A expansão da Linha C do Metro do Porto entre o ISMAI e a Trofa está mais próxima de se concretizar. O projeto prevê a construção de cerca de 10,5 quilómetros de nova infraestrutura, com prolongamento ferroviário entre o ISMAI e o Muro e continuação em sistema BRT (Bus Rapid Transit) entre o Muro e a Interface da Trofa.
A solução combina dois modos de transporte complementares: 3,1 km em metro ligeiro entre o ISMAI e o Muro e cerca de 7,4 km em corredor exclusivo BRT até à Interface Trofa, junto à estação ferroviária da Linha do Minho. O projeto inclui nove estações, novas interfaces, parques de estacionamento dissuasores, reabilitação de antigas estações ferroviárias e importantes intervenções de requalificação urbana.
Porque não construir metro ferroviário até à Trofa?
Esta é provavelmente a pergunta que mais tem surgido desde a apresentação do projeto. A resposta está nos estudos de procura realizados para esta expansão. Durante a preparação da nova fase da rede do Metro do Porto foi analisada a hipótese de prolongar o metro ferroviário até à Trofa em toda a extensão. Contudo, os estudos efetuados pelo Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA), em 2020, concluíram que a procura prevista para este corredor seria relativamente reduzida quando comparada com outros eixos metropolitanos.
Os resultados apontaram para níveis de utilização considerados “bastante modestos”, não justificando o investimento significativamente mais elevado associado à construção e exploração de uma linha ferroviária pesada ao longo de todo o percurso. Para valores de procura inferiores a cerca de 420 passageiros por sentido e por hora, os estudos recomendaram a adopção de um sistema BRT, considerado mais eficiente do ponto de vista económico e operacional.
O que é um BRT?
O BRT é muito mais do que um autocarro convencional. Circula em corredor próprio e segregado do restante trânsito, tem prioridade nos cruzamentos, estações dedicadas, informação ao passageiro e elevadas frequências de serviço. No caso desta linha, os veículos serão elétricos e utilizarão uma infraestrutura projetada especificamente para assegurar tempos de viagem competitivos e elevada fiabilidade. Na prática, para o utilizador, o sistema aproxima-se da experiência de um metro de superfície, mas com custos de construção muito inferiores e maior flexibilidade operacional. Esta solução (BRT – autocarro eléctrico em canal dedicado) já está em exploração no Porto, entre a Casa da Música e a Praça do Império.
Porque termina o metro no Muro?
O Muro foi identificado como o local ideal para efetuar a transição entre os dois modos de transporte. A antiga estação ferroviária será recuperada e transformada numa interface moderna, partilhada por metro e BRT. O local contará com áreas de estacionamento, zonas de regulação dos veículos BRT e infraestrutura elétrica capaz de alimentar tanto o metro como os carregadores rápidos dos autocarros. Esta solução permite concentrar a infraestrutura ferroviária no troço onde a procura é mais elevada e utilizar um sistema mais flexível no restante percurso até ao centro da Trofa.
Uma aposta na mobilidade sustentável
O Estudo de Impacte Ambiental conclui que o projeto terá benefícios significativos na mobilidade da Maia e da Trofa, promovendo a transferência de passageiros do transporte individual para o transporte público. Entre os principais ganhos destacam-se a redução das emissões de gases com efeito de estufa, a melhoria da qualidade do ar, o reforço da coesão territorial e a criação de melhores ligações entre zonas residenciais, industriais e equipamentos públicos.
Ao ligar diretamente a Trofa à rede do Metro do Porto e à Linha do Minho, a nova infraestrutura criará uma verdadeira plataforma intermodal, permitindo deslocações mais rápidas e sustentáveis em toda a Área Metropolitana do Porto.
Em resumo: a opção por metro até ao Muro e BRT até à Trofa não resulta de uma limitação técnica, mas sim de uma decisão baseada na procura prevista e na eficiência do investimento. O objetivo é disponibilizar um transporte público de elevada qualidade, ajustado às necessidades reais do território, garantindo simultaneamente uma utilização mais racional dos recursos públicos.
Nota: As informações apresentadas neste artigo têm por base os documentos do Estudo de Impacte Ambiental da futura Linha ISMAI-Trofa, disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente para consulta pública. Toda a documentação pode ser consultada em: https://siaia.apambiente.pt/ProcessoAIA/Detalhes/3950
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