Incidências pressionam exploração da linha do Norte

Diversas incidências têm condicionado durante o dia de hoje a circulação na linha do Norte, ao longo de toda a sua extensão.

De manhã, por volta das 11:00, um comboio com cimento viu quatro vagões descarrilarem à entrada da estação da Granja, no sentido Sul – Norte. Os vagões ficaram a ocupar a via ascendente, obrigando a uma exploração em via única no troço Gaia – Esmoriz. Mais tarde, na zona de Lisboa, um acidente com um passageiro em Moscavide causou atrasos muito relevantes em plena hora de ponta. Finalmente, um comboio Alfa Pendular viajando de Sul para Norte avariou junto a Vale de Figueira, cortando também a via ascendente e obrigando à circulação em via única entre Santarém e Riachos, perto do Entroncamento.

Estas incidências vieram novamente mostrar as debilidades da linha do Norte e do sistema ferroviário português, que continua a carecer de redundâncias para fazer face às incidências normais da exploração quotidiana. No caso dos troços Ovar – Gaia e Cartaxo – Entroncamento, onde se produziram hoje os dois maiores incidentes, é ainda sublinhada a necessidade de renovação de via e sinalização.

Com efeito, estes troços estão equipados com um sistema de sinalização datado dos anos 60 e uma incidência numa das vias obriga a estabelecer uma via única temporária numa extensão muito grande, devido à falta de estações ou estações técnicas que permitam aumentar os locais para passagem de uma via para outra e assim reduzir o constrangimento físico à exploração. Adicionalmente, nestes locais, a circulação de comboios contra o sentido habitual de circulação (exemplo, comboios Sul – Norte circulando na linha descendente Norte – Sul) faz-se com recurso a Cantonamento Telefónico, em que as estações em serviço (cada vez em menor número) devem comunicar entre si para definirem a autorização de circulação dos comboios, nem sequer se permitindo que circulem vários comboios atrás uns dos outros.

Por exemplo, entre Gaia e Esmoriz, uma distância que pode demorar mais de 20 minutos a percorrer para um comboio urbano pára em todas, apenas poderá circular um comboio de cada vez entre Gaia e Granja e entre Granja e Esmoriz, as três estações onde existe pessoal da circulação capaz de assegurar a necessária comunicação e regulação do tráfego. Uma situação completamente anacrónica em pleno século XXI na principal linha ferroviária do país.

No caso do descarrilamento da Granja ainda não existem certezas sobre as causas, sendo no entanto quase certo que o mau estado da via pode ter atuado como potenciador do incidente.