Renovação integral da linha da Beira Alta

A renovação da linha da Beira Alta vai avançar e ainda este semestre serão adjudicados os projetos para os três troços da intervenção, que representam a extensão total da linha.

Os troços Pampilhosa – Mangualde, Mangualde – Guarda e Guarda – Vilar Formoso serão alvo de uma profunda intervenção, como o denuncia o elevado investimento na renovação da linha: 550 milhões de Euros, a que se somam 56,1 milhões de Euros para instalação de ERTMS entre Aveiro e Vilar Formoso, via Pampilhosa.

A linha da Beira Alta enfrenta atualmente vários desafios, sendo que os maiores são a degradação da infraestrutura e o difícil perfil longitudinal que provoca pesadas restrições de carga às locomotivas dos diversos operadores. Uma locomotiva Euro 4000 da Takargo reboca cerca de 1300 toneladas sozinhas ao passo que uma locomotiva 4700 da CP Carga, tomada como o standard por se tratarem de modernas locomotivas elétricas, não atinge as 1100 toneladas.

O objetivo inicial era tornar todo o corredor Pampilhosa – Vilar Formoso a 1400 toneladas / locomotiva, mas esse objetivo pelo descritivo de intervenção apresentado pela Infraestruturas de Portugal caiu por terra. As prioridades de intervenção são ainda assim relevantes o suficiente para tornar esta renovação na maior obra de renovação de uma linha férrea logo a seguir ao projeto da Linha do Norte, que dura desde os anos 90.

Ponte das Várzeas, no Luso, numa das partes mais difíceis do traçado da linha.
Ponte das Várzeas, no Luso, numa das partes mais difíceis do traçado da linha.

A intervenção pretende passar a capacidade da linha de acolher 14 comboios diários de 500 metros para 20 comboios diários de 750 metros, mantendo a via única mas aumentando os resguardos das estações para cruzamentos e ultrapassagens. Relacionada com a obsolescência da via e alguns pontos negros onde desgastes rápidos são constatáveis, a intervenção pretende ainda restaurar as velocidades de projeto da linha, tomando como referência aquilo que era a tabela de velocidades prevista aquando da renovação da linha nos anos 90. Recorde-se que, mesmo apesar da constante degradação dos tempos previstos para comboios de longo curso, os comboios de passageiros têm apresentados atrasos recorrentes.

Serão ainda eliminadas passagens de nível e será instalado ERTMS em toda a linha, continuando pela linha do Norte até Aveiro, promovendo assim a interoperabilidade entre Portugal e Espanha recorrendo a este standard europeu de segurança e sinalização.

A intervenção total deve estar concluída no final do ano de 2019, seguindo-se cerca de três meses de validações antes da obra ser dada por entregue. O troço Guarda – Vilar Formoso será o primeiro a estar concluído, no final de 2018, ao mesmo tempo por isso que a reativação do troço Guarda – Covilhã. Isto permitirá que uma hipotética fase de trabalhos mais profundos e obrigando a interdições de via entre Guarda e Pampilhosa decorra já com uma alternativa via Beira Baixa.

Será realizada finalmente a concordância da Pampilhosa, permitindo a comboios de Norte acederem à linha da Beira Alta sem qualquer manobra de inversão, o mesmo acontecendo na Guarda com a ligação à linha da Beira Baixa.

Os projetos de execução serão adjudicados já em Abril deste ano e os primeiros concursos de obra serão lançados em Setembro, para a ligação à Beira Baixa.