Mercado de aluguer: uma oportunidade para os próximos anos

O meio ferroviário tem estado relativamente adormecido em notícias nos últimos tempos. Ainda não se percebeu ao certo se o plano de investimentos avança (mesmo segundo os calendários apresentados já em 2016, nesta altura já há atrasos a elencar) e a única disrupção das últimas semanas são as notícias relativas ao aluguer de locomotivas por parte da CP.

Em Espanha a Renfe já disponibiliza a operadores privados locomotivas diesel 333.3 e elétricas 269 em regime de aluguer.
Em Espanha a Renfe já disponibiliza a operadores privados locomotivas diesel 333.3 e elétricas 269 em regime de aluguer.

O Portugal Ferroviário em primeira mão deu conta da inspeção às locomotivas 2600 que a CP mantém como reserva estratégica tendo em vista um potencial aluguer, confirmada mais tarde pelo Público. É uma novidade por cá a existência de um mercado de aluguer de locomotivas para transporte de mercadorias, sendo bastante frequente pela Europa fora. Em França a SNCF aluga dezenas de locomotivas a directos concorrentes (ainda tem uma filial de mercadorias na sua posse) e em Espanha a Renfe seguiu-lhe os passos sobretudo no ano passado, com a generalização de alugueres a vários operadores privados.

Por cá as condições não eram tão favoráveis – a frota diesel em fim de vida não antecipava grandes oportunidades de reaproveitamento e a operação privada era ainda pequena para justificar aposta na tração elétrica.

Constatando-se atualmente uma expansão da Takargo, é bastante lógico que encare uma nova fase também com recurso a tração elétrica – pode aproveitar as locomotivas diesel onde são efetivamente imprescindíveis e é relativamente fácil conseguir custos de operação mais baixos mesmo recorrendo a locomotivas elétricas que não caminham para novas. É esse o caso das 2600s, que apresentam ainda a vantagem de terem sido renovadas há pouco tempo e terem potenciais quilométricos elevados.

Nos próximos anos, a ser executado o plano de investimentos previsto, o raio de ação das locomotivas elétricas irá aumentar ainda mais e a sua pertinência continuará a expandir-se. A frota em reserva na atualidade, devidamente conservada, pode ser um ativo de grande rentabilidade para as empresas de transporte de mercadorias. Com custos de investimento baixos, não será preciso que consigam equiparar-se nas cargas às locomotivas diesel ou sequer terem uma disponibilidade comparável às locomotivas novas para serem uma aposta interessante.

O mercado de aluguer é que está a dar no transporte de mercadorias. Locomotivas amortizadas e em bom estado de conservação permitem passar a variáveis custos de investimento habitualmente vistos como fixos. E isso faz toda a diferença num setor que precisa de flexibilidade.

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