Tempestade Cláudia perturbou circulação
15/11/2025A tempestade “Cláudia” que assolou o território nacional entre os dias 12 e 15 de Novembro causou muitos problemas à circulação ferroviária nacional. O epicentro das dificuldades centrou-se no Ribatejo, onde boa parte do dia 12 foi marcado por uma avaria da sinalização entre Santarém e Lamarosa, com todos os encravamentos electrónicos afectados e paralizando por completo a circulação ferroviária durante quase todo o dia. Também na linha do Norte, na zona de Pombal, a queda de árvores sobre a linha acabou por interromper a circulação e danificar a catenária.
A linha do Oeste foi também fortemente afectada, primeiro com a inundação da estação da Malveira – um cenário que se repete desde a modernização da estação – e depois com um aluimento de terras e deslizamento de balastro afectando sucessivamente os troços Leiria – Louriçal e Louriçal – Amieira. Mais sérias foram as consequências na linha da Beira Baixa, onde um comboio regional saído da Covilhã descarrilou à passagem pelo Tortosendo, também consequência da queda de taludes – felizmente sem qualquer consequência humana. O dia foi tão complicado que o comboio socorro para ali mobilizado acabou por embater em árvores junto a Lardosa, o que atrasou ainda mais o socorro ao evento do Tortosendo.
Foram muitos os comboios suprimidos por impossibilidade de transitar pelas vias e alguns atrasos acumularam-se nos que partiram das respectivas origens, com destaque para o comboio 541 Lisboa – Guarda de dia 12 que, partindo pouco depois das 8h da manhã, apenas terminou o seu percurso já após as 20 horas, incluindo um último transbordo devido ao incidente do Tortosendo.
Nestes dias alguns outros incidentes foram registados, sobretudo quedas de árvores que interromperam circulação e num caso acabaram até por causar alguns danos num IC Évora – Lisboa, de dia 14. Episódios que relembram uma vez mais a falta de resiliência da rede sobretudo com respeito à não limpeza dos terrenos circundantes à rede ferroviária nacional, conforme disposto no Decreto-Lei n.º 276/2003, o que deixa as vias férreas muito sujeitas à queda de árvores sobre as mesmas.

