{"id":802,"date":"2025-05-31T10:05:12","date_gmt":"2025-05-31T09:05:12","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=802"},"modified":"2025-05-31T10:19:54","modified_gmt":"2025-05-31T09:19:54","slug":"a-mae-de-todas-as-crises-sociais-da-actualidade-a-falta-de-infraestruturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2025\/05\/31\/a-mae-de-todas-as-crises-sociais-da-actualidade-a-falta-de-infraestruturas\/","title":{"rendered":"A m\u00e3e de todas as crises sociais da actualidade &#8211; a falta de infraestruturas"},"content":{"rendered":"\n<p>Estamos afundados h\u00e1 anos num permanente estado de crise que n\u00e3o entendemos. And\u00e1mos d\u00e9cadas a medir a exist\u00eancia de crises por indicadores financeiros do sector p\u00fablico &#8211; o d\u00e9fice, a d\u00edvida, o peso dos juros da d\u00edvida no PIB, o saldo prim\u00e1rio, e por a\u00ed fora. 2015 foi um ano t\u00e3o ou mais terr\u00edvel para o pa\u00eds do que o da crise financeira precedente &#8211; para a frente do governo da Rep\u00fablica o alquimista Ant\u00f3nio Costa decretou o fim de todas as crises e balizou claramente a sua defini\u00e7\u00e3o aos factores j\u00e1 descritos. Actores pol\u00edticos sectariamente alinhados e um pa\u00eds de treinadores de bancada alinhou, qual rebanho, com esta tese. De repente os d\u00e9fices desapareceram e at\u00e9 a &#8220;pol\u00edtica patri\u00f3tica de esquerda&#8221; gerava super\u00e1vits impressionantes nas contas p\u00fablicas. Qualquer outro indicador que permitisse duvidar da gest\u00e3o do pa\u00eds era furiosamente atacado.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos em 2025 e eu estive longe de ser o primeiro a denunci\u00e1-lo, mas o seu a seu dono. J\u00e1 em 2018, no Eco, apontei o que era uma crise \u00f3bvia que estava a ser gerada pela forma como se evitavam os crit\u00e9rios determinados para o que podiam ser crises no nosso pa\u00eds &#8211; <strong><a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/um-sistema-ferroviario-em-colapso\/\">Um sistema ferrovi\u00e1rio em colapso \u2013 ECO<\/a><\/strong>. Para satisfazer oportun\u00edsticas clientelas e aumentar descontroladamente os gastos ordin\u00e1rios do Estado, Ant\u00f3nio Costa recorreu a todos os expedientes poss\u00edveis e imagin\u00e1rios para cimentar o seu padr\u00e3o de estabilidade, comprimindo investimento p\u00fablico bem para l\u00e1 do que t\u00ednhamos tido com a Troika, abriu as comportas do pa\u00eds para injectar uns euros f\u00e1ceis nos impostos cobrados e aproveitou a patetice dos extremos para se defender dos sinais de outras crises que come\u00e7avam ser vis\u00edveis &#8211; nos comboios porque S\u00e9rgio Monteiro tinha sido t\u00e3o competente durante a Troika que as suas pol\u00edticas perduravam, n\u00e3o porque o PS tivesse desabado o investimento p\u00fablico, na habita\u00e7\u00e3o porque o grande capital arrebanhava tudo para alojamento local (nem sei que dizer desta tese), na sa\u00fade porque os privados sacavam dinheiro do or\u00e7amento do Estado em vez de ir para o SNS, e por a\u00ed fora. O gado, ent\u00e3o ainda bem comportado, consumia a erva toda sem pestanejar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como defendi nessa altura e desde ent\u00e3o, a conjuntura altamente favor\u00e1vel (quantitive easing do BCE, injec\u00e7\u00f5es massivas de dinheiro com Covid-19) e esta defini\u00e7\u00e3o de crise que orientou a traject\u00f3ria para a vit\u00f3ria pol\u00edtica de Ant\u00f3nio Costa resolveu r\u00e1pido as suas prioridades mas come\u00e7ou a gerar crises estruturais em v\u00e1rios sectores que v\u00e3o ser muito mais complicadas de resolver do que uns meros 11% de d\u00e9fice como o que Passos Coelho herdou de Jos\u00e9 S\u00f3crates. Sim, os longos oito anos e meio de Ant\u00f3nio Costa foram substancialmente piores que os seis nebulosos anos de Jos\u00e9 S\u00f3crates.