Oeste despede-se das “Camellas”

É já esta semana que a Linha do Oeste se despede das 592, que há mais de uma década que são a imagem de marca desta linha. Recorde-se que o primeiro serviço assegurado por uma destas automotoras data a 14 de junho de 2015.

Primeiro serviço comercial na Linha do Oeste efetuado pela 592.019.
14 – 06 – 2015 – Rui Ferreira ©

Dois dias depois, estreava-se também nesta linha uma automotora da segunda série em serviço comercial, embora estas já lá andassem desde o início de 2015 em marchas de formação / homologação.

592.227 à passagem pelo Ramalhal na marcha 31303 (Figueira da Foz –» Torres Vedras). 12 – 02 – 2015 – Nuno Miguel ©
A primeira 592.2 em serviço nas Caldas da Rainha. 16 – 06 – 2015 – Rui Ferreira ©

As automotoras UTD 592 chegaram a Portugal entre 2010 e 2011, num contexto de carência de material circulante para serviços regionais e inter-regionais. Construídas entre 1981 e 1984 pelas empresas MACOSA e Ateinsa, estas unidades diesel múltiplas representavam, à época, uma solução madura e fiável, já amplamente testada na rede espanhola. Tornadas excedentárias após sucessivas renovações de frota na RENFE, foram disponibilizadas para aluguer, permitindo à CP reforçar rapidamente a operação em linhas não eletrificadas, como o Douro e Minho.

Atualmente, com apenas 6 unidades ainda em serviço e com cada vez menos quilómetros para percorrerem, estas UTD dizem assim adeus à Linha do Oeste, dando lugar às obsoletas 0450 que ficaram disponíveis após terem sido substituídas na Linha do Algarve pelas UTE 2240.

A Linha do Oeste perde assim aquele que era o seu material circulante mais confortável e fiável, passando a ser servida exclusivamente por automotoras que, nos últimos meses, têm acumulado críticas devido às recorrentes avarias e ao elevado número de imobilizações, situação que já obrigou á supressão de comboios entre Évora e Beja.