porto s\u00e3o os melhores exemplos. Se por uma vez um governo portugu\u00eas quiser virar a p\u00e1gina para colocar Portugal numa rota de crescimento e modernidade, <strong>a op\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode passar pela reestrutura\u00e7\u00e3o da linha na sua metade Norte, e na sua moderniza\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o para dentro de Aveiro na sua metade Sul<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Aguardemos, ent\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi anunciado que conheceremos a op\u00e7\u00e3o do Estado para o futuro da linha do Vouga at\u00e9 Outubro &#8211; estaremos portanto no m\u00eas mais decisivo da centen\u00e1ria linha, cuja hist\u00f3ria das \u00faltimas 5 ou 6 d\u00e9cadas est\u00e1 mais marcada por hesita\u00e7\u00f5es e indefini\u00e7\u00f5es do que por reais concretiza\u00e7\u00f5es. 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