{"id":796,"date":"2025-05-18T08:54:46","date_gmt":"2025-05-18T07:54:46","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=796"},"modified":"2025-05-18T08:54:48","modified_gmt":"2025-05-18T07:54:48","slug":"uma-realizacao-impar-o-regresso-da-nohab-0111","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2025\/05\/18\/uma-realizacao-impar-o-regresso-da-nohab-0111\/","title":{"rendered":"Uma realiza\u00e7\u00e3o \u00edmpar &#8211; o regresso da Nohab 0111"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Permitam-me um interl\u00fadio neste espa\u00e7o para falar de algo totalmente diferente &#8211; o restauro da primeira automotora diesel portuguesa, a Nohab 0111 da CP. Fez parte da s\u00e9rie 0101 a 0115 e apesar do n\u00famero 11, constou do lote das primeiras 5 unidades entregues pela Nohab, da Su\u00e9cia, aos Caminhos de Ferro do Estado, que ent\u00e3o detinham as concess\u00f5es a Sul do Tejo. As magn\u00edficas Nohab, <a href=\"https:\/\/www.caminhosdeferro.pt\/loja\/produto\/as-automotoras-nohab-em-portugal-nohab-railcars-in-portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">que retratei num livro cujos \u00faltimos exemplares ainda est\u00e3o para venda<\/a>, serviram exemplarmente de 1948 a 2006 e os exemplares depois exportados para a Argentina ainda hoje por l\u00e1 circulam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 momentos na vida em que individualmente e no grupo a que nos junt\u00e1mos o orgulho \u00e9 para ser manifestado e este \u00e9 um desses casos raros. A hist\u00f3ria do grupo de volunt\u00e1rios, de que fa\u00e7o parte, j\u00e1 remonta ao final de 2004, quando as Nohab estavam a ser retiradas de servi\u00e7o pela CP. Ent\u00e3o, a destinada a preserva\u00e7\u00e3o era a unidade 0101 e n\u00e3o a 0111, que estava vendida para a Argentina. Mas a 0111 tinha algo que a 0101 n\u00e3o tinha &#8211; um interior praticamente em estado original, tendo sido uma das tr\u00eas automotoras (0109, 0110 e 0111) que havia sido renovada apenas ligeiramente, em contraste com todas as restantes unidades cujos interiores a fazer lembrar uma carruagem Sorefame nada conservavam do esp\u00edrito sueco original. Pois um grupo de adolescentes informou-se, documentou e solicitou \u00e0 CP uma altera\u00e7\u00e3o contratual no neg\u00f3cio com a Argentina para poder ficar por Portugal a 0111 e n\u00e3o a 0101, que essa sim rumou \u00e0s pampas. Foi uma primeira vit\u00f3ria!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Preservar a 0111 foi assim um objectivo de longa data. Em 2012, por fim, rumou ao Entroncamento e saiu do cemit\u00e9rio do Barreiro-A onde apodrecia sujeita aos elementos. E em 2017, ap\u00f3s breves conversa\u00e7\u00f5es com o Museu e uma visita t\u00e9cnica, os volunt\u00e1rios da APAC conseguiram, via programa de voluntariado do Museu Nacional Ferrovi\u00e1rio, a autoriza\u00e7\u00e3o para iniciarem trabalhos de recupera\u00e7\u00e3o desta fundamental automotora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante quatro anos muitos s\u00e1bados e muitos euros de cada um foram para trabalho f\u00edsico e desloca\u00e7\u00f5es de e para o Entroncamento. Ao fim de seis meses a degrada\u00e7\u00e3o havia terminado, com os trabalhos mais profundos de chapa e sua protec\u00e7\u00e3o terminados, avan\u00e7ando posteriormente para os trabalhos de efectiva regenera\u00e7\u00e3o. Todo o interior desmontado, cuidadosamente inventariado e embalado permitiu a sua remontagem anos mais tarde, em perfeitas condi\u00e7\u00f5es, e pouco a pouco a caixa da automotora viu desaparecer buracos e outros podres que existiam um pouco por todo o lado, inclusivamente nos seus elementos met\u00e1licos estruturais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-797\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/image-1.png 2000w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/image-1-300x200.png 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/image-1-1024x682.png 1024w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/image-1-768x512.png 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/image-1-1536x1024.