Ferrovia nacional ainda condicionada

Ferrovia nacional ainda condicionada

01/02/2026 0 Por nunocortesao

Desde o passado dia 28, após a passagem da depressão Kristin – que causou bastantes danos, sobretudo na zona centro do nosso país – a CP bloqueou a venda de bilhetes para os comboios Alfa Pendular no eixo Lisboa / Porto / Braga e Intercidades no eixo Lisboa / Porto / Braga e Guimarães.

Logo às primeiras horas da quarta-feira, as ocorrências iam-se somando, um pouco por todas as linhas do país, desde catenária sem tensão, queda de árvores e taludes, via desguarnecida e inclusive até detritos que voaram com as fortes rajadas de vento para a via, interrompendo a circulação em vários troços. À medida que o dia ia avançando, a circulação ia sendo reposta em alguns destes troços, consoante a gravidade da situação, sendo a mais preocupante à data a da Linha do Oeste, que permanece sem qualquer previsão de abertura face aos extensos danos que sofreu.

Várias árvores caídas ao PK 180,660 da Linha do Oeste. 31/01/2026 – José Sousa ©

Desde então, à medida que se vão resolvendo algumas destas situações, outras vão surgindo, como a via submersa junto à zona neutra de Alfarelos, que desde o dia 29 tem impedido a normal circulação dos comboios, e leva a questionar o porquê de em 2019, aquando da sua renovação, o alteamento da plataforma de via nesta zona que a IP tinha previsto não ter avançado.

Via submersa na zona neutra de Alfarelos. 31/01/2026 – José Sousa ©

À data de hoje, 1 de fevereiro, encontra-se ainda suspensa a circulação ferroviária nas seguintes linhas / serviços:

  • Linha do Norte: circulação suspensa entre Soure e Coimbra-B;
  • Linha do Douro: circulação suspensa entre a Régua e o Pocinho;
  • Ramal de Alfarelos: circulação suspensa entre Alfarelos e a Figueira da Foz;
  • Linha do Oeste: circulação suspensa entre Mafra e Amieira.

Contudo, já foi reposto o serviço Intercidades, na Linha da Beira Alta, no troço Coimbra-B à Guarda, com recurso a UTE 2240, bem como o serviço regional entre o Entroncamento e Soure, na Linha do Norte. Esta situação leva a questionar o porquê de a operadora pública não assegurar igualmente o transporte de longo curso entre Lisboa e Pombal e Coimbra-B e o Porto, assegurando transbordo rodoviário entre Coimbra-B e Pombal.

O único entrave que se coloca está relacionado com o facto da rotação do material circulante, dado que a manutenção das locomotivas da série 5600 é feita no Entroncamento e que no norte do país encontram-se apenas 3 composições de Intercidades. Já no caso dos Alfas Pendulares, encontram-se apenas 4 em Lisboa, na qual é de realçar que estes comboios são alvo de uma inspeção de segurança a cada 3500 kms na UMAV (Unidade de Manutenção de Alta Velocidade), em Contumil.

Recorde-se que em 2019 a empresa assinou um contrato de serviço público com o estado português (que pode ser consultado no site da CP), no qual está previsto na cláusula 13ª, n° 8 que na impossibilidade de prestação de serviço, a CP procede à adaptação dos serviços ou à sua substituição por outro modo de transporte, nomeadamente rodoviário, levando assim a questionar o porquê da transportadora pública não ter arranjado até à data uma alternativa, sendo que a venda de bilhetes entre o Porto e Lisboa encontra-se bloqueada até ao dia 9 deste mês.

Autocarros da empresa Espírito Santo a assegurar transbordo rodoviário entre Esmoriz e o Porto devido a atrasos nas obras de modernização em Gaia. 06/11/2022 – Nuno Cortesão ©

Mais se acrescenta que a Transdev tem no parque de Coimbra pelo menos 3 autocarros de turismo novos, da marca Mercedes, sem qualquer serviço atribuído, além, claro, de motoristas disponíveis, que possivelmente, permitiriam assegurar parte do transbordo rodoviário entre Coimbra-B e Pombal.