pedroandre 27/03/2019

Na passada terça-feira, dia 12 de Fevereiro, o governo autorizou a IP a efectuar um estudo para a viabilidade da electrificação da linha ferroviária entre Casa Branca e Beja e uma futura ligação ao aeroporto de Beja.

É impressionante como em 2019 se continuam a gastar centenas de milhares de euros em estudos e projectos sobre traçados de linhas do século XIX cujo péssimo resultado se tem visto ao longo das últimas décadas.

Esta seria a altura ideal para que as gentes de Beja e de Évora se unissem num plano conjunto com vista a colocar as duas cidades alentejanas no mesmo eixo ferroviário, acabando de vez com a aberração que existe nos dias de hoje e que tantos problemas têm causado à CP em termos de gestão de material circulante.

Antes da electrificação até Évora, a CP operava para as duas cidades do Alentejo com material a diesel, quer nas ligações do longo curso com Lisboa, quer na ligação regional que existia entre ambas. Pós electrificação, Évora ganhou um longo curso com locomotiva e carruagens (quando o parque o permite) e velocidades máximas de 200 km/h nalguns pontos, Beja não ganhou coisa nenhuma, tendo até perdido qualidade no que toca ao serviço de intercidades. Ficou apenas com um serviço regional (que tem o pomposo nome de Intercidades) utilizando as podres automotoras 0450s entre Beja e Casa Branca onde existe a ligação aos intercidades que efectuam o trajecto entre Évora e Lisboa em ambos os sentidos.

Perdeu-se a ligação directa entre as duas cidades, se bem que no tempo dos regionais com as velhinhas 0350s demorava-se 80 minutos para percorrer a distância, num serviço que andava habitualmente com níveis baixíssimos de ocupação, mas manteve-se a estupidez que imperou em meados de 1860 quando se decidiu que iria uma linha para Beja e uma outra para Évora.

Seguindo o percurso ferroviário actual, a distância entre os dois pontos é de 89 quilómetros com passagem pela estação de Casa Branca, servindo em termos de passageiros as estações/apeadeiros de Cuba, Alvito, Baronia, Viana (desactivada), Alcáçovas, Casa Branca, Tojal (desactivada) e Monte das Flores (desactivada). Se entre Beja e Baronia ainda hoje a CP aposta em dois regionais em cada sentido durante os dias úteis que complementam o serviço de intercidades, o apeadeiro de Alcáçovas tem apenas a paragem dos intercidades e a estação de Casa Branca tem como principal movimento de passageiros os transbordos que aí se efectuam entre o serviços da CP.

E porque não a construção de uma nova ligação entre Évora e Beja, aproveitanto grande parte do traçado actual ?

Tendo em conta a orografia do terreno, visível para quem percorre a estrada nacional 254 que liga Viana do Alentejo a Évora, é perfeitamente possível construir uma nova linha com cerca de 30 quilómetros que rasgasse a planície alentejana entre as imediações da antiga estação de Viana do Alentejo e as proximidades da estação de Évora.

A construção destes 30 quilómetros de extensão permitia que a distância ferroviária entre as cidades de Évora e de Beja se reduzisse para cerca de 73 quilómetros, algo que permitiria ligar os dois pontos de uma forma bastante competitiva em relação ao transporte rodoviário, mas que iria permitir acima de tudo que a CP precisasse apenas de uma composição para todo o trajecto Lisboa – Évora – Beja, ao invés de ter de andar a efectuar transbordos que tantas dificuldades traz à operação ferroviária e que são do completo desagrado dos utilizadores.

A criação desta nova linha iria permitir manter os comboios a servir as povoações de Cuba, Alvito e Baronia como o faz actualmente, e talvez fosse viável a construção de um novo apeadeiro para Viana (caso a nova linha se aproximasse da vila) e de uma estação intermédia para cruzamentos nas proximidades da aldeia de Aguiar.

Também o transporte de mercadorias teria a ganhar com esta nova ligação.

Não nos podemos esquecer que Sines está a braços com uma possível expansão do Terminal XXI e com a construção do novo Terminal Vasco de Gama, que se tudo correr bem, irá levar a que um maior número de comboios tenha origem/destino naquela cidade portuária, sendo que a intenção do governo é que a nova linha Évora-Norte – Caia seja um ponto fulcral de passagem dos comboios de mercadorias internacionais.

Se o grande objectivo a médio prazo passará pela duplicação do troço entre o Poceirão e Bombel de modo a aumentar a capacidade de circulação de comboios num eixo ferroviário que irá compreender a futura ligação ao Caia, há a ténue esperança que a linha do Alentejo entre Beja e Ourique seja reaberta, alvo de modernização e electrificação, para servir como alternativa ferroviária à ligação ao Caia.

Em números redondos um comboio seguindo pelo percurso Ermidas-Sado -» Grândola-Norte -» Variante de Alcácer -» Poceirão -» Casa Branca – Évora percorre 170 quilómetros. Caso a opção fosse seguir pelo sul [utilizando o traçado existente], Ermidas – Sado -» concordância da Funcheira -» Beja -» Casa Branca -» Évora seriam percorridos cerca de 184 quilómetros. Ou seja apena um acréscimo de 14 quilómetros sem contar com uma futura concordância que teria de ser construída nas imediações de Casa Branca de modo a permitir que os comboios circulassem directamente sem ter de efectuar manobras. Caso se optasse pela construção da nova linha entre as imediações de Viana e Évora iria haver uma poupança de cerca de 16 quilómetros, tornando o percurso a sul com uma distância quilométrica de 167 quilómetros aproximadamente, ou seja um valor similar à da opção via norte.

O facto é que em Évora ainda não existe uma decisão final sobre que traçado a linha irá ter, isto permitiria à IP estudar desde logo a ligação desta nova linha até à linha Évora-Norte – Caia com a respectiva concordância, utilizando parte do antigo ramal de Reguengos.

A construção desta nova linha iria ainda permitir num futuro próximo comboios directos a circular entre Faro e Lisboa com passagem comum por Beja e por Évora.

Não foram analisados quaisqueres custos relativos ao planeamento, construção ou expropriação dos terrenos. Nem há qualquer informação sobre se um estudo de impacto ambiental autorizaria a construção desta linha.

O facto é que se foi possível construir a variante de Alcácer ou a variante da Trofa, não seria missão impossível fazer modificações ferroviárias no Alentejo.

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