Enquanto o júri do concurso para a construção do 2º lote da alta velocidade entre Oiã e Taveiro se debruça sobre as duas propostas recebidas – uma da Sacyr, outra da Lusolav – o consórcio português promoveu uma apresentação da sua proposta que, pela terceira vez, contradiz elementos fundamentais do caderno de encargos. Depois de uma luta titânica na praça pública após ter ganho o 1º lote entre Porto e Oiã que custou vários meses de atraso, e depois de ter entregue uma primeira proposta para o troço 2 (onde então foi proponente único) também liminarmente rejeitada – previa a estação de Coimbra fora da cidade – agora apresentou a ideia de ter Coimbra-B como estação terminal, ligada à linha de alta velocidade apenas via Adémia, obrigando portanto a inversões de marcha.
A propaganda incidiu desta vez na redução das demolições – depois de em Gaia terem apresentado uma proposta que as aumentava dramaticamente – não mencionando nenhum dos impactos operacionais e comerciais óbvios que uma proposta que elimina a continuação da linha entre Coimbra e Taveiro, como acesso Sul à LAV, determina. Para lá da degradação dos tempos de viagem pela operação logística necessária em Coimbra com esta proposta, a proposta obviamente desencoraja o serviço a Coimbra no quadro dos serviços entre Lisboa e Porto. Recorde-se que o caderno de encargos na sua cláusula 47ª determina explicitamente a quadruplicação da linha do Norte entre Taveiro e Coimbra e edificação do acesso sul à LAV, excluída desta proposta.
Não se conhecem os detalhes de desenho da proposta alternativa da Sacyr, mas é público que é uma proposta substancialmente mais barata e que o preço é o critério de adjudicação mais relevante. Seja como for, como a Lusolav apresentou publicamente critérios técnicos que determinam a sua automática exclusão do processo, provavelmente o processo deste concurso estará mais focado em perceber se a proposta da Sacyr respeita o caderno de encargos ou não.
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