
O Comboio do Cante realizou a sua viagem especial no dia 2 de maio de 2026, consolidando-se como uma das iniciativas culturais ferroviárias mais emblemáticas do alentejo. A composição partiu de Lisboa–Oriente às 08:33 e seguiu por Sete Rios, Pragal, Pinhal Novo e Casa Branca, recolhendo ao longo do percurso os 21 grupos corais participantes.
A bordo, as modas ecoaram pelas carruagens, transformando o comboio num palco vivo que antecipou o ambiente festivo que se viveria mais tarde na Ovibeja. A chegada a Beja ocorreu às 11:40, permitindo que os grupos se integrassem de imediato no desfile e na atuação conjunta que reuniu mais de 400 vozes no Palco da Avenida.
Do ponto de vista ferroviário, esta edição destacou-se pela operação técnica particularmente interessante que envolveu duas locomotivas de tração distinta. Entre Lisboa e Casa Branca, a tração elétrica foi assegurada pela locomotiva Siemens 5602, pertencente à série 5600, cuja fiabilidade e capacidade a tornam adequada para serviços de longo curso na CP. Em Casa Branca ocorreu a aguardada troca de tração, momento que atraiu a atenção de entusiastas e fotógrafos ferroviários. A partir daí, e até Beja, o comboio passou a ser rebocado pela locomotiva diesel 1436, uma representante histórica da série 1400, que garantiu o serviço tanto na ida como no regresso. Esta escolha não só respondeu às necessidades de exploração da Linha do Alentejo, não eletrificada no troço Casa Branca–Beja, como também prestou homenagem ao papel que as 1400 desempenharam durante décadas nos serviços regionais da CP.
A composição do comboio contribuiu igualmente para o caráter especial da operação. O serviço foi formado por quatro carruagens Sorefame inox, duas carruagens Corail e o furgão gerador, combinação que ofereceu capacidade adequada ao elevado número de participantes bem como assegurou a climatização no troço não electrificado.

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