{"id":882,"date":"2026-08-14T08:35:31","date_gmt":"2026-08-14T07:35:31","guid":{"rendered":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/?p=882"},"modified":"2026-08-14T08:39:53","modified_gmt":"2026-08-14T07:39:53","slug":"conceber-e-construir-nao-e-planear-e-operar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portugalferroviario.net\/politicas\/2026\/08\/14\/conceber-e-construir-nao-e-planear-e-operar\/","title":{"rendered":"Conceber e Construir n\u00e3o \u00e9 Planear e Operar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui estamos pela terceira vez &#8211; o mesmo cons\u00f3rcio e a mesma desonestidade na comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica para vender ao pa\u00eds a benevol\u00eancia da engenharia nacional ao alterar completamente o projecto da linha de alta velocidade Lisboa &#8211; Porto. Recordo e j\u00e1 o disse antes, a vers\u00e3o que temos em cima da mesa \u00e9 de longe a melhor que alguma vez tivemos e denota uma enorme aprendizagem com erros l\u00e1 fora e melhores pr\u00e1ticas que foram surgindo de opera\u00e7\u00e3o de LAV l\u00e1 por fora desde h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do que sabemos que aconteceu com o projecto em Gaia, fazendo perder ao pa\u00eds mais de um ano ap\u00f3s voluntariamente concorrer e ganhar um concurso com um determinado projecto para tentarem ganhar dinheiro acima do que a pr\u00f3pria proposta tinha assumido, o mesmo cons\u00f3rcio j\u00e1 foi afastado do primeiro concurso que houve para o tro\u00e7o Oi\u00e3 &#8211; Soure, pois nem sequer previu liga\u00e7\u00e3o da LAV a Coimbra, tendo projectado uma magn\u00edfica esta\u00e7\u00e3o no meio de um campo de arroz. Agora, concorreram novamente a este tro\u00e7o, j\u00e1 amputado da sec\u00e7\u00e3o Taveiro &#8211; Soure para ajustar pre\u00e7o da empreitada, eliminando a entrada Sul de Coimbra-B e a necess\u00e1ria quadruplica\u00e7\u00e3o do tro\u00e7o da linha do Norte, promovendo uma \u00fanica entrada por Norte com a original solu\u00e7\u00e3o de inverter comboios passantes em Coimbra!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cereja no topo do bolo foi o cons\u00f3rcio uma vez mais ter avan\u00e7ado para uma ac\u00e7\u00e3o de propaganda com direito a cerim\u00f3nia p\u00fablica para vender ao pa\u00eds o projecto enquanto em paralelo um j\u00fari est\u00e1 a analisar as propostas e obrigado a defender os superiores interesses do Estado &#8211; esta postura \u00e9 francamente inaudita e estranho que n\u00e3o se aponte este \u00f3bvio na discuss\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos argumentos que mais me fez lembrar alguns memes t\u00edpicos da Internet sobre danos cerebrais \u00e9 o de que o Estado est\u00e1 a contratar uma empreitada de concep\u00e7\u00e3o-constru\u00e7\u00e3o, e por isso o concedente pode mudar o projecto. Cabe aqui esclarecer que a parte da concep\u00e7\u00e3o \u00e9 a parte do projecto de execu\u00e7\u00e3o, onde se passa do projecto pr\u00e9vio, com as grandes defini\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas da obra como o tra\u00e7ado, as esta\u00e7\u00f5es, os acessos e outros aspectos que impactam opera\u00e7\u00e3o e business case da obra, para a defini\u00e7\u00e3o fina dos trabalhos de constru\u00e7\u00e3o civil a realizar. \u00c9 a concep\u00e7\u00e3o de um projecto de execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o do conceito de infraestrutura, como \u00e9 absolutamente \u00f3bvio ou n\u00e3o estiv\u00e9ssemos na presen\u00e7a de um projecto que at\u00e9 j\u00e1 tem DIA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda a linha est\u00e1 concebida de Norte a Sul para um conceito de opera\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7o complementar com a rede existente que n\u00e3o pode ser posto em causa, sob pena do pr\u00f3prio caso financeiro da linha estar em causa. Inverter