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tudo \u00e9 uma crise de infraestruturas<\/h2>\n\n\n\n<p>Importa ganhar perspectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea metropolitana de Lisboa passou de 1,2 milh\u00f5es de habitantes por volta de 1950, para 1,7 por volta de 1980 e est\u00e1 hoje em quase 3 milh\u00f5es. No Porto, pass\u00e1mos de 1 milh\u00e3o em 1950, est\u00e1vel por volta de 1980 e de cerca de 1,8 milh\u00f5es em 2024. Portugal tinha 8,4 milh\u00f5es de habitantes em 1950, praticamente 10 em 1980 e estimam-se em pouco mais de 11 milh\u00f5es actualmente. Ou seja, s\u00f3 as duas \u00e1reas metropolitanas passaram de 27% da popula\u00e7\u00e3o em 1980 para mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>No interior, a desertifica\u00e7\u00e3o continuou mas especialmente nas aldeias e vilas, com refor\u00e7o ou pelo menos n\u00e3o decrescimento das suas cidades, sobretudo nas de m\u00e9dia dimens\u00e3o. P\u00f3los importantes como Set\u00fabal, Aveiro ou Braga cresceram imenso. Mais relevante ainda, Portugal \u00e9 desde 1986 um pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia e abriu-se por fim, sem complexos, a Espanha e demais pa\u00edses do continente.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico verdadeiro crescimento de infraestruturas de comunica\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds cingiu-se \u00e0 rede de telecomunica\u00e7\u00f5es (fundamental!) e \u00e0s auto-estradas, a ponto de Portugal ser hoje um dos pa\u00edses europeus com mais densa e mais qualificada rede do g\u00e9nero a n\u00edvel Europeu, apesar de estar na cauda da Europa em PIB per c\u00e1pita, a real medida do desastre competitivo a que temos assistido em Portugal nos \u00faltimos 30 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas dos maiores problemas do pa\u00eds est\u00e3o sectorialmente identificados como sendo habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o mas, na realidade, t\u00eam na sua base um grave problema de mobilidade ao longo do territ\u00f3rio. As \u00e1reas metropolitanas n\u00e3o tiveram investimentos nas suas redes compat\u00edveis com o crescimento populacional, embora o Porto se possa queixar menos &#8211; houve a qualifica\u00e7\u00e3o da rede suburbana e o desenvolvimento do Metro do Porto, embora tal n\u00e3o se tivesse substanciado em nenhum novo eixo suburbano (a linha da P\u00f3voa do Metro do Porto j\u00e1 existia como ferrovia pesada). Em Lisboa, apesar da duplica\u00e7\u00e3o praticamente ter duplicado nos \u00faltimos quarenta anos, apenas o eixo Norte-Sul \u00e9 evolu\u00e7\u00e3o digna de registo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por isso de espantar que a crise de habita\u00e7\u00e3o seja, antes de mais, uma crise de mobilidade &#8211; no espa\u00e7o p\u00fablico, apenas recordo tal ser sublinhado por Ricardo Costa, director do grupo Impresa, h\u00e1 cerca de dois anos. N\u00e3o devia ser um problema social ter de viver em Mafra, Ericeira, Odivelas, Loures, Porto Salvo, Alcabideche, Montijo, Alcochete, Seixal ou Barreiro. Podemos gostar mais ou menos da dispers\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o que existe nesta \u00e1rea metropolitana, mas qualquer visita