Terminou consulta pública sobre projecto de execução da LAV Porto – Oiã

Terminou consulta pública sobre projecto de execução da LAV Porto – Oiã

15/11/2025 0 Por Joao Cunha

Terminou nos últimos dias o prazo para submissão das participações no contexto da consulta pública promovida pela APA ao projecto de execução submetido pelo consórcio AVAN Norte, com respeito ao troço Porto – Oiã da linha de alta velocidade.

259 participações é certamente um número muito significativo que diz bem da imensa polémica que se instalou a propósito deste projecto, em que o consórcio apresenta agora opções de construção que colidem frontalmente com o caderno de encargos a que voluntariamente concorreu e que acabou por ganhar. O ponto mais polémico é a estação de Gaia, que o consórcio quer mover da ideal localização de Santo Ovídio, servida por duas linhas de Metro, para uma reserva biológica a Sul, sem sequer concretizar fórmula para construção de um único ramal de Metro. Além do mais, nesta alteração, o traçado em túnel cai para cerca de metade da extensão e passa a afectar muito mais edificações à superfície, entre as quais se encontram algumas já licenciadas pós Avaliação de Impacte Ambiental, onde a IP se mostrou favorável dado que o traçado previsto no caderno de encargos por ali circularia enterrado.

A associação Zero marcou o final da consulta pública com uma comunicação onde trata de forma muito dura a proposta apresentada e juntou-se ao coro de críticas que exigem à APA o chumbo ambiental do projecto submetido. A IP continua sem se pronunciar, o mesmo acontecendo com o ministro da pasta que, apesar de já ter sido chamado a assumir uma posição, continua a escudar-se em burocracia para evitar tomar partido, o que não deixa de adensar a desconfiança sobre tão insólito processo.

Além dos pontos mais polémicos, o consórcio AVAN Norte defende também uma intervenção minimalista em Campanhã, passando de um edifício ponte de grandes dimensões para uma magra passagem superior coberta, enquanto publicamente continua a querer convencer toda a gente de que o que propõe até é mais caro do que o que aceitou no caderno de encargos, como se porventura os portugueses merecessem ser insultados na sua inteligência.