A circulação ferroviária entre Mouriscas-A e Ródão será retomada no dia 20 de Setembro, após a conclusão de uma intervenção de emergência que exigiu engenharia especializada, logística complexa e um investimento global de 3,4 milhões de euros. Com esta reabertura, ficam restabelecidas condições para a CP retomar os serviços Regionais e Intercidades em toda a extensão da Linha da Beira Baixa, bem como a redundância estratégica com a Linha da Beira Alta para o transporte internacional de mercadorias. A interrupção ocorreu devido aos efeitos da tempestade Kristin, que provocou dois deslizamentos de terras entre os quilómetros 39,150 e 39,270, criando instabilidade na plataforma ferroviária e obrigando à suspensão total da circulação. O troço afetado, situado numa zona de acessos difíceis e encaixado entre encostas, tornou a intervenção particularmente exigente, mas a Infraestruturas de Portugal assumiu desde o primeiro momento o compromisso de recuperar a infraestrutura com segurança e no menor tempo possível, reduzindo o impacto para as populações que dependem diariamente desta ligação.
Os trabalhos decorreram em condições extremas, com limitações de espaço para maquinaria pesada, dificuldades no transporte de materiais e temperaturas muito elevadas. Ainda assim, avançaram com várias frentes técnicas essenciais: estabilização de taludes através da aplicação de cerca de 5 500 m³ de enrocamento, construção de duas estruturas de betão armado fundadas em microestacas para garantir a estabilidade profunda da plataforma, execução de uma viga de coroamento intermédia que reforça e liga essas estruturas, melhoria da drenagem com reabilitação de passagens hidráulicas e otimização da drenagem superficial, reposição integral da via-férrea e dos sistemas de telecomunicações e terras, e instalação de instrumentação geotécnica para monitorizar a estabilidade da plataforma e das estruturas de reforço.
A Linha da Beira Baixa é um eixo estruturante para a mobilidade regional e para a ligação entre territórios do interior, e a sua interrupção teve impacto direto no quotidiano das populações e na logística de mercadorias. A reabertura do troço Mouriscas-A — Ródão devolve conectividade regional, redundância ferroviária para tráfego internacional, maior segurança e resiliência da infraestrutura e confiança às populações e operadores.
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