a metr\u00f3poles similares europeias nos permite ver que acr\u00e9scimos populacionais similares foram acompanhados por investimentos fara\u00f3nicos nas redes de transporte pesados (\u00fanicos interessantes para sub\u00farbios, por via da capacidade e velocidade que oferecem) conectando centrica e excentricamente os p\u00f3los de popula\u00e7\u00e3o e actividade econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p>O cont\u00e1gio para a sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m de espantar, dada a dificuldade de atrair profissionais para estas zonas, ou pelo menos para os reter l\u00e1, dada a dificuldade de arranjarem habita\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ou em local conveniente para desloca\u00e7\u00f5es pendulares di\u00e1rias. Se passarmos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 falta de professores, conclu\u00edmos o mesmo cen\u00e1rio. Se extravasarmos para a vida familiar das pessoas necess\u00e1rias a estas necessidades, conclu\u00edmos que a dificuldade de regressar a casa ao fim de semana (ou a meio da semana) \u00e9 real, dependendo basicamente do transporte rodovi\u00e1rio, num pa\u00eds pouco interconectado e onde at\u00e9 a liga\u00e7\u00e3o entre Lisboa e Porto, uma das mais densas da Europa, continua a demorar sensivelmente tr\u00eas horas de comboio.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olharmos a regi\u00f5es como o Algarve, o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 melhor e tem a agravante das necessidades altamente sazonais pedirem ainda mais capacidade de boa e eficiente mobilidade para permitir reagir a essas flutua\u00e7\u00f5es, mas ser uma regi\u00e3o altamente encravada entre serras e mar e com transportes super deficientes no seu interior. Seria de esperar um cen\u00e1rio diferente perante tanta conten\u00e7\u00e3o no investimento?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As tropelias impostas ao territ\u00f3rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos dez anos foram f\u00e9rteis em grandes declama\u00e7\u00f5es &#8211; desde as mais frontalmente fraudulentas como as de Ant\u00f3nio Costa, \u00e0s mais sovieticamente propagandistas como as de Pedro Nuno Santos e terminando na mais in\u00fatil estabilidade de pol\u00edticas de Lu\u00eds Montenegro. Que PS e PSD se debatam hoje com a incompreens\u00e3o do que se passou nas mesas de voto n\u00e3o deixa de ser a maior assump\u00e7\u00e3o de falhan\u00e7o, com lugar destacad\u00edssimo para o PS, que teve realmente a grande derrota de todo o sistema &#8211; ao menos, arrastou tamb\u00e9m a paleo-esquerda para o esquecimento de onde espero que n\u00e3o volte a sair. Do seu sectarismo brotou este esquecimento das necessidades reais das pessoas. Como dizia h\u00e1 dias Henrique Raposo na SIC Not\u00edcias, justifica-se que seja t\u00e3o mais dif\u00edcil viver em Lisboa do que em Braga? E, acrescento eu, justifica-se que num pa\u00eds t\u00e3o pequeno e a precisar de promover mais p\u00f3los de desenvolvimento seja t\u00e3o mais dif\u00edcil conectar o Algarve do que as Ast\u00farias, em Espanha?