em Coimbra \u00e9 reduzir o interesse comercial de parar na cidade, \u00e9 remover na pr\u00e1tica a possibilidade de irrigar a Beira Alta via linha de Alta Velocidade (paragem em Coimbra \u00e9 essencial nestes servi\u00e7os) e complica at\u00e9 a reserva de lugares no sentido da marcha, quest\u00e3o relevante em quase todos os pa\u00edses e certamente com import\u00e2ncia por c\u00e1, para l\u00e1 de muitas outras inconveni\u00eancias &#8211; s\u00f3 quem n\u00e3o percebe rigorosamente nada de explora\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o quer perceber) \u00e9 que acha que uma esta\u00e7\u00e3o para inverterem tantos servi\u00e7os pode ficar com o mesmo n\u00famero de linhas que anteriormente estava prevista para uma esta\u00e7\u00e3o puramente passante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 evidente que este cons\u00f3rcio v\u00ea na alta velocidade em Portugal a oportunidade de se projectar novamente por c\u00e1, depois de anos terr\u00edveis para a constru\u00e7\u00e3o civil nacional. Manifestamente errou nos seus c\u00e1lculos e acabou por se atravessar com uma proposta no 1\u00ba lote que, qui\u00e7\u00e1, era um concurso que devia ter ficado vazio por ter pre\u00e7o-base demasiado baixo. Levaram \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias a tentativa de porem no Estado o \u00f3nus do seu evidente erro de c\u00e1lculo, fizeram o pa\u00eds perder um ano e nunca publicamente assumiram que estavam na presen\u00e7a de uma obra de rentabilidade insuficiente, dizendo at\u00e9 em contr\u00e1rio que a solu\u00e7\u00e3o alternativa que propunham at\u00e9 era potencialmente mais cara &#8211; espero que isso tamb\u00e9m seja usado para n\u00e3o abrir qualquer negocia\u00e7\u00e3o de reequil\u00edbrio financeiro da concess\u00e3o pois \u00e0 luz desses argumentos que nos fizeram perder um ano, n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa altura o respons\u00e1vel do cons\u00f3rcio disse-nos que esperava que tamb\u00e9m n\u00e3o houvessem mais concorrentes ao segundo lote, pois esse seria o &#8220;bife do lombo&#8221;. Na altura j\u00e1 conhecia o pre\u00e7o-base apontado para esse lote, que ia at\u00e9 Soure. \u00c0 primeira ficou realmente sozinho mas tentou uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e3o barata e fora do caderno de encargos, que foi rejeitada. E agora manifestamente o que est\u00e1 em causa \u00e9 poupar dinheiro ao cons\u00f3rcio, para ver se consegue realmente tornar este lote no &#8220;bife do lombo&#8221; que n\u00e3o apenas tem uma rentabilidade interessante, como recupera a rentabilidade manifestamente posta em causa pelo risco tomado no primeiro lote.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sei se a Sacyr, concorrente alternativa, respeita o caderno de encargos. Mas se respeitar este ser\u00e1 um dos concursos mais sem hist\u00f3ria das obras p\u00fablicas em Portugal. Volto a refor\u00e7ar o que j\u00e1 escrevi noutras ocasi\u00f5es &#8211; se a Ordem dos Engenheiros tem como uma das fun\u00e7\u00f5es zelar pela excel\u00eancia de pr\u00e1ticas da engenharia nacional, um terceiro epis\u00f3dio como este devia merecer inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 Infraestruturas de Portugal recomendo que em futuros procedimentos fa\u00e7a qualifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de fornecedores e os limite a empresas de engenharia. Nada contra gabinetes de advogados mas \u00e9 de obras de engenharia que falamos aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aqui estamos pela terceira vez &#8211; o mesmo cons\u00f3rcio e a mesma desonestidade na comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica para vender ao pa\u00eds a benevol\u00eancia da engenharia nacional ao alterar completamente o projecto da linha de alta velocidade Lisboa &#8211; Porto. 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