CP aguarda propostas por comboios de alta velocidade até 2 de Julho

No passado 21 de Maio, o Governo autorizou a CP a adquirir 12 comboios de alta velocidade, peças de parque e peças especiais por cerca de 504 milhões de Euros. O procedimento incluirá ainda o serviço completo de manutenção nos dois primeiros anos de serviço e a opção por mais oito comboios que poderá ser exercida mais tarde.

Os concorrentes interessados têm até 2 de Julho para apresentar as suas propostas e até ao início de Setembro a CP comunicará decisão de qualificação a todos os concorrentes – quais passam à fase final que conduzirá posteriormente à decisão de adjudicação. O contrato para a aquisição está previsto ser assinado durante o primeiro trimestre de 2027, com a primeira entrega prevista para para quatro depois, no primeiro trimestre de 2031.

Contrariamente aos comboios regionais e urbanos adquiridos recentemente, que se destinam aos serviços públicos contratados pelo Estado e contam com total cobertura do Estado, os comboios de alta velocidade são financiados exclusivamente pela CP, com recurso a crédito.

Entre os principais requisitos pedidos pela CP neste concurso encontram-se:

  • Composições de 200 metros de comprimento
  • Capacidade para pelo menos 500 passageiros sentados
  • Velocidade máxima de 300 km/h
  • Bitola ibérica, com possibilidade de troca fácil de rodados em oficina para bitola europeia
  • Adaptação para transporte de pessoas de mobilidade reduzida e bicicletas
  • Compatibilidade total com os sistema de protecção de comboio já em uso (Convel) e ERTMS de nível 2
  • Duas classes, com pelo menos 90 lugares em primeira classe
  • Compatibilidade plena com plataformas de altura 685 e 760mm

Destaca-se a total ausência de requisito de espaço de bar ou restauração, existindo apenas menção a espaços para máquinas de vending, opção bastante estranha no contexto da alta velocidade europeia e no contexto de uma frota que acabará por servir a rotas longas como Braga – Faro, por exemplo. Noutros domínios, a CP expressamente autoriza a utilização de configurações de dois pisos para os comboios a fornecer.

Entre os critérios que a CP colocou para bonificar os candidatos, não obrigatórios mas recomendados, encontram-se:

  • Comboios integralmente articulados (um bogie a suportar duas caixas contíguas)
  • Capacidade para mais do que 550 passageiros
  • Compatibilidade com plataformas de 900mm
  • Comportamento aerodinâmico e prestações de frenagem
  • Redundâncias adicionais em sistemas auxiliares e condições degradadas de marcha com melhor performance
  • Espaço de corredor e espaço entre bancos, em configuração máxima 2+2
  • Uso de bogies em vez de eixos singulares

No lote de principais candidatos, é possível identificar:

  • Alstom Avelia Horizon: Possivelmente os maiores candidatos dado cumprirem facilmente as especificações de capacidade disponibilizando muito espaço entre bancos se a CP assim o desejar. São os únicos comboios de alta velocidade articulados com bogies, uma dupla bonificação garantida pelos critérios da CP.
  • Siemens Velaro Novo: O maior concorrente de alta qualidade aos comboios da Alstom. Não são articulados mas poderão facilmente cumprir o requisito de 500 passageiros em 2+2 dado a CP não exigir espaço de restauração ou bar
  • Hitachi ETR1000: Comummente conhecido como Frecciarossa em Itália, comboios de prestações idênticas aos Velaro e com as mesmas vantagens e desvantagens face aos comboios Alstom
  • Talgo Avril: Dos principais concorrentes, talvez a opção mais complicada dados os muitos problemas da sua plataforma. Permite circulação fácil em diferentes bitolas, mas terá dificuldade em apresentar 500 ou mais lugares em configuração 2+2 e em cumprir vários outros requisitos como compatibilidade com plataformas de 900mm e será penalizado por usar eixos em vez de bogies.

Existem ainda outras empresas com produtos possíveis. A CAF há muitos anos que investe na sua plataforma Oaris, ainda sem clientes, para comboios similares em conceito aos Hitachi e Siemens mas com capacidades de circulação em bitolas distintas, mas não passaram ainda de protótipos. A chinesa CRRC será sempre uma empresa interessada mas terá poucas ou nenhumas oportunidades num concurso que pede soluções garantidas e experimentadas em contexto europeu e ao abrigo nas normas europeias de interoperabilidade.