<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica resposta de mobilidade que o PS teve para o pa\u00eds &#8211; e que o PSD ainda n\u00e3o enterrou &#8211; foi a aposta em &#8220;econ\u00f3micos&#8221; Metrobus, sistemas que permitem vender a palavra &#8220;Metro&#8221; sem a mesma necessidade de capital, que oferecem presta\u00e7\u00f5es de velocidade dignas do tempo da trac\u00e7\u00e3o a vapor e uma capacidade de transporte pouco superior \u00e0 carreira da prov\u00edncia que ligava ao comboio que chegava de Lisboa. Os investimentos s\u00e3o de grande monta, mas s\u00e3o acima de tudo um decrescimento &#8211; seja na Lous\u00e3, em Loures e, qui\u00e7\u00e1, em Braga e Guimar\u00e3es, o que o Estado est\u00e1 a dizer \u00e0s pessoas \u00e9 para desistirem. S\u00f3 os mais pobres dos pobres se interessar\u00e3o por tamanha pobreza, dada a falta de alternativa, e todos os restantes s\u00e3o convidados a reservarem imprescind\u00edvel quinh\u00e3o dos seus rendimentos para sustentarem carro particular.<\/p>\n\n\n\n<p>O PS, que colapsou no Algarve j\u00e1 em 2024, teve o desd\u00e9m de defender no seu Plano Ferrovi\u00e1rio Nacional que para os d\u00e9fices de mobilidade um sistema de autocarros chegava, desenhando-o mesmo no plano <strong>FERROVI\u00c1RIO<\/strong>. Afinal, para quem era, bastava. Fez igual no Minho, regi\u00e3o cada vez mais fundamental do pa\u00eds e talvez a mais jovem, onde nem a evidente facilidade de criar as poucas liga\u00e7\u00f5es em falta para finalizar a malha ferrovi\u00e1ria motivou mais do que incluir, no mesmo documento ferrovi\u00e1rio, mais meia d\u00fazia de riscos rodovi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00e1reas metropolitanas a pobreza do exerc\u00edcio deixou de fora temas evidentes. A promo\u00e7\u00e3o de uma linha do Vouga igualmente afastada do sistema de bitola ib\u00e9rica do resto da rede, talvez em nome da possibilidade de l\u00e1 circular o comboio hist\u00f3rico de via m\u00e9trica, manteve afastado um grande p\u00f3lo populacional da facilidade de se deslocar a baixo custo, com conforto e velocidade. Em Lisboa, mencionar algum novo eixo ferrovi\u00e1rio entre as linhas de Sintra e Cascais nem sequer se pode tolerar, pois antecipa-se um custo elevado que nem sequer se or\u00e7amentou mas j\u00e1 se proibiu. O tema da terceira travessia do Tejo era um tabu de pol\u00edticos sem coragem parar assumirem que resolver problemas custa dinheiro &#8211; e que \u00e9 preciso fazer escolhas e moderar outros gastos, claro. Falar de rapidamente ligar Loures e Malveira e Lisboa foi visto como uma excentricidade n\u00e3o pag\u00e1vel nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, e nem falemos de densificar a rede ferrovi\u00e1ria na Margem Sul, zona cujo crescimento populacional foi brutal nos \u00faltimos 40 anos mas para onde nem se querem desenterrar reflex\u00f5es que datam ao Estado Novo para precisamente chegar a mais cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel nacional continua a ser imposs\u00edvel chegar a Vila Real ou Bragan\u00e7a, regi\u00f5es que contribuem para o pa\u00eds com os seus recursos, onde o resto do pa\u00eds n\u00e3o tem problemas em desenhar grandes barragens ou minas a c\u00e9u aberto, mas que depois conta todos os c\u00eantimos do que pode custar o m\u00ednimo indispens\u00e1vel de conex\u00e3o com o resto do pa\u00eds. Para o Algarve, parece que atravessar a pat\u00e9tica serra do Caldeir\u00e3o \u00e9 uma obra digna do atravessamento do Monte Branco nos Alpes e continuamos sem dar a prioridade \u00e0 nova liga\u00e7\u00e3o, enquanto a IP vai estudando de que forma renovar pela cent\u00e9sima vez o in\u00fatil e curvil\u00edneo tra\u00e7ado existente que, em 90 quil\u00f3metros, imp\u00f5e um tempo de viagem t\u00e3o elevado como nos restantes 200 quil\u00f3metros da liga\u00e7\u00e3o a Lisboa, praticamente. Da trag\u00e9dia das liga\u00e7\u00f5es a Espanha nem vamos falar.