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>No Barreiro-A, em 2012, a automotora 0111 aguardava a sua oportunidade de ocupar o lugar que j\u00e1 era seu por direito na hist\u00f3ria ferrovi\u00e1ria nacional<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em paralelo, um outro conjunto de volunt\u00e1rios (em que algumas pessoas, como eu, tamb\u00e9m participavam) punha m\u00e3os \u00e0 obra no financiamento &#8211; as 14 revistas Trainspotter impressas foram a principal fonte de financiamento da APAC para estes trabalhos, a que se juntaram dois livros da minha autoria &#8211; o j\u00e1 citado livro sobre as Nohab e um outro livro sobre as locomotivas 2600 &#8211; cujos lucros reverteram na \u00edntegra para as ac\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o da APAC, centradas na automotora. S\u00f3 nestes projectos editoriais estiveram dezenas de milhar de horas de esfor\u00e7o, t\u00e3o relevantes como o trabalho f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pandemia de Covid-19 atingiu-nos numa fase fundamental em que t\u00ednhamos apanhado o jeito a algumas opera\u00e7\u00f5es de metalomec\u00e2nica, particularmente o jeito \u00e0s adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias a um local de trabalho bastante dif\u00edcil e sem as comodidades de uma oficina &#8211; o s\u00edtio poss\u00edvel, e que provou que a vontade \u00e9 bastante mais importante que as condicionantes deste g\u00e9nero. Mas a\u00ed, os volunt\u00e1rios da CP deram-nos a m\u00e3o e em 2021 acolheram a &#8220;nossa&#8221; Joaninha nas oficinas do Entroncamento, para continuar os trabalhos em espa\u00e7o muito mais adaptado e com outro tipo de ferramentas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. A APAC, o nosso grupo, manteve o financiamento primordial para todas as muitas pe\u00e7as necess\u00e1rias. A generosa oferta dos vidros pela NASACAR e das tintas pela CIN foram ajudas fundamentais, permitindo focar recursos em pe\u00e7as tamb\u00e9m complicadas de obter como as borrachas (obrigado ao Fernando Pedreira por ter ajudado a encontrar a empresa que ainda tinha as fieiras originais!), as cortinas ou os casquilhos que permitiram repor a ilumina\u00e7\u00e3o original, substituindo as lumin\u00e1rias dos anos 90, e que fazem toda a diferen\u00e7a na apresenta\u00e7\u00e3o final da 0111. O Museu Nacional Ferrovi\u00e1rio financiou ainda os novos rodados da automotora, e a CP entre voluntariado e turmas de forma\u00e7\u00e3o foi tratando tamb\u00e9m de componentes essenciais para a automotora voltar a circular &#8211; bogies, motores, transmiss\u00e3o e freios &#8211; que era o objectivo secund\u00e1rio desta proposta de restauro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1334\" src=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/cp0111_mnf.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-798\" srcset=\"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/cp0111_mnf.jpg 2000w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/cp0111_mnf-300x200.jpg 300w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/cp0111_mnf-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/cp0111_mnf-768x512.jpg 768w, https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/05\/cp0111_mnf-1536x1025.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>J\u00e1 no Museu Nacional Ferrovi\u00e1rio, a 0111 foi reinaugurada a 17 de Maio de 2025<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao ver a automotora entregue de novo ao Museu Nacional Ferrovi\u00e1rio, reluzente, vaidosa e com os dois motores Scania a rugirem de novo, n\u00e3o evito partilhar convosco o tremendo orgulho pessoal que sinto ao ter feito parte de um grupo verdadeiramente especial de pessoas que n\u00e3o se atemorizou com as dificuldades e que fez algo t\u00e3o raro neste pa\u00eds &#8211; agir associativamente para resolver problemas e ter uma ac\u00e7\u00e3o concreta em prol do bem comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O associativismo vale a pena. Se formos mais, outros projectos certamente ser\u00e3o realizados. N\u00e3o era bom termos uma cultura nacional de apoio e trabalho na restaura\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos ferrovi\u00e1rios?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obrigado a todo o grupo de preserva\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria da APAC, \u00e0 redac\u00e7\u00e3o da Trainspotter, a todos os volunt\u00e1rios da CP, ao Museu Nacional Ferrovi\u00e1rio, \u00e0 APAC e \u00e0 CP. Fizemos algo \u00fanico!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Permitam-me um interl\u00fadio neste espa\u00e7o para falar de algo totalmente diferente &#8211; o restauro da primeira automotora diesel portuguesa, a Nohab 0111 da CP. Fez parte da s\u00e9rie 0101 a 0115 e apesar do n\u00famero 11, constou do lote das primeiras 5 unidades entregues pela Nohab, da Su\u00e9cia, aos Caminhos de Ferro do Estado, que&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":799,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[82],"class_list":["post-796","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-trainspotting","tag-nohab"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=796"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/796\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":800,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/796\/revisions\/800"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}