{"id":740,"date":"2024-10-06T17:39:28","date_gmt":"2024-10-06T16:39:28","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=740"},"modified":"2024-10-06T17:40:18","modified_gmt":"2024-10-06T16:40:18","slug":"os-ferroviarios-tem-de-falar-a-linguagem-do-passageiro-nao-o-contrario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2024\/10\/06\/os-ferroviarios-tem-de-falar-a-linguagem-do-passageiro-nao-o-contrario\/","title":{"rendered":"Os ferrovi\u00e1rios t\u00eam de falar a linguagem do passageiro &#8211; n\u00e3o o contr\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>J\u00e1 tinha este tema em mente h\u00e1 algum tempo, mas a thread do Daniel Zacarias trouxe a pertin\u00eancia de tomar algum tempo e escrever estas linhas: <a href=\"https:\/\/x.com\/dzacarias_pt\/status\/1842950553556677107\">Daniel Zacarias \ud83c\uddfb\ud83c\uddea no X: &#8220;O sistema de numera\u00e7\u00e3o dos lugares no Inter-cidades diz muito sobre a cultura da CP https:\/\/t.co\/mudkewgUHc&#8221; \/ X<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das frases que mais me irrita na ferrovia nacional \u00e9 a de que &#8220;gerir ferrovia \u00e9 totalmente diferente de gerir autocarros\/barcos\/avi\u00f5es\/triciclos&#8221;. \u00c9 um tratado, j\u00e1 toda a gente a disse ou ouviu. E quase toda a gente a toma como certa, falemos de gest\u00e3o de servi\u00e7o ou da manuten\u00e7\u00e3o de escovas de motores el\u00e9ctricos DC, como se em ambas tivesse o mesmo significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal o sector continua a viver num mundo t\u00e3o \u00e0 parte e t\u00e3o desfasado do mundo exterior &#8211; onde, sublinho, vivem os clientes que pagam a exist\u00eancia do sector &#8211; que podemos estar em 2024 a conviver com o anacr\u00f3nico sistema de numera\u00e7\u00e3o de lugares das carruagens Intercidades e aceitar que n\u00e3o apenas n\u00e3o mudem agora, como n\u00e3o v\u00e3o mudar com a anunciada renova\u00e7\u00e3o de &#8220;meio&#8221; de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A numera\u00e7\u00e3o dos lugares vem do tempo dos compartimentos &#8211; existia um por janela, tipicamente &#8211; onde o n\u00famero do compartimento (1 a 11, no caso mais habitual por c\u00e1) era depois complementado pelo n\u00famero do lugar (11, 12, 13, 14, 15, 16, para o compartimento 1), dividindo pares e \u00edmpares pelas duas filas de bancos existentes no compartimento, frente a frente. Entre outros motivos, este sistema manteve-se para as carruagens sal\u00e3o (que n\u00e3o eram a regra antigamente, como s\u00e3o agora) porque os sistemas de reserva de lugares anal\u00f3gicos podiam implicar que a central de reservas tivesse de garantir que a pessoa A e B ficassem juntas, \u00e0 janela ou na coxia, e portanto nessa altura n\u00e3o mexer numa regra universal tinha um valor para o cliente, apesar de j\u00e1 na altura dificultar a identifica\u00e7\u00e3o do lugar. Mas isso foi h\u00e1 mais de 40 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os caminhos de ferro por c\u00e1 continuam a achar normal ter uma carruagem de 88 lugares com lugares entre o 11 e o 118, quando o normal seria do 1 ao 88, todos seguidos e sem dificuldade para a sua identifica\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o, a ortodoxia do sistema \u00e9 suficiente para justificar a sua manuten\u00e7\u00e3o &#8211; os clientes que se adaptem.<\/p>\n\n\n\n<p>Este exemplo da opera\u00e7\u00e3o pode ser acompanhado por outro nas infraestruturas, como por exemplo a forma como se nomeiam esta\u00e7\u00f5es e apeadeiros em locais onde existe mais do que uma. Ainda em 2021 na linha do Minho, com a apari\u00e7\u00e3o de duas esta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas (Carre\u00e7o e Carvalha, ambas sem servi\u00e7o de passageiros e &#8220;no meio do nada&#8221; para cruzamentos de mercadorias), o gestor de infraestruturas n\u00e3o foi de modas &#8211; como uma esta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma entidade ferroviariamente mais importante que um apeadeiro, toca de colocar a esta\u00e7\u00e3o\/apeadeiro original com um &#8220;-A&#8221; \u00e0 frente do nome. Carre\u00e7o passou a Carre\u00e7o-A, porque agora Carre\u00e7o \u00e9 o tro\u00e7o de duas vias sem servi\u00e7o de passageiros onde \u00e9 poss\u00edvel cruzar comboios. O formalismo ferrovi\u00e1rio a atravessar-se \u00e0 frente do bom senso &#8211; onde h\u00e1 passageiros \u00e9 onde a denomina\u00e7\u00e3o deve ser mais chamativa, onde apenas h\u00e1 actividade t\u00e9cnica para a opera\u00e7\u00e3o da rede, sem conex\u00e3o directa com os utilizadores do sistema, at\u00e9 podem chamar-lhe &#8220;Carre\u00e7o No Meio Das Couves&#8221;. Mas n\u00e3o, &#8220;isto n\u00e3o \u00e9 como gerir autocarros&#8221;, e portanto Carre\u00e7o \u00e9 o nome da entidade ferrovi\u00e1ria correspondente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o (que na sua ess\u00eancia \u00e9 uma entidade com influ\u00eancia na circula\u00e7\u00e3o de comboios &#8211; podem cruzar, ultrapassar, manobrar, etc), e Carre\u00e7o-A \u00e9 o modesto apeadeiro onde entram os clientes que pagam o sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m destas ortodoxias (ia-lhe chamar teimosias) se faz a nossa rede ferrovi\u00e1ria, e muitos mais exemplos similares existem por a\u00ed. \u00c9 \u00f3bvia a falta de foco no que interessa: o cliente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que gerir comboios n\u00e3o \u00e9 igual a gerir os outros meios de transporte &#8211; nos outros meios de transporte, regra geral, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em termos que os clientes entendem, acima de tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 tinha este tema em mente h\u00e1 algum tempo, mas a thread do Daniel Zacarias trouxe a pertin\u00eancia de tomar algum tempo e escrever estas linhas: Daniel Zacarias \ud83c\uddfb\ud83c\uddea no X: &#8220;O sistema de numera\u00e7\u00e3o dos lugares no Inter-cidades diz muito sobre a cultura da CP https:\/\/t.co\/mudkewgUHc&#8221; \/ X Uma das frases que mais me&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":741,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[44,42],"class_list":["post-740","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-operacoes","tag-analise-critica","tag-institucional"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2024\/10\/image.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=740"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/740\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":743,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/740\/revisions\/743"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}