{"id":811,"date":"2025-08-08T20:32:40","date_gmt":"2025-08-08T19:32:40","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=811"},"modified":"2025-08-08T20:32:42","modified_gmt":"2025-08-08T19:32:42","slug":"one-size-does-not-fit-all","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2025\/08\/08\/one-size-does-not-fit-all\/","title":{"rendered":"One size does not fit all"},"content":{"rendered":"\n<p>Em casa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o, todos ralham e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o. Isto tamb\u00e9m se aplica a este vosso escriba, evidentemente. Quando o caos aumenta, a puls\u00e3o por encontrar solu\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas aumenta pois a ideologia oferece o conforto da resolu\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o se entende.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor ferrovi\u00e1rio n\u00e3o \u00e9, no essencial, distinto de outros transportes. Tem ve\u00edculos, pessoas e carga podem seguir a bordo, h\u00e1 estruturas operacionais que os operam, h\u00e1 considera\u00e7\u00f5es como leis de paragem, velocidades e conforto. Mas tem desde logo uma caracter\u00edstica &#8211; sendo um transporte guiado, sendo o seu trajecto totalmente pr\u00e9-definido, tem uma maior propens\u00e3o ao planeamento central. Se isto implica algo mais do que este mero reconhecimento? Pois claro que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por vezes espanto-me como coisas t\u00e3o simples s\u00e3o justificadas com ideologia ou grandes op\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas. Por exemplo, se a IP faz plataformas mais pequenas do que as necess\u00e1rias pela CP, a justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a separa\u00e7\u00e3o da roda e do carril provocou estes desencontros. Ora neste exemplo, como j\u00e1 abordei neste blog, h\u00e1 desde logo normas que o regulam e que n\u00e3o est\u00e3o a ser seguidas pela IP. Se a IP n\u00e3o se entende para pagar um comboio Alfa que destruiu \u00e0 CP, \u00e9 porque se separou a roda e o carril, como se um qualquer ministro da tutela n\u00e3o pudesse por cobro a este absurdo em 15 minutos. Se a Fertagus tem a opera\u00e7\u00e3o saturada s\u00f3 pode ser porque \u00e9 privada, apesar do pr\u00f3prio Estado se ter reservado o monop\u00f3lio do dimensionamento dessa concess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos s\u00e3o mais que muitos e pelo meio h\u00e1 alucina\u00e7\u00f5es para todos os gostos &#8211; num pa\u00eds de fraco investimento p\u00fablico, h\u00e1 at\u00e9 quem queira impedir ou desfazer o investimento privado num terminal de mercadorias com o argumento da concorr\u00eancia livre, o que mostra um grau de degenera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que j\u00e1 s\u00f3 pode encontrar justifica\u00e7\u00e3o num grande (e compreens\u00edvel) desespero pela situa\u00e7\u00e3o degradante em que o sector se encontra.<\/p>\n\n\n\n<p>O objectivo deste post n\u00e3o \u00e9 discutir grandes solu\u00e7\u00f5es, apenas chamar a aten\u00e7\u00e3o de que modelos existem para todos os gostos e isso n\u00e3o desculpa o papel de pol\u00edticos eleitos e gestores bem pagos no marasmo e at\u00e9 p\u00e2ntano onde estamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pa\u00edses com maximalismo nos servi\u00e7os p\u00fablicos contratados, podemos ter plena integra\u00e7\u00e3o de operador e gestor de infraestrutura, como na Su\u00ed\u00e7a. Onde ali\u00e1s a concorr\u00eancia existe apesar dessa integra\u00e7\u00e3o, sendo mesmo fort\u00edssima nas mercadorias &#8211; ningu\u00e9m deixa de aceder livremente \u00e0 rede apesar do gestor de infraestrutura ter tamb\u00e9m o operador incumbente.<\/p>\n\n\n\n<p>A mais performante rede de transporte ferrovi\u00e1rio de mercadorias do mundo est\u00e1 espartilhada entre v\u00e1rios operadores totalmente privados, que controlam infraestrutura e opera\u00e7\u00e3o &#8211; nos Estados Unidos. N\u00e3o h\u00e1 queixas de falta de competi\u00e7\u00e3o ou de fraca quota modal do caminho de ferro.<\/p>\n\n\n\n<p>No Leste \/ Centro da Europa temos as redes com as evolu\u00e7\u00f5es mais impressionantes e temos tipicamente roda e carril perfeitamente separados, sob a mesma holding ou n\u00e3o &#8211; ser holding ou n\u00e3o a reunir operador e gestor \u00e9 bastante indiferente, j\u00e1 que a obriga\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o de contas impera em ambos os casos. A competi\u00e7\u00e3o \u00e9 fort\u00edssima e real e n\u00e3o h\u00e1 desconex\u00e3o vis\u00edvel sequer entre o mais pequeno dos operadores privados e o gestor de infraestrutura sobre tamanhos de plataformas ou regimes de opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pa\u00edses onde a ferrovia se desenvolve muito bem apesar do gestor de infraestrutura acumular tamb\u00e9m a rodovia, como \u00e9 o caso da Su\u00e9cia. E pa\u00edses onde a total privatiza\u00e7\u00e3o e concess\u00e3o dos caminhos de ferro n\u00e3o deixa de oferecer dos mais elevados n\u00edveis de conforto da Europa, como na Noruega ou no Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 pa\u00edses onde tudo est\u00e1 unido sob a mesma tutela, sem concorr\u00eancia admiss\u00edvel, e onde o servi\u00e7o \u00e9 tipicamente bom, como sejam o caso da Ucr\u00e2nia ou da China.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos pa\u00edses altamente centralistas como Fran\u00e7a com concess\u00f5es regionais totalmente implementadas h\u00e1 mais de 20 anos e j\u00e1 em pleno processo de levar as suas renova\u00e7\u00f5es a concursos p\u00fablicos internacionais, sem quaisquer pruridos. H\u00e1 como na Fran\u00e7a concess\u00f5es onde o material circulante fica do lado do concedente, mas tamb\u00e9m h\u00e1 concess\u00f5es noutros lados onde o material circulante fica do lado do concession\u00e1rio e por prazos mais dilatados, como acontece no Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>O que pergunto \u00e9 portanto simples: qual \u00e9 a vossa desculpa ideol\u00f3gica para este estado de coisas em Portugal?<\/p>\n\n\n\n<p>A ideologia \u00e9 importante para fazer um ajuste entre a cultura do pa\u00eds, os incentivos que melhor funcionam no pa\u00eds em concreto e assim elevar o n\u00edvel geral do servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio. Mas num pa\u00eds que n\u00e3o consegue sequer fazer plataformas de 200 metros como mandam as normas ou onde o seu operador hist\u00f3rico andava a falar dos comboios de alta velocidade que queria comprar sem sequer ter um plano de neg\u00f3cios montado, acham mesmo que s\u00e3o temas ideol\u00f3gicos que nos aprisionam nesta desgra\u00e7a permanente?<\/p>\n\n\n\n<p>Se calhar est\u00e1 na altura de exigir resultados e m\u00ednimos ol\u00edmpicos de dec\u00eancia na montagem de servi\u00e7os de transportes e ir a direito por onde tiver de ser para por isto a funcionar. Privado, p\u00fablico, concessionado, com roda e carril juntos ou separados, com pessoal pol\u00edtico nomeado ou puramente tecnocr\u00e1tico, com as empresas que temos hoje ou com outras que promovamos. O pa\u00eds n\u00e3o quer saber do modelo &#8211; precisa \u00e9 que funcione.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em casa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o, todos ralham e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o. 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