160 anos dos caminhos de ferro em Portugal

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28 de Outubro de 1856 – a data fundadora do setor ferroviário em Portugal, quando o percurso Lisboa – Carregado foi feito por via ferroviária, pela primeira vez no nosso país.

Para a história ficou uma atribulada viagem que incluiu deixar carruagens e convidados para trás mas a força transformadora do país não podia mais parar. Ainda que tardia e algo lenta, a expansão dos caminhos de ferro levou os cavalos de ferro a todas as latitudes do país e em múltiplas formas e bitolas – até bitola europeia tivemos, antes da reconversão à bitola ibérica a que fomos “obrigados” pelos nossos vizinhos de Espanha.

A linha do Norte estruturou e ainda estrutura o país, ligou-se o Norte com o Sul, o litoral com o interior, ajudando pessoas e bens a fazer as milhas que nunca tinham feito. Nasceram linhas para todos os lados, mesmo na difícil geografia transmontana onde nasceram várias de elevado interesse à escala europeia, hoje desaparecidas.

A história ferroviária Portuguesa é tão interessante e motivadora quanto frustrante, vivendo um Portugal já longe da saúde imperialista de outros tempos e condenado a escassez de capitais que continuam a ser uma das marcas do nosso país.

Muitas das evoluções mais interessantes da rede, numa perspetiva de maximização da abrangência geográfica, ocorreram já bem dentro do século XX quando as estradas e os carros já se anteviam como mortal concorrência.

Mas também houve sagacidade na nossa rede. A eletrificação da linha de Cascais pela sociedade Estoril, em 1926, foi um marco tecnológico do setor ferroviário nacional aproveitando a tendência existente em vários países europeus para substituir a tração a vapor diretamente por tração elétrica. Em 1948 Portugal esteve no pelotão da frente da dieselização europeia e em 1956 não teve receios de avançar para uma então nova tecnologia de eletrificação, tendo a linha do Norte sido a primeira linha principal de um país a ser eletrificada a 25.000V / 50 Hz, hoje em dia o grande standard nas eletrificações ferroviárias.

É certo que as décadas de 1980 e 1990 ficarão para sempre marcadas como as décadas de opções políticos castradoras do meio ferroviário e da própria mobilidade em Portugal mas a história está longe de terminada. Mesmo com os aviões a um ritmo frenético, os comboios continuam a somar passageiros entre Lisboa e Porto, ao mesmo tempo que vão ganhando quotas de mercado importantes para cidades como Braga, Guimarães ou Faro.

Afinal, o que há 160 anos nasceu continua hoje a ser o transporte do futuro. As fracas e tardias opções políticas em Portugal para este setor não escondem a evidência observável um pouco por todo o mundo.

Parabéns, portanto, aos caminhos de ferro portugueses.

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