Circulação na Beira Alta impactada por mau estado da via

O título da notícia é paradoxal para uma linha que sofreu a maior renovação dos últimos anos de qualquer linha em Portugal, num investimento de mais de 500 milhões de euros para 200 quilómetros e que obrigou a mais de três anos de suspensão de tráfego, mas é bem real – apesar da renovação profunda, a linha sofre já de vários problemas na via um pouco por todo o traçado, originando mais de 15 limitações temporárias de velocidade que se vão dispersando e multiplicando ao sabor de problemas que continuam a aparecer e que penalizam severamente as circulações da linha, provocando atrasos e um muito maior desgaste no material circulante.

Existem limitações a 30 e a 60 km/h em vários pontos, existindo mesmo uma limitação a 10 km/h na estação de Mangualde pois há mais de um mês que um dos AMV (aparelhos de mudança de via) avariou devido ao calor e não é movimentável para a via directa, obrigando todos os comboios a utilizarem as vias desviadas, mesmo que não parem na estação, e a passar por ali a apenas 10 km/h.

Acresce que ao longo da linha continuam em curso muitos trabalhos de finalização das obras de renovação, que ainda não terminaram e também causam parte destes impactos sobre as circulações, o que contrasta significativamente com as declarações públicas de Ministério e IP aquando a reabertura da linha.

Em Espanha foi recentemente disponibilizada uma plataforma que permite consultar as LTV em vigor na rede (limitações temporárias de velocidade) o que tem permitido um escrutínio muito reforçado sobre a performance da gestão da infraestrutura e sua manutenção, mas em Portugal apesar da situação calamitosa de atrasos na circulação de Norte a Sul não existe qualquer informação pública sobre o estado da rede, sabendo-se apenas que se prolongam e se multiplicam afrouxamentos um pouco por todas as linhas.