Camella descarrila após colisão na Linha do Oeste

Camella descarrila após colisão na Linha do Oeste

29/12/2025 0 Por nunocortesao

A UTD 592.036 no passado dia 9 de dezembro de 2025 colidiu com uma barreira na Linha do Oeste, na localidade de Alcainça. Na sequência do embate, esta acabou por descarrilar, obrigando à interrupção da circulação ferroviária e à ativação do comboio socorro, que procedeu à recolocação da automotora de novo nos Carris. Concluída esta operação, a unidade foi rebocada até Torres Vedras, onde permaneceu resguardada até ao dia 18 de dezembro de 2025.

Nesse dia, a única sobrevivente da primeira série foi rebocada à velocidade T-20 pela locomotiva 1432, proveniente de Contumil, seguindo até às Caldas da Rainha. No dia seguinte, a marcha prosseguiu, ainda a T-20, desde as Caldas da Rainha até à oficina da Figueira da Foz, onde foi alvo de avaliação técnica.

A 1432 a passar em Vale Francas com a 592.036 a reboque no comboio 31301. Valério dos Santos ©

 No entanto, dados os extensos danos provocados pela colisão levaram à necessidade de um novo reboque. Assim, no dia 27 de dezembro de 2025, a UTD foi transferida da Figueira da Foz para Contumil, operação assegurada pela locomotiva 2607. Este reboque estava inicialmente previsto para o dia 26, mas acabou por ser adiado devido a problemas no acoplamento, tendo a marcha sido efetuada à velocidade T-80.

A 2607 a cargo da marcha 95213 a passar na Bencanta. Nuno Cortesão ©

 De salientar que a 592.036 é a única da primeira série ainda em serviço ativo. Atualmente, circulam apenas seis unidades na rede ferroviária nacional, sendo uma da primeira série e cinco da segunda série.

 Além disso, este acidente assume um relevo acrescido no atual contexto do parque de automotoras diesel da CP, numa altura em que a operadora tem enfrentado supressões frequentes devido às avarias recorrentes da série 0450. Estas limitações têm provocado supressões quase diárias em várias linhas não eletrificadas, nomeadamente na Linha do Algarve, Linha do Alentejo e Linha do Oeste. A indisponibilidade adicional desta automotora acidentada, acentua ainda mais a pressão sobre um parque já fortemente condicionado, agravando as dificuldades na asseguração da oferta ferroviária regular.