Problemas recorrentes nas carruagens Arco

Passaram cerca de seis anos da aquisição das carruagens Arco e, apesar do espaço temporal, ainda não estão todas as 36 carruagens renovadas – e o plano para as 14 restantes compradas na mesma altura, tanto quanto se sabe, nem sequer existe.

A frota de carruagens estava pensada para permitir trazer uma folga operacional à CP, para além de poder permitir acudir à electrificação da linha do Minho e do Douro – esta última ainda por concretizar. Apesar dos anúncios sobre a relação preço-qualidade das carruagens e sua posterior renovação, a verdade é que se assiste quase diariamente a sérios problemas operacionais destas carruagens, provocando constantemente a troca das composições com estas carruagens por automotoras eléctricas – estas últimas, apesar de fiáveis, são em número claramente insuficiente para operarem todas as linhas e acorrerem à subida forte da procura um pouco por todo o país.

Não têm sido raros dias com menos de 10 carruagens em serviço, das cerca de 30 já renovadas e supostamente aptas a serviço. Desde que iniciaram serviço, depois de uma demorada certificação da transformação eléctrica que sofreram, as carruagens têm tido problemas recorrentes com o sistema de alimentação eléctrica, o ponto essencial para habilitar todas as funções das carruagens, começando pelas portas e acabando no ar condicionado. Recorde-se que a CP optou na altura por uma intervenção de mais baixo custo no curto prazo, mantendo os conversores eléctricos com mais de 40 anos que equipam as carruagens (e que já tinham relatos de repetidas avarias ainda em Espanha), comprando à Nomad Tech inversores para colocar a montante e assegurar a conversão dos 1500 volts alimentados pelas locomotivas portuguesas para os 3000 volts aceites pelos conversores. Hoje, a falta de fiabilidade eléctrica das carruagens é visível na utilização operacional das carruagens, com as repetidas paragens que obrigam a alterar o planeamento operacional.

Esta falta de disponibilidade regular das carruagens já motivou nos últimos meses a retirada destas carruagens dos IC 523 e 528 entre Lisboa e Porto, cuja intenção era libertarem as carruagens Corail para reforçar o número de lugares nas restantes circulações. Intenção que acabou por durar pouco tempo, tendo-se assistido portanto a uma redução da oferta nos comboios Intercidades numa altura em que a sobrelotação e problemas de acessibilidade ao serviço ferroviário já são notícia nos jornais televisivos.

As carruagens Arco têm-se tornado num problema operacional cada vez mais evidente, quando haviam sido adquiridas precisamente para serem soluções.