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o apenas alguns planos continuaram pat\u00e9ticos e insuficientes, como nem t\u00eam execu\u00e7\u00e3o. Como podemos prometer uma vida diferente a quem se mostra revoltado nas mesas de voto quando n\u00e3o conseguimos avan\u00e7ar com nada de verdadeiramente disruptivo para a vida das pessoas, pela positiva? Porque raz\u00e3o quando olhamos para os problemas do quotidiano das pessoas normais n\u00e3o procuramos os n\u00edveis de servi\u00e7o que se esperam de sociedades ocidentais desenvolvidas e pensamos ser suficiente dar-lhes experi\u00eancias nutridas em pa\u00edses do terceiro mundo? Porque raz\u00e3o queremos convencer as pessoas da falta de m\u00e3o de obra quando o pa\u00eds deixou entrar 1,6 milh\u00f5es de imigrantes nos \u00faltimos 10 anos? Como se fez nos anos 90, onde a atrac\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra imigrante foi fundamental mas realmente apareceu nos estaleiros de obras que t\u00ednhamos, como j\u00e1 os portugueses tinham protagonizado nos estaleiros franceses nos anos 60?<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muitos anos que defendo um esfor\u00e7o or\u00e7amental m\u00e9dio de 0,5% do PIB para desenvolver a rede ferrovi\u00e1ria, quer nos sub\u00farbios como ao longo do pa\u00eds. Essas propostas est\u00e3o por este blog ou nas sucessivas vers\u00f5es incrementais do plano ferrovi\u00e1rio defendido pela Iniciativa Liberal. Mas at\u00e9 esse esfor\u00e7o fica hoje curto, porque volt\u00e1mos a passar 10 anos com investimentos p\u00edfios em volume, e p\u00edfios em ambi\u00e7\u00e3o &#8211; que problemas resolve o dinheiro empatado na actual renova\u00e7\u00e3o da linha do Oeste? Que competitividade melhorou a pat\u00e9tica interven\u00e7\u00e3o na linha do Minho? O que melhorar\u00e1 a linha da Beira Alta ap\u00f3s mais de tr\u00eas anos de fecho? O <em>backlog<\/em> s\u00f3 aumentou e n\u00e3o precisamos das pessoas que o incrementaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta deixar de brincar com as pessoas e ter exig\u00eancia. N\u00f3s votamos e pagamos aos pol\u00edticos para entenderem onde est\u00e3o os problemas e tomarem op\u00e7\u00f5es ambiciosas. Sim, o pa\u00eds n\u00e3o pode agora pagar incrementalmente e de uma vez todo o adicional que as infraestruturas ferrovi\u00e1rias e o aparelho militar necessitam, mas certamente que num Estado que cobra a enormidade de impostos que cobra o portugu\u00eas existir\u00e1 muito onde necessariamente se poder\u00e1 moderar o gasto para come\u00e7ar a resolver problemas das pessoas. As pessoas est\u00e3o fartas de ser dif\u00edcil viver a 20 quil\u00f3metros do seu local de trabalho, ou de terem de encontrar casa s\u00f3 ao longo de estreitos eixos onde \u00e9 poss\u00edvel fazer vida di\u00e1ria normalmente (e que por isso s\u00e3o car\u00edssimos) ou de at\u00e9 terem linha \u00e0 porta mas os comboios estarem sempre em greve.<\/p>\n\n\n\n<p>O PSD entrou no seu segundo ano de poder, est\u00e1 na altura de mostrar que quer mudar alguma coisa. Sendo eu justo com a defini\u00e7\u00e3o mais acelerada de alguns investimentos h\u00e1 muitos anos presos, reservo-me o cepticismo at\u00e9 os ver concretizados e \u00e9 \u00f3bvio que \u00e9 preciso ir bem al\u00e9m deles para poder come\u00e7ar a fazer a diferen\u00e7a na vida das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso contr\u00e1rio, sobra-nos o caos. Em boa parte, ele j\u00e1 a\u00ed est\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos afundados h\u00e1 anos num permanente estado de crise que n\u00e3o entendemos. 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