2026 entrou com supressões a fazer lembrar 2018
04/01/2026Tem sido habitual durante os últimos meses e a tendência continua para 2026, com várias linhas regionais não electrificadas a apresentarem recorrentes supressões por motivos fundamentalmente ligados a falta de material e a falta de pessoal.
Entre as mais afectadas, o serviço existente na linha do Vouga e do Oeste assemelha-se hoje ao de 2018, com muitos comboios regularmente suprimidos a ponto de ser questionável a opção da CP de continuar a prevê-los nos horários. Também a linha do Algarve e a do Alentejo continuam praguejadas pelas supressões quase sempre motivadas por falta de unidades UDD 0450 suficientes. Estas unidades, recorde-se, têm prevista desde 2019 uma nova motorização para fiabilizar a sua operação mas, sete anos depois, continua por efectivar.
Além dos motivos inerentes à CP, que se repetem ciclicamente, não é possível desligar estas falhas dos atrasos crescentes na conclusão de obras previstas no Ferrovia 2020. Na linha do Oeste, por esta altura, já há muito que se devia circular em tracção eléctrica entre Lisboa e Caldas, algo que agora só deverá suceder em 2027. Esse prazo é determinado pela conclusão da subestação de tracção da Runa, que está muito atrasada, e entretanto ainda é expectável que seja possível pelo menos autorizar a tracção eléctrica de Lisboa até à Malveira, o que deverá acontecer brevemente.
No Algarve o atraso é tão grande ou maior, continuando-se a adiar a conclusão no ramal de Lagos – provavelmente para servir à tracção eléctrica ainda durante o primeiro semestre deste ano – e no Sotavento, até Vila Real de Santo António. Os atrasos, superiores a cinco anos, naturalmente destroem qualquer planificação de frota a médio e longo prazo e torna cada vez mais complicada a vida à CP.
Sem prejuízo do acima disposto, continua-se a verificar a dualidade do operador na hora de arranjar alternativas de produção. Se na região Norte o vasto parque de carruagens utilizável foi sendo empregue pelo menos para evitar supressões de serviço – o pior cenário possível – já mais para Sul tem sido sempre admissível suprimir comboios sem procurar reequilibrar meios a nível nacional.
Com diferença face a 2018, hoje existe um contrato de serviço público activo e que determina prestações mínimas de serviço mas, apesar de se tratarem exclusivamente de entidades públicas, não parece haver responsabilização efectiva e acção para resolver um problema básico – há horários previstos, mas os comboios nem sempre aparecem.

