Cinco meses sem comboios entre Marco de Canaveses e a Régua devido às obras da Linha do Douro

A circulação ferroviária entre Marco de Canaveses e Peso da Régua voltará a ser interrompida entre 3 de Novembro de 2026 e 24 de Março de 2027, no âmbito da empreitada de modernização e eletrificação da Linha do Douro. A medida, anunciada pela Infraestruturas de Portugal, corresponde ao segundo grande período de interrupção previsto numa obra avaliada em cerca de 110 milhões de euros, que visa modernizar um dos mais emblemáticos e importantes corredores ferroviários do país.

Durante cerca de cinco meses, os passageiros deixarão de poder viajar de comboio entre Marco de Canaveses e a Régua, sendo assegurado um serviço rodoviário alternativo com paragens nas localidades servidas pela ferrovia. A retoma da circulação ferroviária está prevista para 25 de Março de 2027.

Esta nova interrupção surge na sequência de uma primeira suspensão semelhante realizada entre Novembro de 2025 e Abril de 2026, também necessária para permitir a execução de trabalhos de renovação da infraestrutura. Nessa fase, foi igualmente implementado um esquema de transbordo rodoviário, enquanto as equipas de obra avançavam com intervenções em via, túneis, sistemas de sinalização e preparavam a instalação da futura eletrificação do troço.

Segundo a Infraestruturas de Portugal, a programação dos trabalhos para os meses de inverno procura reduzir o impacto sobre a procura turística, tradicionalmente mais elevada na primavera e no verão. Ainda assim, a interrupção afeta centenas de utilizadores regulares da linha, incluindo estudantes, trabalhadores e residentes dos concelhos ribeirinhos do Douro, que voltarão a enfrentar tempos de viagem mais longos e a necessidade de efetuar transbordos.

A modernização em curso prevê a eletrificação integral dos cerca de 47 quilómetros entre Marco de Canaveses e Peso da Régua, a renovação da via férrea e a instalação de sistemas mais modernos de sinalização e segurança. Os trabalhos decorrem ao longo de três anos e incluem três períodos distintos de interrupção total da circulação ferroviária. Atualmente, a catenária encontra-se instalada apenas até Marco de Canaveses.

Apesar dos incómodos causados pelas sucessivas suspensões do serviço, entidades do setor ferroviário têm defendido que estas intervenções são indispensáveis para garantir uma infraestrutura mais segura, fiável e preparada para responder às necessidades futuras da região. A expectativa é que, concluída a obra, a Linha do Douro beneficie de melhores condições de exploração, maior eficiência operacional e uma oferta ferroviária mais atrativa para residentes e turistas.

A Linha do Douro, que liga o Porto ao Pocinho e atravessa uma das paisagens mais emblemáticas do país, continua assim a viver um período de profunda transformação, marcado por constrangimentos temporários mas também pela promessa de uma renovação há muito reclamada por autarcas, utilizadores e defensores da ferrovia.