BRT, a solução para o ramal da Lousã

O programa de Governo aprovado na Assembleia da República é bastante vago nas questões relacionadas com os transportes. Da transferência de competências para as autoridades metropolitanas de Transportes à promoção de modos suaves nas grandes cidades, o programa praticamente só elenca uma solução clara para um problema de mobilidade existente: a implementação de um BRT no ramal da Lousã.

Imagem da Wikipédia - BRT de Curitiba, Brasil.
Imagem da Wikipédia – BRT de Curitiba, Brasil.

BRT é a sigla que significa “Bus Rapid Transit” – na prática, um sistema que utiliza autocarros em vias dedicadas, como se fosse o canal segregado de um metropolitano de superfície.

O sistema, que poderá ditar o fim definitivo do modo ferroviário a leste de Coimbra, apoia-se em boa medida nos grandes pilares da operação de um metro ligeiro: canal segregado, venda de bilhetes nas estações e não a bordo, cais de embarque dimensionados para a altura do piso dos autocarros e prioridade absoluta nos cruzamentos rodoviários.

A introdução de um sistema do género já tinha sido sugerida pelo anterior governo, na voz do então ministro Poiares Maduro, quando sugeria que as obras do Metro do Mondego realizadas no canal ferroviário poderiam ser suficientes para uma solução mais barata do que a finalização do Metro ou a reversão para modo ferroviário pesado.

Uma das possibilidades é mesmo a operação com autocarros elétricos de tipo trolleybus, sendo que neste caso não seria feita a poupança relativa à eletrificação do percurso e que já estava prevista caso o projeto do Metro do Mondego se concretizasse.

O BRT é um sistema de transporte urbano que tem conhecido um grande desenvolvimento no Brasil, sendo no entanto também utilizado em países como os EUA, Canadá, Espanha, França ou Turquia. Entre os grupos parlamentares que suportam o governo não existe unanimidade, sendo que o PCP e o PEV já publicamente expressaram o seu desejo de reverter o processo e reinstalar a ferrovia pesada no vale do rio Corvo.

O que está aparentemente posto de parte é o regresso da ferrovia pesada a Serpins. Uma imagem que fica para a história.
O que está aparentemente posto de parte é o regresso da ferrovia pesada a Serpins. Uma imagem que fica para a história.

O ramal da Lousã foi encerrado a 04 de Janeiro de 2010 para obras de conversão da Metro do Mondego, que foram depois canceladas por altura da crise financeira em que o país mergulhou. Desde então o serviço de transporte de passageiros é assegurado por um serviço rodoviário de substituição reputado como desconfortável, lento e pouco ajustado ao fluxo de passageiros que o ramal movimentava.