Comboios noturnos: metade do pouco que sobra em França desaparece em Outubro

Agora é para valer: o Estado Francês, via SNCF, vai retirar-se da operação da operação de metade dos comboios noturnos que ainda existem em França. Depois de um ano de estudos e reflexões, o secretário de estado Alain Vidalies confirmou a decisão, válida a partir de 01 de Outubro.

Comboio 4251 Luxemburgo / Strasbourg - Port-Bou. Um dos míticos comboios franceses atingido pelas supressões.
Comboio 4251 Luxemburgo / Strasbourg – Port-Bou. Um dos míticos comboios franceses atingido pelas supressões.

A partir dessa data, e a não ser que empresas privadas tomem conta da operação, metade da rede noturna francesa desaparecerá dos carris. E das quatro ligações que sobram, duas têm os dias contados. A linha Paris – Irun só será operada pela SNCF até Julho de 2017 e a linha Paris – Nice até Outubro de 2017. Apenas as ligações Paris – Briançon e Paris – La Tour de Carol merecerão a continuação do financiamento público da sua exploração, que é altamente deficitária mas é vista como imprescindível numa ótica de coesão territorial.

O cenário agora conhecido já era há muito aguardado e faz parte de uma redefinição de toda a oferta TET – Trains d’Équilibre du Territoire (na prática, comboios de Longo Curso que não os TGV), fortemente subsidiada pelo Estado Francês. A maioria dos comboios TET diurnos passarão para a alçada das regiões, que devem decidir pela sua manutenção e subsidiação, enquanto que ao Estado Central pertencerão apenas os comboios noturnos que continuarão em serviço e ainda as linhas Toulouse – Hendaye, Nantes – Lyon e as linhas de cariz nacional aptas a 200 km/h como Paris – Cherboug e Paris – Limoges – Toulouse, para as quais serão adquiridas novas composições aptas a 200 km/h, substituindo definitivamente o material Corail ainda hoje utilizado nestas relações.

Do lado dos privados, é público que a Transdev pondera a operação da rede noturna deixada para trás pela SNCF e o Estado Francês mas tem feito saber que só lhe interessará se ficar com a rede toda – e isso incluirá as linhas noturnas que por agora o Estado manterá sob a sua responsabilidade.

O futuro tem por isso algum grau de incerteza, embora as nuvens mais negras do horizonte aparentem boas possibilidades de se concretizarem.