O que funciona e o que não funciona na alta velocidade

O que funciona e o que não funciona na alta velocidade

28 Junho, 2022 2 Por Joao Cunha

A única vantagem de termos mais de 40 anos de atraso na implementação da alta velocidade é termos um extensíssimo leque de lições aprendidas à disposição. Vamos ver algumas.

O que funciona:

  • Muito alta velocidade – 300 km/h ou mais em toda a extensão – regularidade numa marcha de alta velocidade corta drasticamente os tempos de viagem;
  • Interligação com a rede convencional – serviços que começam ou acabam em linhas de alta velocidade, mas que não se esgotam aí;
  • Estações de correspondência com rede de proximidade e horários ajustados;
  • Horários cadenciados e frequentes – tal como num metropolitano, a esmagadora percentagem do custo da alta velocidade está na infraestrutura… se ela existe, utilizem-na, e utilizem-na muito! Tipicamente as perdas por operar alguns serviços mais vazios são muito inferiores à receita potencial não realizada operando apenas meia dúzia de serviços ao longo do dia;
  • Utilização das estações centrais – não deslocalizar os pontos de ancoragem para os passageiros só porque o tipo de comboio muda.

O que não funciona:

  • Linhas para utilizações mistas – a não ser que o caso seja muito particular e o tráfego de mercadorias muito limitado, as linhas mistas para comboios de alta velocidade são um pesadelo – muito mais caras de construir e de manter;
  • As estações no meio do nada servidas por auto-estradas – primeira concepção, para captar pessoas a meio da linha, onde não existem povoações. Há sempre alguma atracção territorial conseguida, mas em geral a experiência para o passageiro não é agradável e fica dependente do carro;
  • Serviços pouco frequentes e limitados ao trajecto de alta velocidade – já dito acima, é preciso aproveitar a (gigantesca) capacidade de uma linha de alta velocidade e é preciso por os comboios a irem para lá dos limites da linha de alta velocidade;
  • Compromissos entre alta velocidade e linhas convencionais – como se vê no caso alemão, a excessiva hibridação entre novos troços e renovações mais ambiciosas de linhas convencionais acaba sem entregar os ganhos de tempo que permitem fazer a diferença.